Atlanta Falcons Draft Grade

Paulo Pereira 23 de Maio de 2014 Análises, Draft, NFL Comments
Atlanta Falcons

Atlanta Falcons Draft Grade

Foi bom, não foi? O draft. A expectativa. A ansiedade. A frustração, quando a pick da nossa equipa não correspondeu aos anseios gerais. O espectáculo. A envolvência. O cheirinho a competição, quando ainda faltam 4 longos meses. Mas acabou. Num ápice, o draft de 2014 veio, fez-se e desapareceu. Deixou, no entanto, atrás de si um imenso rasto de sensações palpitantes. Tanto para analisar e compreender.

Na cada vez mais interessante NFC South, os Atlanta Falcons deram um valente passo atrás, em 2013, quando tudo fazia prever que atacassem desesperadamente o Super Bowl. O plano gizado por Thomas Dimitroff, o general manager da franquia, levou os Falcons a subirem paulatinamente na hierarquia da NFL, até baterem à porta do jogo decisivo. O que correu mal para tal regressão? Em traços genéricos, lesões e uma defesa inconsistente. E foi por aí, na defesa, que os Falcons começaram a actuar, na free agency, trazendo jogadores mais fortes, pesados, que conseguissem parar o jogo corrido do opositor. Paul Soliai, Tyson Jackson e Osi Umenyiora são os novos rostos da reconstrução. O draft funcionaria, depois disto, como complemento. Como lhes correu? Numa escala de 0 a 20, vamos dar-lhes uma nota. Mas, para saberem qual, vão ter que ler o artigo.

A Melhor Escolha

Decisão e escolha no-brainer. O offensive tackle Jake Matthews, saído de Texas A&M, onde foi o protector de Johnny Manziel, chega a este patamar profissional cumulado de elogios. É considerado um dos melhores OTs a surgir, vindo do draft, nos últimos anos. Filho do Hall of Famer Bruce Matthews e primo de Clay Matthews, o pass rusher dos Packers, Jake tem todas as skills para ser uma âncora na linha ofensiva, na próxima década. Deverá alinhar, para já, do lado direito, com Sam Baker incumbido da posição de left tackle. Com ele, Matt Ryan passa a estar bem melhor protegido. Jake é um jogador elegante, evoluído e muito técnico, habilitado para defrontar os melhores pass rushers da competição.

A Pior Escolha

Os Falcons podiam ter feito pior com a pick de 3º round, quando elegeram Dezman Southward, safety de Wisconsin. Mas, no inverso, podiam ter feito melhor. A posição de free safety era uma carência visível, quando entraram para o draft, depois da dispensa de Thomas DeCoud. O ideal era a escolha de um playmaker, para jogar ao lado do strong safety William Moore. Southward merece o benefício da dúvida e pode igualmente jogar como corner. Mas é um jogador pouco entusiasmante, com algum histórico de lesões. Comenta-se que, durante o decurso do 1º round, os Falcons tinham um plano que passava por um trade up, vindos do 2º round, para conseguirem Jimmie Ward. Não conseguiram e o jogador de Northern Illinois acabou por ir parar aos 49ers. O que é manifestamente uma pena. Jake Matthews + Jimmie Ward seria um 1º round poderoso por parte dos Falcons.

Escolha Mais Surpreendente

Neste caso nem se trata de uma escolha, mas sim da ausência de uma. Os Falcons tinham, antes do draft, algumas necessidades. Elas eram visíveis na posição de LB (sobretudo um OLB), na DL (fosse um pass rusher para os flancos ou um DT para rotação), na OL, na posição de S (sobretudo um free safety) e um TE, após a reforma do mítico Tony Gonzalez. Alguns dirão que estou errado. Que os Falcons têm um TE de futuro. Aceito o argumento. A franquia efectivamente elegeu um substituto para Gonzalez, no draft do ano passado. Chama-se Levine Toilolo…e ninguém deu por ele. A presença de Gonzalez, em 2013, pouco espaço deixou para o crescimento competitivo de Toilolo, e 2014 representa uma prova de fogo. Os Falcons foram buscar, na free agency, Bear Pascoe, vindo dos Giants, mas este pouco contributo dará para o passing game. Se é um facto que Ryan tem à disposição vários alvos importantes (Julio Jones,  Roddy White e Harry Douglas) a presença efectiva de um TE, nas jogadas na red e end zone, é cada vez mais preciosa e indispensável. Com alguns nomes interessantes no draft, os Falcons podem ter dado um tiro no pé.

 

Nota Final

13 Valores

É sempre uma tarefa ciclópica analisar um draft, pouco tempo depois deste ter terminado. Para que a análise fosse efectiva, convinha terem decorrido umas duas ou três temporadas, permitindo que produção dos jogadores falasse por si. Infelizmente, não temos esse tempo. E apenas podemos especular. Gostei de Jake Matthews e da escolha de Ra’Shede Hageman, um “bisonte” na linha defensiva, mas com algumas críticas quanto à sua work ethic. A escolha do DT da universidade de Minnesota vem comprovar a alteração de filosofia na escolha dos jogadores. Hageman pode não ser disruptivo pelo interior, mas tem 6’6’’ de altura, o que se traduz em vários passes defendidos. Pode ser uma peça importante no facelift que os Falcons deram à sua trincheira. Gostei igualmente da aquisição de Prince Shembo. Acompanhei Notre Dame no mágico ano de 2012, quando atingiram a final da NCAA. Shembo, que tem skills para auxiliar no special team, é um trabalhador nato e pode ter utilidade no pass rush. Não era o OLB/DE que os fãs dos Falcons sonhavam (falou-se de um trade up para a pick 1, para conseguirem Clowney ou mesmo Khalil Mack), mas pode ser útil. Finalmente, nota positiva para a escolha de Devonta Freeman, running back ainda com o anel de campeão por Florida State reluzente no dedo. O jogo corrido dos Falcons foi anémico, pelos problemas físicos de Steven Jackson, e a vinda de Freeman pode ser um auxiliar perfeito. É um jogador rápido, bastante físico (o que é surpreendente devido à sua baixa estatura) e tem umas mãos óptimas, podendo funcionar fora do backfield. Em suma, um draft competente mas que deixou algumas questões por resolver.

Lista de Escolhas

Round 1, Pick 6: Jake Matthews, OT, Texas A&M
Round 2, Pick 37: Ra'Shede Hageman, DT, Minnesota
Round 3, Pick 68: Dezmen Southward, S, Wisconsin
Round 4, Pick 103: Devonta Freeman, RB, Florida State
Round 4, Pick 139: Prince Shembo, OLB, Notre Dame
Round 5, Pick 147: Ricardo Allen, CB, Purdue
Round 5, Pick 168: Marquiss Spruill, ILB, Syracuse
Round 7, Pick 253: Yawin Smallwood, OLB, Connecticut
Round 7, Pick 255: Tyler Starr, OLB, South Dakota

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.