New York Giants: A Temporada à Lupa

Paulo Pereira 25 de Fevereiro de 2014 Análises, NFL Comments
New York Giants

New York Giants: A Temporada à Lupa

Maior Surpresa

Um dos piores início na história da franquia. 0-6. Tudo começou com uma derrota frente aos inimigos figadais de Dallas. Dolorosa, mas entendível. Jogo inaugural da época e nada de preocupante. Depois, no Manning Bowl, perder em casa frente a Peyton e à sua armada fortíssima não aumentou os níveis de preocupação. Ainda havia muito tempo para recuperar. O alarme soou na week 3. Algo estava mal. Foi desnudado pelos Panthers que, nos primeiros 15 minutos de jogo, conseguiram 6 sacks. A derrocada dos Giants, fortemente penalizados por 38-0, mostrou que os índices competitivos da equipa tinham atingido o patamar mínimo de sustentabilidade. Foi assim, com apenas 3 semanas decorridas, que se percebeu que a temporada de 2013 tinha acabado para a franquia de Nova Iorque. Os erros, esses, apenas se avolumaram. Os Giants acabaram por vencer alguns jogos, mas a época foi um desastre, com um ataque patético e o seu quarterback transformado numa máquina de produção de turnovers.

Maior Desapontamento

Eli Manning. Podem dizer que a culpa não foi só dele. Facto. Que a linha ofensiva colapsou, incapaz de lidar com o grau de exigência requerido na NFL, actualmente. Facto. Que o jogo corrido nunca revelou capacidade para ganhar jardas, apanhar blitzes e ser um instrumento de alívio da pressão sobre o QB. Facto. Que Hakeem Nicks, o putativo receiver nº 1 da equipa, foi ineficaz. Facto. Mas qual foi a forma de Manning lidar com tantas adversidades? Jogar mal. Perdão. Jogar horrivelmente mal. Eli Manning liderou a liga num ranking em que nenhum quarterback quer estar na liderança. Nas intercepções. Foram 27. Juntou a essas, que já eram o máximo da sua carreira, com a mais baixa percentagem de acerto, nos últimos 6 anos. E, para finalizar, não chegou aos 20 passes para touchdown. Ano para esquecer, por parte do quarterback que nos habituou a momentos de magia nas grandes decisões.

Maior Necessidade

Linha ofensiva. Já era um sector referenciado, antes do início da temporada. Depois, com esta em andamento, a OL teve que suportar as lesões, e consequente perda, de David Baas e Chris Snee. Will Beatty, o actual left tackle, acabou a temporada na enfermaria, com uma perna partida. Isso aumenta bastante o grau de necessidade para a unidade. São precisos vários jogadores, com calibre de starters desde o 1º dia. A OL não é uma necessidade. É uma prioridade.

MVP

Defensive end Justin Tuck. Numa equipa que, na globalidade, foi uma tremanda desilusão, a performance de Tuck destaca-se claramente. Ele foi parte integrante na run defense, que foi excelente durante todo o ano, tendo ainda coleccionado 11 sacks (mesmo que este número tenha sido inflaccionado pelos 6 que conseguiu, nos dois embates contra os Redskins). Tuck destacou-se igualmente como um dos líderes da equipa, exemplo de dedicação e abnegação, jogando aleijado e mostrando disponibilidade para jogar em várias posições na linha. Menção honrosa para Antrell Rolle (safety) e para o veterano vindo dos Panthers, o middle linebacker Jon Beason.

Posição a Posição

Quarterbacks

27 intercepções e 18 touchdowns. Os números são elucidativos do ano horribilis de Manning, provavelmente o pior de sempre na sua carreira. Turnovers e demasiada inconsistência no seu jogo que, em condições normais e noutra franquia, teriam merecido uma passagem pelo banco. In Eli we trust é o lema dos Giants, que sabem o real valor do QB. Para além dele, não existe nada mais. O rookie Ryan Nassib é um projecto a longo prazo, não tendo merecido qualquer snap na temporada.

Running Backs

André Brown regressou, depois da grave lesão na perna e conseguiu, em metade da temporada, alguns jogos sólidos. O problema é que, no cômputo geral, os seus números não foram entusiasmantes, com apenas 3,5 jardas por corrida. Terminou a temporada sentado no banco, após um fumble que levou Tom Coughlin ao desespero.David Wilson trazia algum hype de 2012, mas resvalou para a inconsistência, quando o lugar parecia seu. Passou pelo banco, igualmente, e terminou prematuramente o campeonato, por lesão, após a semana 5. Os Giants viraram-se para soluções de recurso, trazendo praticamente das ruas Brandon Jacobs e Peyton Hillis. Estes, pese um ou outro flash de qualidade, nunca foram a resposta que a equipa necessitava. Tal como no posto de quarterback, a época foi uma confusão no jogo corrido.

Wide Receivers

Hakeem Nicks, que estava em ano final de contrato, foi pedestre, não conseguindo um único touchdown. O Mr. Salsa, Victor Cruz himself, jogou a um nível aceitável, mas não marcou nenhum TD, após Setembro. Os Giants usaram a profundidade da unidade, com Jerrel Jernigan a mostrar qualidade, em substituição de Cruz, nos 3 últimos jogos do ano, enquanto Rueben Randle, que os Giants esperam seja o substituto de Nicks, nunca foi confiável, demasiado irregular nas suas exibições. Esperam-se reforços em 2014, sobretudo porque Nicks atinge o mercado de free agents e não deverá regressar.

Tight Ends

A unidade não fugiu à regra das outras pertencentes ao ataque, falhando em elevar o jogo e sendo uma quase perfeita nulidade. Os Giants não se têm apegado aos seus tight ends, sempre crentes de que podem facilmente arranjar um substituto. Foi assim com Kevin Boss. Com Jake Ballard. Com Martellus Bennett. E desta feita correu mal, quando escolheram Brandon Meyers, vindo dos Raiders. Este nunca se assumiu como um receiver com talento e, como blocker, foi uma nulidade. Se calhar, depois disto, era tempo de se alterar a estratégia vigente de encontrar jogadores “baratos” para a posição. Manning agradeceria um alvo poderoso.

Linha Ofensiva

A fonte de todos os problemas, cuja fragilidade, que já era evidente no início da temporada, foi aumentada pelo flagelo de lesões. Uma unidade que terá que receber um makeover agressivo, face à debilidade, e que tem que decidir o que fazer com Will Beatty, a quem pagam como franchise left tackle mas não se exibe como tal.

Linha Defensiva

Sólidos contra a corrida, mas fracos a atacarem o quarterback contrário. Apenas 5 equipas na liga tiveram menos sacks do que os Giants, que se quedaram pelos 34.Jason Pierre-Paul é uma sombra do jogador empolgante, enquanto o rookie Damontre Moore apenas foi utilizado maioritariamente no special team.

Linebackers

Jon Beason veio rejuvenescer o sector. O rejuvenescer usado aqui não tem relação com a idade, mas com o incremento que o jogador deu dentro de campo, com energia e capacidade de liderança. Spencer Paysinger foi sólido e até Keith Rivers e Jacquian Williams deram contributo, maximizando a sua produção. Foi um dos melhores sectores da defesa.

Secundária

O melhor sector da unidade defensiva, graças à solidez do duo de safeties (após o regresso de Will Hill, que cumpriu quatro jogos de suspensão) e ao bom desempenho do corner Prince Amukamara. Antrell Rolle foi o jogador mais destacado no sector, bastante consistente contra o jogo aéreo. Terrell Thomas e Corey Webster lesionaram-se, mas isso não enfraqueceu a equipa. Trumaine McBride, o backup de Webster, jogou acima do expectável.

Special Team

Embaraçante será o termo que melhor define a temporada da unidade. O special team foi um dos cancros da equipa, permitindo sempre demasiadas jardas em retornos (bem como 4 touchdowns) e nunca conseguindo dar à equipa uma decente posição no campo, com debilidades evidentes no punting.

Coaching

No meio do caos, o staff técnico até merece bastante apreço. Tom Coughlin nunca deixou a equipa desfazer-se, depois do 0-6 inicial. Perry Fewell leva bastante crédito pela forma como a sua unidade defensiva jogou, que lhe permitiu uma honrosa presença no top-10 da liga. Na parte do ataque, existem desculpas que minimizam os efeitos de uma avaliação adversa: jogadores nucleares lesionados, flagelo de lesões no jogo corrido, etc.

Inspirado no original de Dan Graziano | ESPN.com

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.