Mock Draft 1.0: Parte IV

Paulo Pereira 30 de Novembro de 2013 Draft, NFL Comments
Mock Draft 2014

Mock Draft 1.0: Parte IV

E pronto. C'est fini. Para o bem e para o mal, as 32 franquias da NFL fizeram as suas escolhas. E terão que viver, neste mundo virtual, com elas, na próxima temporada. Conseguiram retocar o roster? Conferir-lhe maior qualidade? Ou, como tantas vezes acontece, deitaram tudo a perder, escolhendo jogadores errados, futuros busts? Neste faz de conta, saberemos o que aconteceu a cada um destes jogadores, no final da época…de 2014. Cá estaremos para relembrar os prognósticos, os acertos, as falhas.

25. Philadelphia Eagles – Aaron Colvin, Cornerback, Oklahoma

É difícil prever o que Chip Kelly pensa. E fará. Na ânsia de emular o ataque que geria em Oregon, transferindo-o para Philadelphia, o head coach poderá não resistir a juntar mais umas armas ao seu ataque “speedado”. Mas, se tudo correr normalmente, a necessidade mais premente nos Eagles seria a primeira a ser colmatada. A secundária tem cedido demasiadas big plays, com Cary Williams, ainda com o seu anel reluzente de campeão nos Ravens, e Bradley Fletcher, a não ficarem bem na fotografia. Colvin é um dos preferidos das principais mentes que analisam o College, com a sua velocidade e flexibilidade, sobretudo na perseguição downfield dos adversários, a ser devidamente destacada.

26. Cincinnati Bengals – Derek Carr, Quarterback, Fresno State

Não é uma decisão non-brainer. O roster dos Bengals é um dos melhores da competição, sem grandes carências. É possível apontar que a secundária, sobretudo o corpo de cornerbacks, poderia receber um influxo de talento, com Mike Zimmer a conseguir extrair qualidade de Terrence Newman e Adam Jones. E, provavelmente, os Bengals encontrarão ajuda para o sector nos outros rounds. No seu 3º ano de profissional, Andy Dalton ainda não conseguiu ser convincente, não tendo qualquer vitória nas idas aos playoffs. Vivendo em inconstância, com a irregularidade a minar as pretensões da equipa, Dalton ganhou a sua dose de críticos, que não vêem nele a resposta a longo prazo que a franquia necessita. A inclusão de Carr daria alternativas a Marvin Lewis, com o prospect de Fresno State a aparecer bem alto na maioria dos rankings. Um dos braços mais poderosos do College, aliado a uma visão madura e serena do campo, com boas decisões tomadas, na maioria das vezes, tornam-no num fruto apetecível, que daria a necessária competição à posição. Curiosamente, Drek Carr é irmão de David Carr, antiga escolha nº 1 do draft, pelos Texans.

27. Cleveland Browns (via Indianapolis Colts) – Zach Mettenberger, Quarterback, LSU

Era um draft de sonho para os Browns, com Mike Evans a juntar-se a Josh Gordon e a dotar o corpo de receivers de qualidade extra e, com a 2ª pick no primeiro round, a escolha do (espera-se) franchise QB. Zach Mettenberger teve um ano sénior excelente, ultrapassando as inibições da época anterior. A essa evolução não será alheia a chegada de Cam Cameron para coordenador ofensivo, numa ajuda preciosa a limar as imperfeições no jogo que Zach evidenciava. Mettenberger é um dos QBs com o braço mais forte (possivelmente apenas Derek Carr se gabará de possuir um melhor), que realiza a maioria dos lançamentos e denota uma segurança crescente no pocket. Brandon Weeden é um mal-amado por Chudzinski e fará parte do passado, com Mettenberger a ser o homem que se segue. Vingará? A escolha prova igualmente quão profunda pode ser a classe de QBs, em 2014, com nomes como Aaron Murray, AJ McCarron e os fenómenos da FCS Jordan Lynch ou Jimmy Garoppolo.

28. Detroit Lions – Bradley Roby, Cornerback, Ohio State

Uma das piores passing defense da liga necessitará de ajuda extra. Darius Slay, escolha do draft de 2013, tem sido pouco utilizado, tendo regressado à acção na semana 13, contra os Packers (o último jogo tinha sido na week 2). Bill Bentley continua a ser o backup de Chris Houston, enquanto Rashean Mathis vai fazendo pela vida, no lado direito. Depois do upgrade verificado, com a escolha de Glover Quin na free agency, para a posição de strong safety, os Lions continuariam a cimentar a solidez num sector carenciado, escolhendo um dos top-players na posição. Roby viu o seu stock aumentar significativamente, depois da excelente temporada júnior, mostrando a rapidez e o instinto requerido para a posição. A única coisa que poderá afectar a sua escolha, no 1º round, são as questões off-the-field, que no passado puniram outros jogadores excepcionais (como Janoris Jenkins e, mais recentemente, Tyrann Mathieu). Roby foi preso, na offseason de 2013, devido a uma luta num bar, que lhe poderá acarretar uma suspensão, em 2014

29. New Orleans Saints – Kyle Van Noy, Outside Linebacker, BYU

A alteração do sistema táctico para 3-4 e a inclusão de Rob Ryan como o novo guru defensivo, levaram a uma melhoria considerável na defesa dos Saints. Cameron Jordan tornou-se  um dos elementos mais destacados da liga, quase emulando a temporada de JJ Watt, um ano antes. Explosivo e disruptivo, Jordan foi a face do pass rush de Nova Orleães, criando o caos nas OL’s contrárias. A inclusão de Van Noy permitiria um reforço dessa mesma capacidade, dado que o linebacker é dinâmico, partindo da linha defensiva mais atrasada, sendo igualmente um run-defender reputado.

30. New England Patriots – Eric Ebron, Tight End, North Carolina

Bill Bellichick, alcunhado de génio pela imensa falange de apoio da equipa de Boston, foi o precursor do uso sistemático de dois TEs, usando-os como armas letais na criação de mismatchs nas defesas contrárias. O caso criminal em que Aaron Hernandez se viu envolvido criou problemas adicionais aos Patriots, num ápice despojados de duas das suas principais armas no ataque (Gronkowski esteve lesionado), obrigando o decano treinador a soluções de improviso. E é isso que Matthew Mulligan e Michael Hoomanawanui são: meros tarefeiros, que tentam cumprir sem brilho a função. O draft surgiria aqui como paliativo, com os Pats a poderem escolher, instruir e moldar um excitante prospect nos intrincados sistemas tácticos que a franquia usa. Ebron tem sido um dos destaques de North Carolina, capaz de longos touchdowns, ferindo de morte as defesas, jogando pelo meio do campo. De resto, tem tudo: speed, size e força, prometendo criar uma parelha com Gronk que rapidamente faria cair no esquecimento o furor que a dupla Gronk/Hernandez provocou. Ebron é rápido o suficiente a atacar a secundária, mas é nas slants e seam routes que se nota a excelência do seu jogo.

31. Denver Broncos – Vic Beasley, Defensive End, Clemson

Depois da rocambolesca história de renovação com Elvis Dumervil, que culminou num caricato fax enviado fora de horas, os Broncos podem enamorar-se de um prospect interessante, ainda por escolher. Vic Beasley é um defensive end brutal, que poderá causar um impacto imediato, consolidando o pass rush da equipa, a cargo de Von Miller e de Shaun Phillips. Juntar Miller e Beasley seria o sonho húmido da maioria dos coordenadores defensivos. O único senão, num jogador que pode jogar como DE ou OLB, é ser considerado undersized. Nada, no entanto, que arrefeça o interesse dos Broncos.

32. Seattle Seahawks – La’El Collins, Offensive Tackle, LSU

Não existem equipas perfeitas na NFL…mas há algumas em que se tem dificuldade em apontar o dedo, contentes por ter descoberto uma lacuna. Onde gastarão os Seahawks a sua pick no primeiro round? Na defesa? Dificilmente, parece-me (se bem que os meus prognósticos, invariavelmente, saiam furados). A equipa reforçou-se na offseason com pass rushers, como Cliff Avril e Michael Bennett, juntando-os a Red Bryant e Bruce Irvin. A secundária é, senão a melhor, uma das mais destacadas. A escolha de um defensive back só se justifica face à quantidade de castigos que os seus integrantes têm acumulado. O corpo de linebackers pode merecer alguns retoques, dando-lhe profundidade, mas essa pode e deve ser encontrada noutros rounds. É no ataque, nomeadamente na OL, que a franquia de Seattle pode gastar a pick. Onde? Num OT, que possa assumir a posição de right tackle, entregue aos desvarios de Breno Giacomini, um dos mais penalizados offensive tackles da liga. Collins tem sido o protector e guardião de Mettenberger, este ano, no blind side. Polivalente, tem qualidades para jogar como guard ou do lado oposto ao recuperado Russell Okung. A faceta em que ele é mais forte é como run-blocker, o que seria um auxílio precioso para Marshawn Lynck e Cª.

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Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.