New York Giants: First Look 2014
Pode parecer um lugar-comum, mas a temporada de 2014 é bastante importante para os New York Giants. Todas as franquias, face à importância da competição, podem reivindicar o peso/obrigatoriedade do sucesso como um elemento de pressão adicional, mas os blues de New York sabem que muita coisa estará em jogo, na temporada que se avizinha. Depois do descalabro que foi 2013 (mesmo assim culminada com um recorde de 7-9 que não deixa perceber quão medíocres foram a maioria das exibições), do pior ano da carreira de Eli Manning, de novo acesso frustrado aos playoffs, 2014 será uma espécie de derradeira oportunidade para alguns dos actores principais da equipa, Tom Coughlin à cabeça.
Os Giants, em abono da verdade, perceberam onde estava a maleita, tendo desenvolvido esforços na offseason para debelar os maltes que os atormentaram na temporada transacta, insuflando alguns upgrades no roster. Serão suficientes? We’ll see…
Jogo Corrido
Um dos calcanhares de Aquiles em 2013 sofreu uma profunda remodelação, com a aquisição de Rashad Jennings, vindo de boa temporada nos Raiders, e a escolha de Andre Williams, no draft. Este último teve, em Boston College, uma carreira meteórica, parecendo poder emular o mesmo sucesso na NFL. A depth chart é completada com David Wilson, uma promessa que tarda em se afirmar e que foi uma espécie de bode expiatório dos malres do jogo corrido, no ano passado, relegado para suplente depois de problemas iniciais com fumbles, e pelo veterano Peyton Hillis. Será suficiente para dotar os Giants de um necessário equilíbrio entre o passe e a corrida? Pior que em 2013 será difícil fazer, mas mesmo assim o sucesso do ground game, em 2014, aparece com um grande ponto de interrogação. Jennings terá capacidade para ser o desejado running back principal? O jogador, mesmo com uma consistente época nos Raiders, não tem um histórico que permita acalentar essa ideia. Veremos o que o novo coordenador ofensivo, Ben McAdoo, consegue realizar. Mas parte do insucesso do jogo corrido, no ano passado, esteve intimamente ligado à péssima prestação do verdadeiro cancro da equipa, que foi…
A linha Ofensiva
Será aqui que residirá grande parte do sucesso ou insucesso futuro da franquia. É um facto que Eli Manning teve momentos desastrosos, em 2013, mas a maioria deles, não descartando o icónico quarterback de culpas, podem ser assacados à guarda pretoriana que raramente lhe concedeu tempo no pocket para lançar. O mea culpa foi dado pelo staff técnico, que se afadigou em trazer offensive linemen com qualidade e solidez. Geoff Schwartz, Charles Brown e John Jerry vieram da free agency, enquanto Weston Richburg foi uma aposta declarada no draft. Com eles os Giants idealizam um quinteto mais consistente, que permita uma ajuda-extra ao jogo corrido e, claro, um pass protection que permita a Manning elevar o seu jogo (um exemplo da porosidade da linha foi dado no embate contra os Panthers, em que Eli sofreu 6 sacks em apenas 17 minutos). O left tackle continua, para já, a ser Will Beatty, que regressa de lesão (perna partida) e terá que elevar o seu jogo, de forma a manter a titularidade. A chegada de Charles Brown permite alguma margem de manobra à equipa. Não que o ex-jogador dos Saints seja um prodígio na protecção ao QB mas, pelo menos, tem experiência na posição e alguma legitimidade para ser mais do que um backup. Ainda no lado esquerdo, a chegada de Geoff Schwartz aporta qualidade, com o jogador a ser claramente uma evolução face ao que existia. No centro, JD Walton é ameaçado pelo rookie Weston Richburg, parecendo fácil concluir que, em parte indeterminada da temporada, ele será titular. Walton tem padecido de crónicos problemas físicos, com reflexo no seu rendimento intermitente, o que abre portas ao rookie. Pese o valor do mesmo, reconhecido pelos scouts, funcionará correctamente a OL, com a inclusão de um dos dois? A posição de center, importante em qualquer esquema táctico, tem que possuir uma empatia com o QB. Que, em qualquer uma das opções, não existe. O lado direito da OL foi, pretensamente, alvo de reparos. Que podem surtir efeito. O right tackle continuará a ser Justin Pugh, um jovem com qualidade, saído de uma temporada rookie em que se exibiu em plano satisfatório. Ao seu lado, o guard poderá ser John Jerry ou Chris Snee, outro dos regressados de lesão. Snee é uma interrogação, nesta fase da sua carreira, após a cirurgia. Se recuperado devidamente, e regressado ao estilo destemido de jogo que o caracterizava, a OL poderá ter aqui a sua peça nuclear.
Ataque Aéreo
Sim, Eli Manning saiu de uma temporada de pesadelo, mas a confiança no quarterback é enorme e, se rodeado de um elenco sólido, poderá voltar aos tempos áureos. Já se dissecou a OL, nas linhas mais acima. Unidade importante, terá um peso enorme na época que se avizinha. Mas nem só da competitividade da linha ofensiva viverá o ataque dos Giants. Hakeem Nicks saiu, depois de um ano horrível, deixando o seu posto vazio a ser disputado por jogadores que têm ainda tudo por provar. Se Eli confia em Victor Cruz, necessita igualmente de ter mais opções, que lhe permitam usar a variedade de rotas à disposição. Rueben Randle tem vindo a ser maturado para ascender ao posto de WR2, mostrando alguns flashes de talento mas igualmente alguma inconsistência. Do draft chegou um produto made in LSU. Odell Beckham Jr é, mais do que uma aposta de futuro, um desejo premente para o presente. Se o grupo de receivers parece inexperiente, à excepção de Cruz e do regressado Mario Manningham (que não entra, para já, nesta equação, dados os problemas físicos que padeceu, nos últimos anos), o que dizer da importante posição de tight end? Os Giants sempre jogaram com o posto, mostrando que podiam substituir o titular sem grande reflexo na qualidade de jogo. Foi assim com Kevin Boss. Com Martellus Bennett. Com Brandon Myers. Mas nem sempre resultará essa confiança no next man up. A depth chart actual não permite grandes motivos de esperança. Adrien Robinson? Kellen Davis? Daniel Fells? Qual a ilação a tirar destes nomes? Serão eles participantes activos no aerial attack, ou apenas big bodies para auxiliary a OL?
São questões válidas, umas mais importantes que outras, em cuja resposta estará a chave para se perceber que Giants teremos em 2014. Existiu, até à data, uma clara tentativa de erradicar as maleitas do ano passado, com um esforço assinalável em reforçar sectores fragilizados. A preseason permitirá retirar ilações mais próximas da realidade. Actualmente, estes Giants parecem poder ser mais competitivos do que no ano transacto, mas…




