Panthers @ Saints: Era Uma Vez Uma Defesa

João Malha 12 de Dezembro de 2013 Sem categoria Comments
Panthers vs Saints

Carolina Panthers at New Orleans Saints

1 2 3 4 F
Carolina Panthers 6 0 0 7 13
New Orleans Saints 0 21 3 7 31

Era Uma Vez Uma Defesa

O jogo deste domingo à noite trazia o jogo mais apetecível da 14 semana da NFL. Depois da copiosa derrota dos Saints na segunda-feira anterior, em Seattle, frente aos líderes da Conferência NFC, os Seahawks, a equipa de New Orleans via-se em apuros pois ao invés de lutar pelo lugar cimeiro da conferência, tinha agora que se preocupar em manter o primeiro lugar da NFC South, dado que entrava para este jogo com o mesmo registo, 9v-3d, que o seu adversário, os Carolina Panthers.

Liderados pelo Quarterback (QB) Cam Newton, os de Carolina apresentavam um impressionante registo de 8 vitórias consecutivas, algumas delas bem complicadas, como foi o caso do jogo em casa, frente aos New England Patriots. A principal força desta equipa é a sua  defesa, que apresenta números extraordinários, sendo a equipa que menos pontos permitiu aos adversários em toda a NFL.

Brees já se tinha dado mal na semana anterior contra a outra melhor defesa da Liga, pelo que restava saber se iria repetir a noite infeliz ou se no seu Superdome, onde os adeptos dos Saints queriam bater o recorde do guiness de barulho num estádio fechado, a música que ia tocar era outra.

Uma coisa era certa, quem vencesse este jogo, ficava com meio caminho andado para garantir a divisão e, provavelmente, o segundo lugar da conferência, que vale uma bye week (não jogar) no primeiro fim-de-semana de playoffs e ainda um jogo em casa no segundo fim-de-semana.

O Jogo

Era uma vez uma defesa… quase impenetrável e que em doze jogos apenas tinha sofrido dois Touchdowns (TD) na primeira parte de toda essa dúzia de partidas. Alguém a viu no domingo à noite? Nós não! Drew Brees, Marques Colston e Jimmy Graham reduziram as cinzas a defesa dos Panthers. Só na primeira parte, a equipa de Carolina sofreu mais TD do que em toda a época. Foram três os passes de Brees para Colston (2, o primeiro de 6 jardas e o segundo de 15) e Graham (1, de 8 jardas) que banalizaram a defesa menos batida da NFL.

Mas as coisas nem tinham começado da melhor maneira para os Saints. Carolina conseguiu nas duas primeiras drives chegar à red zone dos homens do Louisiana, sendo apenas parada nas últimas jardas, pelo que ambos os ataques terminaram em Field Goal (FG).  Foram mais de onze minutos de posso de bola, o que diz bem de como foi o primeiro período. Já os Saints, na primeira posse (no meio das duas dos opositores), fizeram um 3-out que levou a Who Dat Nation (como são chamados os adeptos da formação da casa) a lembrar o pesadelo da segunda-feira anterior, em que a equipa estabeleceu um registo negativo desde que Brees e Sean Payton estão na cidade do Jazz, 2006, com as três primeiras posses a terminarem sem um único down.

Felizmente para os Saints (e para mim em particular, que já está a revirar os olhos quando vi essa primeira posse terminar em três jogadas), esse filme não se repetiu.

E se os Panthers foram dominantes no primeiro período, ficaram-se por aí. Com os Saints a facturarem por três vezes no segundo período, a equipa treinada por Ron Rivera ficou encostada às cordas e nunca conseguiu mostrar o seu valor e o motivo de vir de oito vitórias consecutivas.

De tal forma que os Saints foram a única equipa que defrontou os Panthers que não permitiu um único turnover. Também não conseguiu conquistar nenhum em termos defensivos, mas em compensação fez cinco sacks a Cam Newton, todos eles conquistados por dois jogadores, Junior Galette, que fez três, e Cameron Jordan, com dois.

A segunda parte praticamente não teve história. Um TD para cada lado, sendo que os forasteiros apenas o conseguiram quando restavam cinco minutos para o final e tudo estava decidido. De resto, a assinalar, apenas um FG dos Saints.

Para a história fica uma vitória sem contestação e com mais recordes para Brees (ver MVP).

A luta da NFC South continuará daqui a duas semanas, com estas duas equipas a defrontarem-se no terreno dos Panthers. Porém, a equipa de Cam Newton já não dependerá de si, mesmo vencendo, precisa que os Saints percam um dos outros dois jogos que irão disputar (Rams fora e Bucanneers no Superdome) para sonharem com o título da divisão. Uma coisa é quase certa, quem levar a melhor dos dois, será, pelo menos, o 2nd seed da NFC o que garantirá uma bye week no primeiro fim-de-semana dos playoffs.

Os homens que dizimaram a melhor defesa da NFL

Os homens que dizimaram a melhor defesa da NFL
Foto de AP Photo/Dave Martin

As Nossas Escolhas

MVP

Drew Brees/Marques Colston: O suspeito do costume e o seu aríete. Uma das duplas de maior sucesso da NFL da actualidade. Se Brees é invariavelmente o MVP dos jogos que aqui acompanhamos, Colston merece o mesmo destaque desta vez. Foram os protagonistas da reviravolta no marcador, com dois passes do QB para o WR nos dois primeiros TD da noite para os Saints. Brees encontrou Colston em nove ocasiões, tendo nestes passes os Saints somado 125 jardas, mais de um terço do total de jardas da noite.

Mas esta foi mais uma noite de recordes para Brees. Ele que já soma tantos que se lhe perdem a conta, conseguiu no domingo à noite atingir as 50.000 jardas de passe, tornando-se o quinto QB a consegui-lo na história da NFL (Brett Favre lidera o ranking, com mais de 70 mil jardas, num ranking onde o único jogador no activo para além de Brees é Peyton Manning), mas o que o conseguiu no menor número de jogos (precisou de 183 enquanto Manning conseguiu-o ao jogo 191). Para alem deste recorde, Brees juntou-lhe mais dois: tornou-se o primeiro QB a conseguir pelo menos 4.000 jardas na época regular pela oitava época consecutivo (desde que chegou aos Saints) e a conseguir 30 passes para TD em seis temporadas consecutivas.

Colston, apesar de apresentar números muito abaixo esta época do que tem feito ao longo da sua carreira na NFL, que também começou em 2006 nos Saints, no ano que Payton e Brees chegaram ao Louisiana, teve a sua melhor prestação da época, com os números referidos em cima. Tem mais três jogos para se aproximar dos seus números habituais. Se repetir o jogo de domingo por certo lá chegará.

Drew Brees e Marques Colston

Drew Brees e Marques Colston
Foto de Chris Graythen/Getty Images

Positivo

Jimmy Graham: O outro habitué destes destaques. Está a fazer uma temporada de sonho e somou neste jogo mais dois TD, atingindo o total de 14 TD esta época, tendo já ultrapassado o recorde do franchise dos Saints para a posição de Tight End (TE), que era de 11. Agora o objectivo será superar Rob Gronkowski (que fez mais uma lesão gravíssima este fim-de-semana, com uma rotura de ligamentos, que o atira para fora das opções dos Patriots esta época) que em 2011 conseguiu 17. Faltam 3!

Graham teve seis passes recebidos, num total de 58 jardas e dois TD. Com Graham e Colston a questão que se coloca é se o jogo é futebol americano ou basquetebol. Às vezes parece que estamos a assistir a um jogo da NBA, onde Brees é o base e passa todo o encontro a distribuir passes para os postes Graham e Colston… no caso de Graham, dado o seu passado na modalidade, quase que poderia ter sido esse o seu futuro. Felizmente optou pelo futebol americano. Eu e todos os adeptos dos Saints agradecemos!

Negativo

Defesa dos Panthers: Apresentava números avassaladores à entrada para este jogo. Menor número de pontos permitidos aos adversários, turnovers conquistados em todos os jogos, apenas dois TD sofridos em todas as primeiras partes dos 12 jogos até então disputados.

O que já relatamos acima diz tudo, nem vale a pena repetir… foram dizimados por Brees, Colston, Graham e Sproles.

Cam Newton: O Super-Homem de Carolina foi anulado pela defesa de Rob Ryan. Sofreu cinco sacks e apesar de um bom início, a promessa de um grande jogo ficou-se por aí. Deu a ideia de que apesar de estar cada vez melhor, ainda lhe falta algo para poder sonhar com os momentos de decisão da época. Agora é hora de não baixar os braços e lutar pela estreia nos Playoffs.

About The Author

João Malha

Profissional da área de comunicação e marketing, e sempre ligado ao desporto, sempre me fascinou o conceito de showbiz dos norte-americanos no que toca à promoção de qualquer espectáculo desportivo. Quando em 2003, a SportTv transmitiu pela primeira vez o Super Bowl, com estrondosa vitória dos Buccaneers de John Gruden sobre os Raiders, a curiosidade cresceu e ano após anos comecei a seguir as transmissões do maior evento desportivo mundial. Mas como em tudo na vida (pelo menos na minha forma de estar), é preciso um motivo mais forte para nos agarrarmos às coisas. Uma paixão que nos alimenta. E foi isso que aconteceu em 2010, aquando da final de Miami, ganha pelos Saints frente aos Colts do lendário Peyton Manning. Nesse dia senti finalmente que aquela era a minha equipa! E o aparecimento da ESPN America ajudou a não mais largar este desporto espectacular, que sigo semanalmente. Na Week 1 da temporada 2012/2013, cumpri o sonho de ir ver um jogo dos Saints ao vivo, ao Mercedes-Benz Superdome. Não vi os Saints vencerem, mas quem sabe se não terei a oportunidade de dizer que assisti ao primeiro jogo na NFL de um dos maiores QB’s da sua história, Robert Griffin III. Ver os Saints ao vivo foi uma experiência única que me faz olhar para o desporto com outros olhos. Quero saber mais e mais sobre o jogo, a sua história, lendas, regras, tácticas, etc. Let’s play ball!!!!