49ers @ Packers: A Magia Desapareceu em Green Bay

Pedro Nuno Silva 11 de Setembro de 2012 Análise Jogos NFL Comentários Desligados

San Francisco 49ers at Green Bay Packers

1 2 3 4 F
San Francisco 49ers 3 13 7 7 30
Green Bay Packers 0 7 0 15 22

…e mudou-se para a Califórnia!

Ontem em Lambeau Field, encontraram-se 2 das 4 vítimas de Eli Manning e os seus New York Giants no caminho para a vitória no Super Bowl XLVI.

E a conclusão que se tira é que os San Francisco 49ers agarraram-se à época fenomenal que tiveram em 2011 e começaram da mesma forma a de 2012, atirando para trás das costas aquela fatídica noite de Janeiro, em Candlestick, quando Eli Manning jogou à Eli Manning e desferiu o golpe mortal na equipa de Jim Harbaugh, aproveitando-se como ele sabe do inacreditável punt fumble do, desde então, mais odiado jogador dos San Francisco 49ers, Kyle Williams.

Já os Green Bay Packers ainda parecem mal refeitos da exemplar lição que sofreram às mãos dos suspeitos do costume (Manning e companhia) na Divisional Round jogada em 15 de Janeiro.

49ers vs Packers

Aaron Rodgers sofrendo um Sack do Carlos Rogers dos 49ers
Fonte da Imagem: Andy Lyons, Getty Images

E no entanto Niners e Packers continuam a ser duas das mais excitantes equipas da liga. Ambas as equipas têm 2 QB's consistentes, embora Green Bay esteja, claramente, em vantagem nesta posição, com um Aaron Rodgers ao seu nível durante o jogo todo (30/44, 303 YDS, 2 TD, 1 INT), linhas ofensivas que impressionam, mas aqui o running game de San Francisco (Frank Gore e Kendall Hunter somaram 155 jardas e 1 TD), dão a Alex Smith (20/26, 211 YDS, 2 TD), um complemento ao ataque da equipa que o torna bem mais completo do que o de Green Bay.

E depois a velha questão: se os ataques ganham jogos, as defesas ganham campeonatos. Ok! Já sei que nem todos estão de acordo com esta tese, aparentemente, por demonstrar, mas ontem vimos 2 defesas com elementos brilhantes (Aldon Smith, Karlos Rodgers, Patrick Willis e o incombustível Justin Smithnos San Francisco 49ers e A.J.Hawk, Clay Mathews, Charles Woodson e B.J.Raji, nos Green Bay Packers), mas com eficácia bem diferente. Por algum motivo as estatísticas da época passada colocam a defesa de San Francisco no topo e a de Green Bay no fundo.

E o resultado de tudo isto foi um jogo equilibrado na 1ª parte, onde ambas as equipas fizeram um TD, com grande relevo para o de Randy Moss, no 2º período, num passe fenomenal de Alex Smith, dando na altura uma vantagem de 10-0 a San Francisco.

A vantagem ao intervalo dos Niners era de 16-7 e, para além da excelente performance defensiva das 2 equipas, o realce maior vai mesmo para o Kicker David Akers com um field goal absolutamente impossível de 63 jardas (para terem uma ideia, chutou do seu próprio meio campo), igualando o recorde da NFL já alcançado no passado por Tom Dempsey dos New Orleans Saints, em 1970, Jason Elam, dos Denver Broncos em 1998 e o nosso conhecido Sebastian Janikowsky dos Oakland Raiders em 2011.

David Akers 49ers

David Akers a celebrar a conversão de um field goal de 63 jardas que iguala o recorde da NFL

Na 2ª parte os ataques falaram mais alto. E aqui San Francisco colocou toda a carne no assador, conseguindo mais 2 TD's por Vernon Davis no 3º período e Frank Gore no 4º período. Entre as duas jogadas, Randall Cobb, manteve a equipa de Green Bay à tona de água, com mais um TD em resposta a um punt, deixando o resultado nos ainda esperançosos 23-15 (Aaron Rodgers consegui a  com mais de 10 minutos ainda para jogar no 4º período. A garra de Rodgers e o espírito combativo dos campeões de 2011 deu ainda para encurtar distâncias em mais um passe para TD de Aaron Rodgers, desta feita para o WR James Jones. Mas não deu para mais.

A sensação final do jogo é que hoje por hoje os San Francisco 49ers suplantam claramente os Green Bay Packers e em ambos os lados da bola, revelando, sobretudo na defesa, um upgrade na dinâmica das suas 3 linhas ainda mais impressionante do que já vimos na época passada. E nem se pode dizer que Green Bay não tenha feito pela vida na defesa também, mas o que foi conseguindo foi mais obra de individualidades, como Clay Matheus que conseguiu num só jogo quase metade de todos os sacks que conseguiu a temporada passada (2,5 contra os 6 que totalizou em 2011), do que a soma de um jogo colectivo.

Packers vs 49ers Highlights

Highlights do Jogo entre os Green Bay Packers e os San Francisco 49ers

A época ainda ontem começou, mas os ventos do jogo de ontem trazem-nos mais os sons de “San Francico” de Scott McKenzie do que os de “Life On A Northern Town”, dos Dream Academy.

As Nossas Escolhas

MVP: Alex Smith – Esteve irrepreensível! Que longe vão os dias de incerteza do QB vindo do Utah, em que cada snap, cada passe, cada jogo, enfim, parecia ser a confirmação esperada de uma dispensa anunciada. Os 2 passes para TD de ontem foram de uma precisão e certeza próprios de um jogador em paz consigo e com as suas capacidades.

 

Positivo: Defesa dos San Francisco 49ers – exibição colectiva afirmativa de uma das melhoras defesas da Liga, com relevo especial para o trio Aldon Smith, Carlos Rodgers e Navarro Bowman.

David Akers – igualar um record da NFL é sempre um feito digno de registo, mesmo que, para tal, Akers tenha tido a protecção dos deuses da fortuna que empurraram a bola para o lado certo dos postes.

Clay Mathews – início de época fulgurante do espalhafatoso linebacker dos Packers, conseguindo logo no primeiro jogo 2,5 sacks e deixando a impressão de que, em 2012, teremos de volta o defesa arrasador que liderou, com os seus 13 sacks, a equipa até ao Superbowl XLV.

 

Negativo: Cedric Benson – já sabemos que Aaron Rodgers é mais passe do que corrida, mas 18 jardas em 9 tentativas é muito pouco para um RB que  conseguiu superar as 1000 jardas por época, nos últimos 3 anos em Cincinnati. Terá de mostrar muito mais nos próximos jogos se quer justificar a aposta de Mike McCarthy.

Green Bay Packers – parafraseando a inesperadamente célebre afirmação de Cristiano Ronaldo, os Packers estão tristes! A equipa do Wisconsin parece ainda abatida pela eliminação nos playoffs da época passada e, mesmo com um Aaron Rodgers ao seu nível, mostrou-se ansiosa e, de alguma forma, extemporaneamente conformada com o que pareceu ser uma fatalidade desde, praticamente, os primeiros momentos do jogo: a incapacidade em concretizar o seu jogo ofensivo. Exemplos? Deixamos dois: 1º em 2011, os Green Bay totalizaram, na época regular, apenas cerca de 3 minutos e meio em desvantagem no marcador, nos jogos em casa. Ontem passaram o jogo todo atrás do prejuízo; 2º durante o 1º período a equipa de Rodgers não conseguiu aproximar-se, sequer, de uma distância para field goal. Isto diz bem do que foi a eficácia defensiva de San Francisco e a inoperância atacante dos Packers!

 

About The Author

Pedro Nuno Silva

Português. Duriense de nascimento. Tripeiro de coração. Minhoto por adopção. Numa palavra: nortenho. Ou seja, tinha tudo para ser um ignorante sobre futebol americano. Mas a 2 de Fevereiro de 2009 tudo mudou graças a cerca de 2 minutos de um jogo que era até aí um mistério insondável! Os culpados? Todos os jogadores dos Steelers e dos Cardinals. Mas, em particular, Ben Roethlisberger e Santonio Holmes e aquele touchdown a 30 segundos do final do jogo num equilíbrio improvável e que desafiou as leis da física e se pode colocar ao lado de um qualquer volteio do mais virtuoso bailarino do Bolshoi. A paixão pelo jogo cresceu de tal forma que hoje olho à minha volta e acho estranha tanta algazarra por causa das vitórias do F.C.Porto, da nossa seleccção ou das birras do CR7. Definitivamente tornei-me num alien em pleno coração do Alto Minho!