Os 10 Piores Prognósticos na História do Draft

Paulo Pereira 6 de Maio de 2014 Draft, NFL Comments
JaMarcus Russell Draft

Os 10 Piores Prognósticos na História do Draft

Let’s look at the trailer. Recordam-se disto? Não? Foi uma das criações mais brilhantes da mente inquieta de Herman José, trazendo-nos um Lauro Crómio, verdadeiro estereotipo do crítico de cinema. E o que tem isso a ver com o artigo que se segue? Absolutamente nada, a não ser a ténue ligação ao mundo audiovisual. Sim, já a seguir, vamos ter direito a uns vídeos, espécie de tesourinhos deprimentes. Sobre quê? Já lá vamos…

O draft está aí à porta. É a época do ano, na offseason, mais adorada pelos adeptos de futebol americano, verdadeiro oásis no deserto de 7 longos meses sem competição. É no draft, no seu cenário Hollywoodesco, que reside muita da magia da NFL. É o verdadeiro espaço de transição, uma passagem de testemunho, que permite a quem sai do College um livre-passe para o mundo adulto. É um ritual, quase um baile de debutantes, onde os jogadores são, muitas vezes, apresentados em 1ª mão aos seus pretendentes. O período que precede o draft é absolutamente delirante, com centenas de analistas, scouts e treinadores a debitarem sentenças, criando listas, mocks e expectativas para o que se segue.

Quem anda nestas vidas há mais tempo aprendeu a respeitar opiniões alheias, criando uma lista de reputados analistas/jornalistas/opinadores. Compreende-se. São eles que fazem disto profissão, analisando de forma intensa os prospects que vão para o draft, esmiuçando as fraquezas, investigando horas e horas de jogos. Merril Hoge. Todd McShay. Mike Mayock. Mel Kiper. Matt Miller. Uns mais do que outros são nomes reconhecidos, com análises devoradas por milhões, opiniões respeitadas e defendidas de forma intransigente por um séquito de seguidores. Mas, em algum momento da vida profissional, eles “meteram o pé na poça”. A NFL não é uma ciência exacta, tornando o vaticínio de sucesso ou insucesso de um jogador um mero exercício de adivinhação. Todos eles têm momentos que gostariam que não tivessem acontecido. Como eu, que após o draft de 2013 pressagiei, arvorado em expert e dominado por intensa excitação, que os “Vikings seriam Super Bowl contenders”. Ainda hoje sou jocosamente relembrado disso, por um amigo de peito a quem iniciei nestas andanças da NFL. Os amigalhaços do Yardbaker compilaram aquilo que consideram as piores gaffes no pré-draft. Momentos hilariantes, previsões desastrosas e momentos embaraçosos. Há de tudo…

1. Mel Kiper Compara JaMarcus Russell a John Elway

“JaMarcus Russell is going to immediately energize that Raider nation,” disse o guru dos drafts, cujas analyses e mocks podem ser lidos (apenas disponível a assinantes) na página da ESPN. Jamarcus, se se recordam, por escolhido com a pick nº 1 em 2007 e tornou-se um dos maiores logros da história da competição.

2. Todd McShay Afirma que Blaine Gabbert é Melhor do que Cam Newton

Yeah, right! Gabbert, depois de 3 anos horríveis em Jacksonville, mereceu agora uma segunda (remota) oportunidade nos 49ers. Mas comparar a performance dele com a de Newton, que vem de uma campanha vitoriosa na divisão e liderança dos Panthers aos playoffs, mostra o quão ridícula foi a previsão.

3. Mel Kiper Afirmou que Ricky Stanzi Seria o Mais Bem Sucedido dos Quarterbacks da Classe de 2011

(Este não tem video que comprove a veracidade da afirmação]. Segundo rezam os rumores, Kiper terá feito a arrojada declaração logo após a escolha de Stanzi, pelos Chiefs, no 5º round. A classe de 2011 não entrará para a história por ter talento acima da média, mas produziu para já Cam Newton e Andy Dalton. Três anos depois , Stanzi ainda não viu a sua carreira começar, permanecendo agora nos Jaguars, como backup. Ainda lhe falta o básico: lançar o seu 1º passe na NFL.

4. Mike Mayock Avalia Mark Sanchez à Frente de Matthew Stafford

Em 2009 a escolha nº 1 do draft foi Matthew Stafford, draftado pelo Lions, sequiosos de encontraram o tão desejado franchise quarterback. Mayock, um dos nomes mais respeitados nos media americanos, colocou Mark Sanchez à frente de Stafford, no seu big board. Porquê? Deixo o discurso directo do analista. Priceless.

I think the safest pick is Sanchez.  Sanchez has a very good arm that I would compare his arm to Matt Ryan. And he’s got the best accuracy and footwork amongst the three.
I’ve been very positive on all three of them and I like all three of them. But I wouldn’t bang the table for any of them like I did for Matt Ryan last year. Matt Ryan was my number one guy on the board all year long.

But amongst those three Freeman reminds me of Joe Flacco both on and off the field. And I think if I had to pull the trigger in the top 10 pick with a quarterback I would take Sanchez because I would feel like his floor is higher than the other guys.

Destaco: A melhor precisão e a capacidade de desenvolvimento ser melhor do que os outros. [espaço para introduzirem piadas em relação a Sanchez]. [novo espaço para graçolas, com destaque para o buttfumble]. Agora que já acabou o momento de humor, 5 anos depois Sanchez doi dispensado pelos Jets e resgatado por Chip Kelly para os seus Eagles. Stafford, esse, lançou sempre mais de 4600 jardas nas últimas 3 temporadas.

5. Mel Kiper Prevê que Mike Williams Será um Hall of Famer

Não confundam este Mike Williams com o que agora foi para os Bills, vindo dos Bucs. Não que este seja um WR merecedor de grandes encómios, mas pelo menos ainda se mantém na liga, algo que já não pode ser dito do outro Mike Williams. Kiper disse, a outro guru analista, Merril Hoge, que via perfeitamente Williams numa cerimónia do Hall of Fame, enamorado que estava das qualidades do receiver vindo de USC. Mike Williams, um WR fisicamente parecido com Anquan Boldin, nunca conseguiu realizar nada de notável, nos anos que permaneceu na NFL. A sua carreira, intermitente, chegou a ter uma 2ª oportunidade, dada pelos Seahawns em 2010, também fadada ao insucesso.
Kiper não precisou de chegar a 2010 para assumir o fracasso do prognóstico:

Williams was one of my worst evaluations ever. His career is not over, but he’s with his third team (Tennessee Titans) in as many seasons. Someone has to light a fire under Williams, who has been a huge underachiever in the NFL. I thought he was the best player in the 2005 draft, but he wouldn’t justify a fifth-round pick in this year’s draft.

6. Mel Kiper “Desanca” os Colts por Terem Draftado Marshall Faulk, ao Invés de Heath Suler ou Trent Dilfer

“That’s why the Colts are picking second every year in the draft,” disse, “not battling for the Super Bowl.”

Pois. Para quem é neófito nestas andanças e não sabe quem foi Marshall Faulk (shame on you), aconselho a rápida digitação do nome no Google. E perceberão porque é que Mel Kiper, se pudesse voltar atrás no tempo, gostava de apagar este momento.

7. Mel Kiper Afirmou que Wes Welker não Merecia uma Pick de 2º Round

“I don’t care how much you like his work ethic,” afirmou, “he has done nothing to show a value that high.”

Desde 2007, goste-se ou não do receiver que agora está nos Broncos, Welker tem mais recepções do que qualquer outro jogador…por uma larga margem.

8. Todd McShay Apelidou a Decisão dos Jets de Escolherem Sheldon Richardson “a Real Head-Scratcher.”

Esta é recente. É do ano passado. Head-scratcher? Só se for a afirmação de McShay! A temporada rookie de Richardson foi excelente, adaptando-se na perfeição ao esquema táctico dos Jets e formando uma dupla tremenda com Muhammad Wilkerson.

9. Mel Kiper Colocou Jimmy Clausen como o 4º Melhor Jogador no Draft de 2010

“I had him as the fourth-best player,” afirmou Kiper, depois de Clausen não ter saído no round 1 do draft.  “That’s my rating. That’s my opinion, and I’ll stand by it. We’ll see what happens three years from now.”

Clausen nunca viveu para as expectativas geradas, vivendo na borda do reconhecimento dos adeptos e lutando para conseguir fazer um roster como third-stringer. Quatro anos depois, a carreira dele na NFL parece ter terminado.

10. Nolan Nawrocki Estraçalha o Carácter de Cam Newton’s e Apelida-o de Bust

Eu era um seguidor fiel do  Pro Football Weekly . Para além do site ser abundantemente informativo sobre a actualidade da NFL, criavam quinzenalmente uma revista, passível de ser descarregada em pdf (mediante pagamento), sempre bastante actual e com óptimas crónicas/artigos. A PFW já não existe, mas para a história ficam as análises de um scout que rapidamente atingiu o estrelato. Nolan Nawrocki era uma espécie de scout do “contra”. Se a opinião unânime sobre o jogador A é que ele era bom, Nawrocki dissertava que ele era mau. Cam Newton foi uma das infames vítimas do humor bipolar dele, amalgamado na análise pré-entrada na NFL. Entre outros mimos sobre o carácter do jogador (em defesa de Nawrocki, o tempo universitário de Newton foi tudo menos pacífico, com algumas red flags), o rótulo de bust é ainda hoje recordado. Talvez Cam Newton pense nisso também, sempre que marca um touchdown e faz a mímica do Super Homem. Duas vezes convocado para o Pro Bowl e já com uma assinalável lista de recordes, eis o “bust” em acção. Eis parte do relatório:

Can provide an initial spark, but will quickly be dissected and contained by NFL defensive coordinators, struggle to sustain success and will not prove worthy of an early investment. An overhyped, high-risk, high-reward selection with a glaring bust factor, Newton is sure to be drafted more highly than he should and could foreclose a risk-taking GM’s job and taint a locker room.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.