Power Rankings 2013: A Análise Week 3

João Morão 27 de Setembro de 2013 NFL, Power Rankings Comments
Power Rankings Week 3

Power Rankings 2013: A Análise Week 3

Para quem não sabe os Power Rankings são a classificação teórica que se dá às equipas antes de a época começar. Isto é, em função de como as equipas se reforçam na Free Agency e no Draft e em função de como se comportam nos training camps e na pre-season, vai-se alterando o ranking da equipa, podendo ficar mais forte ou mais fraca por saídas e lesões. Depois dos Power Rankings da pré-epoca, todas as semanas se vão atualizando os Power Rankings em função das derrotas e vitórias das equipas ao longo das jornadas do campeonato.

A cada três semanas vamos trazer aos leitores deste blog as actualizações das subidas e descidas dentro dos Power Rankings, comparando as equipas que sobem e descem sempre contra a nossa análise anterior. Começamos a analisar os Power Rankings na Week 3 versus os primeiros Power Rankings editados antes de ter começado o campeonato.

Em frente para o primeiro grupo:

1º O Grupo da Frente – Território: Paradise

Super Bowl Contenders – A invencível Armada!

Super Bowl Contenders – A invencível Armada!

Análise: Em apenas 3 semanas muito mudou no grupo da frente. As grandes alterações são as subidas meteóricas dos Saints, dos Bears, dos Dolphins e especialmente dos Kansas Chiefs que subiram 19 (!) lugares. Num curto espaço de tempo estas equipas conseguiram passar de uma época sem história para super bowl contenders. Os Saints aliaram ao seu forte ataque uma surpreendente defesa e começaram a ganhar jogos a torto e a direito. Os dois próximos jogos contra Miami e Chicago vão definir a fibra da equipa e definitivamente esclarecer se já estão de volta à disputa do título ou se esta primavera é sol de pouca dura. Exactamente o mesmo se pode dizer para os Bears, com a diferença que já tinham uma boa defesa e parece que finalmente encontraram em Jay Cutler um QB motivado que lhes está a dar vitórias. Também o ano passado eram uma equipa que, passada mais de meia época, levava uma enorme dinâmica de vitória, mas que estoirou com estrondo nas últimas semanas e privou os fãs de Chicago de ver a sua equipa nos play-offs. Creio que, neste aspecto, pelo menos aprenderam com os erros do ano passado.

Depois, Miami e Kansas. Miami, com um calendário mais difícil e com uma equipa de menor qualidade, nas próximas semanas vai sair deste primeiro grupo dos Power Rankings. Inversa será a situação dos Chiefs, com um calendário fácil e com uma boa equipa a defender e atacar e com Alex Smith a não dar o show de turnovers que os destruíram o ano passado. Estão cá para ficar.

Finalmente o grupo dos suspeitos do costume que devem andar cá por cima todo o ano. Nos Patriots Tom Brady já percebeu que não é a amuar por ter a equipa sem receiver que lá vai. E decidiu meter as mãos à obra com o que tem (apesar do que tem… tem largado muitas bolas) e a equipa está a funcionar bem. Com as entradas do lesionado Gronkowski, entre outros, a equipa terá apenas espaço para melhorar. Em Cincinatti tudo em velocidade de cruzeiro, com Bernard a despontar como Running back. E em Denver têm autenticas máquinas de atacar, numa equipa que teima em bater records e praticar o melhor futebol de toda a liga. Ou seja: nada de novo. Uma menção honrosa para os Colts. Com Andrew Luck a colocar o segundo degrau na sua caminhada para o Hall of Fame, entrou na equipa Trent Richardson e abriu tantas opções que tornou a equipa um claro contender.

O primeiro lugar dos Power Rankings volta para Seattle. O que nesta fase quer dizer muito pouco. Apenas que a equipa, sem espetacularidade, tem jogado com consistência, assente no bom running game de Lynch. O verdadeiro teste começa agora, com as deslocações aos Texans e aos Colts. Dois fortes contenders que vão testar a historicamente má fiabilidade da equipa fora de casa. Se ganharem os dois jogos, depois então sim falamos. Até lá, têm muito que provar. Repito: têm muito que provar! Ouviram!? Desculpem, mas é difícil escrever sobre esta equipa sem apanhar com a barulheira dos fãs!

2º O Grupo do Meio – Território: Middle Earth

No meio pode estar a virtude. Potenciais Surpresas (Para o bem e para o mal)

No meio pode estar a virtude. Potenciais Surpresas (Para o bem e para o mal)

Análise: escrevemos no princípio do ano que neste grupo ficariam a morar as surpresas, para o bem e para o mal. Descontando Green Bay, que está aqui apenas por ter jogado em San Francisco e em Cincinnati nas três primeiras semanas e que rapidamente vai morar outra vez no grupo de cima, onde vai trocar posição com os Miami Dolphins. Vamos então ao grupo das más surpresas: primeiro os Ravens, a sentir a esperada ressaca do Super Bowl, devem ficar por estas profundidades o resto do ano. Assim como a equipa de Carolina, que mais uma vez não deve subir nem descer muito. Depois os Falcons, com jogos fora mal conseguidos, abalaram em muito o seu estatuto de contenders. Pois se Ryan, White, Jones e companhia não começam a ganhar fora, mais vale deixarem de pensar nos play-offs. A NFL não tolera equipas macias, mesmo que estejam recheadas de talento. Também em vertente negativa os Texans. Como é possível a equipa mais equilibrada da NFL, quer na defesa quer no ataque, estar a descer desta maneira? A resposta está na inconsistência de Matt Shaub e nos turnovers que lhes têm custado jogos. Mas mesmo assim, para mim continuam a ser a melhor equipa da AFC.

Claramente negativo o arranque dos 49ers e as razões para mim são duas: por um lado a regressão e insegurança de Kaepernick, que precisa de mais estabilidade emocional para crescer como excelente QB que é. Nota-se que é daqueles jogadores que, se as coisas começam a correr mal, dificilmente responde. Agora, se começam a correr bem, é imparável. Mas mais importante no mau arranque dos 49ers é a falta de profundidade do roster. Dou como exemplo a defesa: numa equipa que por jogo tem em rotação média de apenas 12 jogadores, qualquer jogador que falte tem um peso brutal no desempenho colectivo da equipa. E as lesões e problemas para aqueles lados têm sido mais que muitos.

Depois as potências surpresas: os Titans e os Chargers estão claramente overrated e cedo vão baixar às profundezas dos Power Rankings. Já os Cowboys começam a ser um caso sério. Com Tony Romo a jogar muito bem, numa equipa recheada de vedetas (Witten, Ware, Bryant) a jogar bem. Cuidado com eles, pois cada vez mais se afiguram como a equipa da NFC East que vai acabar nos play-offs. A não ser que na ultima jornada… Os fãs dos Cowboys sabem bem o que eu estou a dizer.

3º O Grupo de Trás – Território: The Wastelands

Renegados à procura da terra prometida

Renegados à procura da terra prometida

Análise: Neste grupo existem já renegados que foram corridos da terra prometida. Os Redskins, com um início de época horribilis, onde um RGIII joga como um jogador ainda com problemas no joelho e sem ter pré-epoca. Ou seja, devagar e mal. Numa equipa que parece que se esqueceu de defender. Todos os especialistas de Marketing sabem que quando o produto promete muito e depois é fraco, existe muita experimentação mas depois não há recompra. É o que se passa em Washington, o excesso de entusiasmo toldou a todos o óbvio. Muito negativa a prestação dos Vikings. Já sabíamos no início da época que não tinham secundária e têm sofrido muito por isso. O que não sabíamos no princípio da época é se teriam em Ponder o seu QB. A resposta a esta pergunta começa a ser clara: não têm QB. A reconstrução desta jovem equipa terá que passar também pela posição mais importante da equipa. É bom que comecem a pensar nisso. Por falar em equipas muito jovens a cair em desgraça, lembrei-me dos Rams, que também estão por estas latitudes. A equipa de St Louis é uma prova de que só juventude sem uma ponta de equilíbrio em experiência perde jogos. É o que lhes está a acontecer.

Se à baixa produção dos Rams juntarmos a também fraca produção dos Cardinals, começamos a sentir que o anunciado duelo titânico dentro da NFC West começa a perder gás e interesse. Afinal, as equipas continuam fracas e cheias de defeitos. Bruce Arians que o diga, depois de ter sido passado a ferro por Nova Orleans, percebeu que Carson Palmer também não é Kurt Warner. Fica a minha sugestão para os Cardinals: deixem-se disso e vão mas é ao draft tratar do assunto SFF.

Nota positiva para os Bills e os Eagles, duas equipas que estavam claramente under-rated nos power rakings anteriores e que podem facilmente fazer surpresas em qualquer campo. Na altura em que ganharem consistência, poderão ser efectivamente perigosas. Finalmente, uma nota claramente positiva para os Jets. Rex Ryan tem a equipa a jogar e a ganhar! A defesa tem tido um bom comportamento e o inconstante Geno Smith tem conseguido ligar-se com os seus wideouts. Este facto, aliado à péssima prestação dos Giants em NY, pode até trazer uma época calma e descansada para o treinador dos Jets. Quem diria? Se isto continua assim eu numa próxima crónica escrevo um pedido de desculpa aos Jets pelo (muito) mal que falei deles. Fica a promessa!

4º O Grupo do Fim – Território: The Killing Fields

Welcome to American Football Hell!

Welcome to American Football Hell!

Análise: Falamos primeiro das desgraças: os Jaguars e os Raiders. Começaram aqui e aqui estão. Ainda que atenção aos Raiders, com um Terrelle Pryor e Darren Mcfadden a subir de forma, pode ser que comecem a olhar para outras alturas. Pelo contrário, Jacksonville continua sem QB e o running game de M. Jones Drew contínua sem grande efectividade. Não é surpreendente que continuem em último.

Finalmente as desgraças absolutas. Os Giants, Tampa Bay e especialmente os Steelers. Quem diria que tanto investimento e tanta aspiração acabassem num trambolhão tão grande na terceira semana! Eu não diria possível. Mas atenção, continuam a ser 3 equipas de grande qualidade que, se acordam com raiva e puxam dos galões, podem ainda ter uma palavra a dizer esta época.

Os próximos Power Ranking seguem dentro de 3 semanas.

About The Author

João Morão

As causas são múltiplas: Primeiro em 1998 colocado pela minha empresa na Alemanha, passei alguns fins-de-semana a jogar flag futebol numa base militar americana maioritariamente com a boa gente de Seattle. Desta altura vem o gosto. Depois em 2005 em Jackson Hole (Wyoming) assisti em directo à transmissão do Super Bowl XL dos meus Seahawks contra os Steelers. Foi um jogo de má memória e de pior arbitragem que me deixou um amargo permitido apenas pela perda de algo de que gostamos muito. Desta altura vem a militância. Finalmente: A desilusão e desgaste causado pelas assimetrias, manobras, golpadas e falta de fair-play do soccer, viraram-me definitivamente para um desporto mais justo, mais sério, mais competitivo, mais brutal (é certo), mas de maior entrega e de incomparavelmente maior emoção: O Futebol Americano. Nas horas “vagas” sou pai de 4 filhos (Um deles é dos Giants vai-se lá saber porquê!?).