NFL Draft 2015 Wish List 1

Paulo Pereira 22 de Abril de 2015 Draft, NFL Comments
NFL Draft 2015

NFL Draft 2015 Wish List 1

Falta pouco. Tão pouco. É um dos meus momentos preferidos na offseason. O draft. O espectáculo Hollywoodesco, com pompa e circunstância. O nervosismo que se apodera dos fãs, à medida que Roger Goodell sobe ao palco e desvenda a escolha de cada equipa. Naqueles segundos em que o comissário da NFL caminha para o microfone, o coração palpita. A ansiedade é visível, como se possuísse vida própria. Naqueles curtos passos está encerrado o segredo para o sucesso ou descalabro de cada uma das franquias. A mente do adepto povoa-se de sonhos, desejando que o seu jogador do college predilecto tenha merecido o aval da equipa por quem torce.

A 1ª parte da offseason já voou. Estamos naquele período de acalmia, antes de novo frenesim mediático. A free agency chegou, provocou cabeçalhos e acalmou. As equipas preencheram parcialmente as suas necessidades, atacando de forma agressiva as lacunas. Os Jets, por exemplo, precisavam de cornerbacks. De forma desesperada. E conseguiram-nos. No plural. Darrelle Revis, qual filho pródigo, regressa à cidade que nunca dorme. Com ele, um velho parceiro de aventuras, Antonio Cromartie. E ainda Buster Skrine. Duma assentada, um trio de notáveis defensive backs que risca de imediato a necessidade de escolherem um CB no draft. E agora, qual será o passo dos Jets no dia 30 de Abril? É isso que se pretende desvendar, nas linhas que se seguem. Não só dos Jets, mas de todas as equipas. Por ordem alfabética, eis o panorama actual da NFL

Arizona Cardinals

Maior necessidade: Pass-Rusher
Outras: RB, C, NT

Tem sido como perseguir o Santo Graal. Parece que todas as offseasons os Cardinals têm como missão prioritária arranjarem um pass rusher. Quem os ajudou, no passado, já se foi. John Abraham contribuiu por último em 2013, obtendo 11 sacks aos 35 anos. Sem ele em 2014 por conta duma lesão – que depois se amontoaram noutros jogadores – os Cardinals usaram das blitzes como forma de contornar as dificuldades sentidas. Sem Todd Bowles, que deixou vago o cargo de coordenador defensivo para se tornar o head coach dos Jets, a equipa do deserto resgatou da free agency LaMarr Woodley, antiga estrela nos Steelers, enquanto espera pelo desenvolvimento de Alex Okafor (8 sacks no ano passado), descoberto por Steve Keim em 2013, no 4º round. Um rookie, para servir de elemento rotativo com Okafor, Woodley e Matt Shaughnessy, parece ser uma escolha lógica no 1º round, mas não é de descartar que se prefira adicionar um elemento para a OL ou até mesmo um running back. Os Cards foram a pior equipa no quesito jardas por corrida, com um mínimo de 3.3 jardas. Reforçar o sector, em que o titular Andre Ellington regressa de lesão, com Todd Gurley ou Melvin Gordon não parece má ideia também.

Atlanta Falcons

Maior necessidade: Pass-Rusher
Outras: RB, OL, S

Déjà-vu? Parece repetitivo, mas também os Falcons anseiam por um pass rusher, alguém que lhes traga a necessária dose de agressividade no ataque ao quarterback contrário. Após a saída de John Abraham, para os Cardinals, os Falcons atingiram um dos pontos mais baixos em 2014, quando Kroy Biermann se tornou o líder nos sacks da equipa…com apenas 4,5 na temporada. Com a chegada de Dan Quinn, é previsível que a defesa da equipa vá ter fortes semelhanças com aquela que o mesmo Quinn liderou em Seattle. No sistema 4-3 Quinn tem uma necessidade básica, que é encontrar um LEO defensive end que sirva como principal pass rush. A free agency fez chegar aos Falcons Tyson Jackson (ex-Chiefs) e Adrian Clayborn (ex-Bucs), mas escolhendo no lugar 8 dificilmente a equipa deixará de reforçar o sector, sobretudo numa classe que tem jogadores como Vic Beasley, Randy Gregory, Shane Ray e Dante Fowler.

Baltimore Ravens

Maior necessidade: Wide Receiver
Outras: TE, DE, CB

No habitual sistema de auto-regulação que o salary cap introduziu, é normal e regular ver as franquias despedirem-se de jogadores importantes, devido ao cap space. Os Ravens não foram excepção à regra e perderam Torrey Smith. Olhar para os números dele no ano passado (49 recepções, 767 jardas) dá a ideia de que a sua partida pouco impacto terá. Mas Smith foi o wide receiver que mais pass interference penalties sofreu em 2014, ajudando a equipa com 229 jardas provenientes desses castigos. Sem ele, o ataque aéreo fica totalmente dependente de Steve Smith, já com 35 anos, com o receiver nº 2 na depth chart a ser, actualmente, Marlon Brown, numa situação que está longe de ser a ideal. É prioritário conceder a Joe Flacco mais um alvo e o draft está pejado de jogadores talentosos. O casamento parece perfeito, certo? Not so fast. Nos 13 anos que Ozzie Newsome leva de GM, apenas 4 wide receivers foram escolhidos nas 40 picks que a franquia teve, nos 3 primeiros rounds. Isso revela claramente uma tendência, que é a de não gastar uma pick tão alta num receiver. Este poderá ser o ano de inverter essa tendência, mas não será surpreendente se a escolha recair num jogador para a defesa (front seven ou secundária).

Buffalo Bills

Maior necessidade: Quarterback
Outras: ILB, S, OL

Ano novo, vida nova e eis Rex Ryan aos comandos de novo clube, mantendo-se fiel à AFC East. Os Bills fizeram alguns cabeçalhos na offseason, num esforço para encurtar a distância para o principal rival de divisão, os Patriots. LeSean McCoy e Percy Harvin chegaram e, com eles, a promessa de um ataque bem mais perigoso. No entanto, falta algo para tornar os Bills verdadeiramente assustadores. Para além da consistência, a inexistência de um signal-caller pode ser a diferença entre sucesso e insucesso. Ter o ataque dependente de EJ Manuel ou do veterano Matt Cassell não constitui o cenário ideal, mas também não será neste draft que a equipa suprirá essa necessidade. Não parece credível que os Bills façam um movimento arrojado para conseguir um dos dois únicos quarterbacks que podem fazer a diferença: Jameis Winston e Marcus Mariota. É que os Bills, por força do trade up do ano passado, em que subiram no draft para escolher Sammy Watkins, não possuem uma pick no round 1. Como tal, a maior necessidade ficará por colmatar e as atenções virar-se-ão para outro lado. Para onde? Aposto na OL, que foi uma das piores no ano passado. E a entrada do tóxico Richie Incognito não vem alterar essa necessidade. É crucial uma melhor protecção ao QB e, sobretudo, um apoio efectivo ao running game, para que a contratação de LeSean não tenha sido em vão.

Carolina Panthers

Maior necessidade: Offensive Tackle
Outras: CB, WR, DE, S

Os Panthers são uma das equipas apanhadas naquele vórtice do cap space, obrigada a aturadas contas e engenharia financeira para conseguir cumprir com o limite imposto. O resultado não foi bonito, com a equipa a ter que ficar a assistir à free agency, incapaz de encontrar reforços a preço de saldo. O problema existente em 2014 permanece visível, qual ferida exposta à curiosidade alheia. A linha ofensiva necessita de reforços. Urgentes e para ontem. O left tackle do ano passado, Byron Bell, atingiu o mercado de jogadores livres, não provocando qualquer comoção, tão medíocre tinha sido a sua temporada. Dave Gettleman, o GM, foi obrigado a improvisar com o que tinha. E o que tinha era pouco. Assim, não foi de estranhar que tenham chegado à equipa dois dos piores offensive tackles da liga, na figura de Jonathan Martin e Michael Oher. Se estes forem, juntamente com Nate Chandler, os tackles disponíveis quando a temporada começar, Cameron Newton não poderá dormir sossegado. É por isso que a pick do round 1 será, obrigatoriamente, um tackle. Aposto nisso o salário que recebo por escrever estas linhas.

Chicago Bears

Maior necessidade: Defensive Line
Outras: LB, CB, S, WR

A defesa dos Bears foi má. Mas mesmo má, nos dois últimos anos, vegetando nos últimos lugares da liga. De cara lavada, com novo general manager e staff técnico, a franquia de Chicago arregaçou as mangas. E promete fazer estragos. Para isso o GM Ryan Pace terá que fazer um upgrade na defesa. A offseason já deu essas indicações, com escolhas que possam ser encaixadas no 3-4 que Vic Fangio irá coordenar. Pernell McPhee, Mason Foster e Ray McDonald chegaram, acompanhados por Antrel Rolle. As contratações dão maior consistência ao front seven, mas será inteligente mesclar a veterania existente com sangue novo vindo do draft. Danny Shelton, por exemplo, parece ser a peça indicada para o posto de nose tackle, podendo suplantar a curto prazo Will Sutton na equipa titular. De resto, mesmo com a vinda do ex-Giant Rolle, haverá novidades para a secundária. A profundidade no corpo de cornerbacks não é a mais indicada, depois do duo titular, Kyle Fuller e Tim Jennings.

Nota: Wish list inspirada no original de Bill Barnwell, no sempre excelente site Grantland

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.