New Orleans Saints: A Temporada à Lupa

Paulo Pereira 12 de Fevereiro de 2014 Análises, NFL Comments
New Orleans Saints

New Orleans Saints: A Temporada à Lupa

Maior Surpresa

Várias e quase todas com algo em comum: a defesa. A inclusão de Rob Ryan como novo coordenador da unidade, bem como a mudança para o esquema 3-4, foram elementos suficientes para transformar radicalmente a unidade, que tinha sido desastrosa em 2012. A metamorfose foi surpreendente, porque a defesa deixou de ser o patinho feio da equipa e a anedota da competição, para se alcandorar ao top das melhores unidades da prova, factor crucial em algumas das vitórias da franquia, em 2013. A energia e os inovativos esquemas tácticos introduzidos por Ryan permitiram uma alavancagem na qualidade, com o epicentro nas fantásticas exibições de Cameron Jordan, defensive end. Merecendo igualmente reconhecimento, pelas performances globais, Júnior Galette, outside linebacker, o rookie Kenny Vaccaro e Keenan Lewis, a melhor aquisição da equipa na free agency de 2013.

Maior Desapontamento

Serão os Saints uma equipa de dome? Terá a franquia de New Orleans esse estigma? Estas dúvidas pontuaram a temporada dos Saints. Dominadores em casa e medíocres (com raras excepções) fora dela. As derrotas na estrada foram apontadas como mácula numa equipa que se pretendia afirmar, depois do bounty gate, como putativa candidata. As derrotas frente a Jets e Rams deixaram uma pálida imagem, enfraquecendo a que perdurava, proveniente das actuações caseiras, onde um show de ataque furioso marcava os jogos. Apenas nos playoffs, quando tinham assestados sobre si todos os holofotes, é que os Saints obtiveram um saboroso triunfo, vencendo on the road os Eagles. Baquearam, logo de seguida, frente aos Seahawks, mas conseguiram afastar o espectro de equipa que não sabe lidar com os elementos, por algum tempo.

Maior Necessidade

Dois “buracos” saltam de imediato à vista, na posição de cornerback (pela lesão de Jabari Greer) e na linha ofensiva, devido à situação de free agents de alguns elementos. Quanto à primeira necessidade, foi visível, durante grande parte da temporada, que existia um diferencial entre Keenan Lewis e os restantes membros da unidade. Uma nova incursão na free agency deste ano, pescando um corner similar a Lewis, seria a cereja no topo do bolo, blindando a secundária. Na OL, Zach Strief (right tackle) e Brian De La Puente (center) são unrestricted free agents. A sua saída obrigará sempre a uma reacção dos Saints no mercado ou, em alternativa, numa confiança cega nos seus backups (Bryce Harris e Tim Lelito).

MVP

Drew Brees ou Jimmy Graham? Brees conseguiu mais uma excelente época, ultrapassando pela 4ª vez na sua carreira a mítica marca das 5000 jardas (precisamente 5162). Tudo o que ele alcançou, desde as referidas jardas, passando pelos touchdowns (39), percentagem de passes completos (68,6%), rating (104,7), intercepções (12), cabem no top-3 das suas melhores temporadas, desde que aterrou em New Orleans. Jimmy Graham não lhe ficou atrás, em números bem gordos nas estatísticas, mas Brees prevalece, pela importância visível que tem na produção da equipa.

Posição a Posição

Quarterbacks

Drew Brees é o melhor jogador da equipa. Isso diz tudo quanto à segurança na posição. Brees pertence a um restrito grupo de quarterbacks, de pura elite. O seu único senão é o estigma fora de portas. Em casa, currículo elucidativo: 27 TDs e 3 INTs. Fora de casa: 12 TDs e 9 INTs. A equipa está bem servida com ele, para os anos vindouros.

Running Backs

Um grupo forte, repleto de talento, complementando-se uns aos outros, com skills variáveis…mas inconsistente. E frustrante. Pierre Thomas, Darren Sproles, Mark Ingram e Khiry Robinson tiveram momentos brilhantes, ao longo da temporada, temperando-os com outros menos positivos. Mas, nos playoffs, no jogo frente ao Eagles, o jogo corrido foi o dínamo na vitória, com Ingram e Robinson a revezarem-se para colocar as fragilidades do adversário à vista. Mesmo na derrota frente aos Seahawks, excepção ao custoso fumble de Mark Ingram, o jogo corrido deu encorajadores sinais, provando que o futuro está garantido na posição.

Wide Receivers

Um novo nome entrou no léxico dos fãs dos Saints: Kenny Stills, rookie, com momentos fantástico no ano. O grupo tem talento e qualidade que dá e sobra, com Marques Colston, Lance Moore e Robert Meachem a serem importantes, ao longo da temporada. É, conforme se constata, um ataque de luxo, quer no jogo corrido, quer no aéreo, com Brees a deliciar-se com a quantidade de alvos à disposição.

Tight Ends

Jimmy Graham foi um monstro, nas semanas 1 a 5, mantendo uma elevada produção, que abrandou depois devido a uma lesão num pé. Teve um ou outro jogo menos conseguido, como nos embates frente a Patriots e Seahawks, mas é um atleta notável e que constitui um quebra-cabeças para qualquer defesa. Um dos melhores na posição. O seu backup, Ben Watson, foi sólido, especialmente como blocker. A única dúvida que atormenta a offseason é saber qual o final na novela de Graham, que poderá receber a franchise tag, face à sua condição de free agent.

Linha Ofensiva

Alguma inconsistência e irregularidade, no início da temporada com os linemen interiores, que depois acabaram por terminar a época em bom estilo. A posição de left tackle foi uma das novelas do ano, com Charles Brown a ser afastado em Dezembro, pelo neófito Terron Armstead, que teve um jogo inaugural de pesadelo, contra os Panthers, cedendo 3 sacks. Depois disso, no entanto, o jovem mostrou sinais de franca melhoria, podendo vir a ser um dos destaques no futuro próximo. Não sendo uma unidade de elite, a OL acabou 2013 com nota positiva.

Linha Defensiva

Por falar em unidades de elite, que tal a linha defensiva? Soberba, na maior parte do tempo, capitaneada por Cameron Jordan, que realizou uma temporada, a todos os níveis, magnífica. Brodrick Bunkley, a partir de meio da época, mostrou enorme presença contra o jogo corrido, tal como Akiem Hicks, o outro integrante do trio da frente. O pass rush dos Saints excedeu as expectativas iniciais, contando com forte contributo de Júnior Galette. Este, primariamente OLB, jogou muitos snaps como defensive end, ajudando a aterrorizar as OLs contrárias.

Linebackers

O veterano Paryl Haralson foi um sólido contribuidor, tal como Curtis Lofton e David Hawthorne, importantes na recta final da regular season. O grupo, que contou com Galette, necessita de um outro OLB que auxilie o pass rush, de forma regular, mas foi uma unidade consistente, crescendo com o decorrer dos jogos na defesa contra a corrida.

Secundária

A defesa nº 2, contra o passe. Quantos sonhariam com isto, no início da época? Nem os mais optimistas admitiriam um cenário destes, mas a realidade veio mostrar que, com a inclusão de algumas peças novas e um novo coordenador, tudo é possível. Keenan Lewis, resgatado aos Steelers na free agency, foi um shutdown corner, capaz de secar por completo a maioria dos top receivers que lhe apareciam pela frente. Na derradeira linha de defesa, Kenny Vaccaro e Jabari Greer foram excelentes, antes de terminarem a temporada com lesões. O único spot problemático é mesmo o de left cornerback, onde um titubeante Corey White terminou a época a titular. Mas, no computo geral, a profundidade do sector foi apreciável.

Special Team

A mess. Troca de kickers, com o recém-entrado Shayne Graham a falhar dois field goals em Seattle, num jogo crucial de playoffs. No meio do caos, Thomas Morstead foi bom, cumprindo com qualidade o seu trabalho, enquanto os retornos não produziram qualquer tipo de ameaça consistente.

Coaching

A contratação de Rob Ryan revelou-se crucial, para a reviravolta na defesa. Sean Payton, de regresso ao banco, manteve a bitola que lhe era reconhecida: a de excelente playcaller. Está tudo dito.

Inspirado no original de Mike Triplett | ESPN.com

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.