Washington Redskins Draft Grade

Paulo Pereira 16 de Maio de 2014 Draft, NFL Comments
Washington Redskins

Washington Redskins Draft Grade

Foi bom, não foi? O draft. A expectativa. A ansiedade. A frustração, quando a pick da nossa equipa não correspondeu aos anseios gerais. O espectáculo. A envolvência. O cheirinho a competição, quando ainda faltam 4 longos meses. Mas acabou. Num ápice, o draft de 2014 veio, fez-se e desapareceu. Deixou, no entanto, atrás de si um imenso rasto de sensações palpitantes. Tanto para analisar e compreender.

Os Washington Redskins, equipa histórica e envolvida agora em polémica, pelo eventual termo pejorativo que carrega na própria definição do nome, era uma das franquias que encarava o draft de forma calculista. Sem possuírem uma pick de primeiro round, reflexo do resgate digno de um rei que pagaram, aos Rams, para poderem escolher Robert Griffin III, faz agora dois anos, tinham que ser inteligentes na abordagem ao mercado, identificando os jogadores pretendidos e rezando para que, de alguma forma, eles sobrassem até às suas escolhas. Bruce Allen, o general manager, tinha uma árdua tarefa pela frente, sabendo que tinha que tornar o roster mais competitivo, depois do desastre de 2013. Será que o conseguiu? De 0 a 20, qual a nota que mereceu, depois dos esforços feitos? Já a seguir, para desvendar…

A Melhor Escolha

Trent Murphy, OLB. O jogador, saído da universidade de Stanford, é destemido, um verdadeiro guerreiro dentro de campo que pode complementar o que de bom tem o front seven dos Redskins. Com Brian Orakpo e Ryan Kerrigan solidamente enraizados na defesa, os Redskins ganham uma nova arma no pass rush. Murphy liderou a NCAA em sacks, no ano passado, e consegui-lo com a pick 47, não sendo um feito enorme, é sempre merecedor de crédito.

A Pior Escolha

Numa equipa em que todas as picks tinham que contar, não faz sentido, pelo menos para mim, desperdiçar uma delas, mesmo que de 7º round, num kicker. A escolha de Zach Hocker tem lógica. E dizer isto não é uma contradição com o que escrevi atrás. A escolha faz sentido porque dará a necessária competição ao titular Kai Forbath, que mesmo vindo de uma temporada boa (35 em 40 em field goals), pode sair beneficiado de uma luta sem tréguas no training camp. Mas, defendendo a minha “dama”, para quê gastar uma pick num kicker que, muito provavelmente, ficaria undrafted, com a equipa a poder depois contratá-lo? Foi o que fizeram inúmeras outras franquias, com kickers e/ou punters, evitando o desperdício de uma escolha no draft.

Escolha Mais Surpreendente

Morgan Moses. Um OT, que deverá ter utilidade para o lado direito da linha ofensiva, não era uma das prioridades da equipa, mas a tentação de escolher o produto made in Virginia no 3º round falou mais alto. É um daqueles casos em que a qualidade do jogador se sobrepôs à necessidade. Moses era um dos prospects mais bem cotados para reforçar quem necessitasse de um tackle, sendo previsível que saísse no final do 1º round ou no decorrer do 2º. Os Redskins devem ter ficado agradavelmente surpreendidos quando repararam que o jogador ainda permanecia lá, por escolher, na pick 66. O atleta é um dos predilectos do analista Mike Mayock, que o comparou inclusive a Phil Loadholt, o right tackle dos Vikings e um dos melhores na posição. Moses irá competir pela titularidade com Tyler Polumbus, podendo almejar a ser starter, numa OL que tem vindo a ganhar consistência, depois da escolha na free agency de Shawn Lauvao.

Nota Final

15 Valores

Excepção à escolha do kicker, gostei do draft dos Redskins, escolhendo talento que pode ajudá-los a lutar pela supremacia na divisão. Para além dos nomes acima citados, a escolha de Spencer Long, OG de Nebraska, de Ryan Grant (wide receiver) e de Bashaud Breeland, corner de Clemson, merecem elogios. Long, mesmo vindo de um torn ACL, é um elemento poderoso que será útil na rotatividade da OL, mas escolhido essencialmente a pensar no futuro a médio-prazo. Breeland também complementará a secundária, que conta com mais um ano de DeAngelo Hall e de David Amerson. Com a presença de EJ Biggers no roster, ficam 4 elementos com solidez e competência para dotarem de armas suficientes um sector nevrálgico em qualquer equipa. Grant, por sua vez, é um daqueles miúdos talentosos, que tem todos os requisitos para vencer na alta competição: óptimas mãos, bom route-runner e skills para lutar por um lugar ao sol. O que, no caso dele, não será fácil. E dizer isto é, acima de tudo, elogiar o bom desempenho dos Redskins na free agency, onde conseguiram Andre Roberts e DeSean Jackson para o corpo de receivers. Acima de tudo, os Redskins parecem ser uma franquia transfigurada, para melhor, com as várias áreas a terem profundidade suficiente para a realização de um bom campeonato. Nota final para o reforço do jogo corrido, com uma aposta válida em Lache Seastrunk, vindo de Baylor, universidade de RG3. A unidade de running backs ficou agora com uma densidade populacional elevada (Alfred Morris, Roy Helu, Evan Royster e Seastrunk), parecendo evidenciar que o ground game será uma forte componente do ataque, em 2014.

Lista de Escolhas

Round 2, Pick 47: Trent Murphy, OLB, Stanford
Round 3, Pick 66: Morgan Moses, OT, Virginia
Round 3, Pick 78: Spencer Long, OG, Nebraska
Round 4, Pick 102: Bashaud Breeland, CB, Clemson
Round 5, Pick 142: Ryan Grant, WR, Tulane
Round 6, Pick 186: Lache Seastrunk, RB, Baylor
Round 7, Pick 217: Ted Bolser, TE, Indiana
Round 7, Pick 228: Zach Hocker, K, Arkansas

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.