Glórias e Misérias! Um Ano Em Revista

Pedro Nuno Silva 11 de Fevereiro de 2013 NFL, Sem categoria Comments

Glórias e Misérias! Um Ano Em Revista

Estamos em pleno deserto da off season. Naqueles metros iniciais de uma longa caminhada de 7 meses até ao primeiro jogo da próxima época, algures ali no início de Setembro. Talvez por isso ainda nos custe deixar de olhar para trás e recordar, com uma nostalgia em crescendo ou decrescendo, consoante as nossas preferências clubísticas, a época que agora acabou.

Não pretendemos dissecar o “bicho” todo, mas ficava-nos bem deixar umas últimas linhas para os 6 meses que nos prenderam a atenção entre Setembro de 2012 e Fevereiro de 2013. Por isso vou deixar-vos aqui as minhas impressões colectivas e individuais do que penso ter sido uma época intensa de NFL.

Em Alta

Baltimore Ravens (10-6)

Digam lá quantos de vocês apostavam na vitória dos Ravens no Super Bowl de New Orleans? Ora digam lá?… Seus mentirosos! A época da equipa de John Harbaugh foi uma espécie de reedição da versão da Cinderela engendrada pelos St. Louis Rams de Dick Vermeil e Kurt Warner em 1999. É certo que de Kurt Warner e do Rams não se esperava nada nesse ano, mas dos Ravens também não se pensaria muito bem, sobretudo quando, entre a semana 13 e a semana 17, Joe Flaco e companhia apenas conseguiram somar uma vitória. O problema é que temos uma terrível tendência para esquecer-nos depressa das coisas. E, bem vistas as coisas, os Baltimore Ravens retificaram em 2012 aquilo que parecia ser inevitável ter acontecido em 2011, quando, naqueles malfadados minutos finais do AFC Championship em Foxborough viram Lee Evans deixar escapar entre as mãos o touchdown da vitória e, segundos depois, Billy Cundif falhar um field goal escandaloso que os levaria para prolongamento. Mas este ano, as coisas correram na perfeição na post season. Incluindo o regresso a Foxborough! Desta vez aos New England Patriots não foi deixada nenhuma gorjeta! E em New Orleans, Ray Lewis comemorou em apoteose “his last ride”.

San Francisco 49ers (11-4-1)

Em crescendo. Ainda não deu para voltar às glórias de Joe Montana e Steve Young, mas é indiscutível que na NFC os Niners foram a melhor equipa em 2012, mesmo considerando que os vencedores da regular season foram os Atlanta Falcons (13-3). E no entanto a época poderia ter descambado de forma dramática, com a aposta arriscada de Jim Harbaugh no QB de 2º ano Collin Kaepernick, em detrimento de um frustrado Alex Smith. Smith que, depois dos horrores sofridos no consulado de Mike Singlateri (o tal que afirmou convicta e repetidamente, numa conferência de imprensa que ficou no anedotário da NFL, “Can't win this team!”), viu-se reabilitado em 2011 pelo treinador vindo de Stanford. Mas já deveria ter ficado desconfiado quando, faz agora 1 ano, os jornais desportivos dos States referiam, com inesperada insistência, que uma das equipas mais interessadas na pérola maior do free agency, Peyton Manning, eram precisamente os San Francisco 49ers. A lesão que o afastou da equipa no jogo em casa contra os St.Louis Rams, na semana 10, trouxe para a ribalta Collin Kaepernick e atirou com Alex Smith para o free agency de 2013. Mas a verdade é que Jim Harbaugh revelou qualidades de gambler e ganhou a aposta. Os Niners, liderados agora pelo exuberante QB vindo da Universidade de Nevada, mostraram-se intratáveis no ataque e insuperáveis na defesa… ou quase. E se em 2011 ficaram à beirinha do NFC Championship, em 2012 quase conseguiam o seu 6º título de Super Bowl Champions. Será que em 2013 é que vai ser?

Russell Wilson

Para mim o melhor rookie do ano! E não fora a época assombrosa desse fenómeno da natureza chamado Adrian Peterson, e Wilson seria, para mim também, o MVP da NFL em 2012. E está tudo dito.

Adrien Peterson

O maior! Inacreditável! Só uma ínfima percentagem de seres humanos poderiam sobreviver à terrível lesão que o RB dos Minnesota Vikings sofreu em 2011 e voltar em tamanha glória na época seguinte, ficando a escassas e desesperantes 9 jardas de bater o recorde absoluto de 2105 jardas em corrida estabelecido em 1984 por Eric Dickerson, ao serviço dos Los Angeles Rams. E se os Vikings foram uma das surpresas da época de 2012, decerto que o devem a “All Day” Peterson.

Joe Flacco

Finalmente a glória. Finalmente o reconhecimento do estatuto de QB de elite que muitos se recusavam a dar a Flacco. Nunca entendemos muito bem porquê. Joe “Nice and Easy” Flacco completou a sua 5ª época na NFL e conseguiu o seu primeiro anel, sem destoar muito dos registos que marcaram as suas épocas anteriores. Se existe jogador nesta liga que se pode chamar certinho e fiável, o QB vindo da Universidade de Delaware é esse jogador. E o título de MVP conquistado no Superdome de New Orleans é inteiramente justo.

Em Baixa

New York Jets

Descalabro absoluto. Desta história ninguém saiu ileso. O general manager Mike Tanembaum acabou despedido na 2ª feira negra, o dia imediato ao fim da época regular; o treinador, Rex Ryan, sobrevivente milagroso do tsunami que abalou as fundações dos Jets, mas tem crédito mais limitado do que país sob os auspícios de uma qualquer troika; o QB Mark Sanchez, comprometeu, se calhar irremediavelmente, o seu futuro, depois de uma época em que registou mais intercepções (18) e fumbles (14) do que TD's (13) e, em 2013, vê-lo-emos, seguramente, em outras paragens, se calhar mais longínquas, numa qualquer outra equipa da liga, ou quiçá mais próximas, num qualquer recanto do banco de suplentes da equipa. E, claro, a vítima anunciada Tim Tebow que pagou caro o voluntarismo de uma decisão para muitos incompreensível e, com isso, tal como Sanchez, se verá, muito possivelmente, fora de qualquer roster da NFL em 2013. Salvo se Bill Belichick se lembrar de o usar para uma qualquer experiência no seu laboratório de ideias loucas, em New England. Naaahhh! Não acredito!

New York Giants

A fórmula resultou em 2011. Falhou redondamente em 2012. Talvez que a culpa tenha sido de um qualquer síndroma de campionite aguda. Mas a verdade é que, desta feita, os Giants apanharam com a melhor época em muitos anos dos Washington Redskins e não conseguiram repetir os feitos que os levaram à glória em Indianapolis, no Super Bowl XLVI. Tom Coughlin é que não está pelos ajustes e já começou a arrumar a casa. Ahamad Bradshaw (RB) e Chris Canty (DE), já não moram em Meadowlands. Vai ser curioso perceber quais vão ser os trunfos e as apostas dos G Men nesta off season.

Árbitos Suplentes

Chegou a ser constrangedor. E aquele lance final em Seattle, no jogo dos Seahawks contra os Green Bay Packers, na semana 3, com Gordon Tate a receber uma bola… bem… com os árbitros a dizerem que recebeu a bola… não, com um dos árbitros a marcar TD… outro a assinalar passe incompleto… enfim. aquela confusão e barraca final no CenturyLink Field, foi a gota de água de uma situação vergonhosa, que manchou a imagem da liga desportiva mais rica dos mundo.

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Pedro Nuno Silva

Português. Duriense de nascimento. Tripeiro de coração. Minhoto por adopção. Numa palavra: nortenho. Ou seja, tinha tudo para ser um ignorante sobre futebol americano. Mas a 2 de Fevereiro de 2009 tudo mudou graças a cerca de 2 minutos de um jogo que era até aí um mistério insondável! Os culpados? Todos os jogadores dos Steelers e dos Cardinals. Mas, em particular, Ben Roethlisberger e Santonio Holmes e aquele touchdown a 30 segundos do final do jogo num equilíbrio improvável e que desafiou as leis da física e se pode colocar ao lado de um qualquer volteio do mais virtuoso bailarino do Bolshoi. A paixão pelo jogo cresceu de tal forma que hoje olho à minha volta e acho estranha tanta algazarra por causa das vitórias do F.C.Porto, da nossa seleccção ou das birras do CR7. Definitivamente tornei-me num alien em pleno coração do Alto Minho!