Bears @ Packers: Ainda não coloquem a lápide no túmulo dos Packers

Paulo Pereira 18 de Setembro de 2012 Análise Jogos NFL Comentários Desligados

Chicago Bears at Green Bay Packers

1 2 3 4 F
Chicago Bears 0 0 3 7 10
Green Bay Packers 0 13 0 10 23

…porque eles estão de volta. Dispostos a fazerem mossa.

Foi um típico jogo de futebol americano. Um daqueles que ajudou a construir a reputação de desporto duro e hormonal. Pode parecer um velho estereótipo, mas o novo reencontro na rivalidade entre Chicago Bears e Green Bay Packers foi jogado por homens de barba rija.

 

Esperava-se mais – bem mais – dos Chicago Bears. Depois de terem demolido a estreia de Andrew Luck na semana 1, com a forte conexão entre Jay Cutler e Brandon Marshall, os Bears deveriam comparecer no mítico Lambeau Field confiantes. Ao invés, do outro lado, era expectável algum nervosismo na equipa da casa, depois da derrota inaugural, que colocou bastante pressão sobre os ombros de Aaron Rodgers.

Nada disso se passou. Desde o momento inaugural do encontro, o que se assistiu, de parte a parte, mas com maior enfâse no lado de Green Bay, foi pressão. Asfixiante. Tremenda. Com as defesas a sobreporem-se aos ataques. Sacks, hits e passes interceptados, num jogo que mais parecia um tabuleiro gigante de xadrez, com os peões a tomarem posições estratégicas para alcançarem a vitória. Não foi surpresa, por isso, que os primeiros pontos no marcador fossem obtidos através dum field goal (Mason Crosby a inaugurar o resultado para os Packers), já no segundo período. O grande momento do jogo estava reservado para o final desse mesmo período, quando o intervalo já assomava. Os Bears tinham parado o ataque dos Packers, num terceiro down e 26 jardas. A equipa da casa aprestava-se para um field goal quando, numa jogada estudada, o punter Tim Masthay lança a bola para Tom Crabtree que, beneficiando dum espantoso trabalho de equipa, com vários bloqueios cirúrgicos, consegue um touchdown. Uma enorme simulação que merece figurar nos destaques semanais. O Special team dos Packers a fazer a diferença. A acção só voltou ao jogo no último período, quando o marcador assinalava 13-3 favorável aos Packers. O veterano Donald Driver, ultimamente mais conhecido pelas façanhas no concurso americano “Dancing with the Stars”, beneficiou dum passe teleguiado de Aaron Rodgers para colocar praticamente um ponto final na contenda.

Bears vs Packers Highlights

Highlights do Jogo entre os Green Bay Packers e os Chicago Bears

 As Nossas Escolhas

MVP: Inquestionável a escolha. Clay Matthews deve povoar os sonhos da maioria dos offensive tackles da NFL, dando-lhes pesadelos insuportáveis. O seu ímpeto, a sua ferocidade, o seu enorme poder físico e a sua velocidade transformaram-no num verdadeiro aríete humano, pronto a derrubar muralhas de músculos que lhe apareçam à frente. Matthews teve um 2010, ano de tirocínio na NFL, fantástico. A sua produção estatística sofreu uma regressão, em 2011. Muitas linhas ofensivas começaram a usar a dupla protecção, do seu lado, evitando que ele tivesse o mesmo impacto no jogo. Mas, em 2012, Matthews está de volta. Ainda melhor do que nunca. 3,5 sacks em Jay Cutler, infernizando a vida a J’Marcus Webb, o left tackle dos Bears, numa clara demonstração do que é um pass rusher. Os treinadores de qualquer equipa podem, agora, pegar no vídeo do jogo e ministrar os ensinamentos aos seus próprios jogadores. “É assim que se ataca um quarterbacks, meus senhores”.

 

Positivos: Incontornável, nos Packers, a referência merecida a Dom Capers, o coordenador defensivo dos Packers. A sua bagagem defensiva, minuciosamente preparada nos embates divisionais contra o seu arqui-rival, teve novo momento alto. Cutler, no pré-jogo, tinha deixado uma bravata, desejando boa sorte aos cornerbacks de Green Bay, se estes jogassem em “press coverage”. A realidade é que foram mesmo os defensive backs que tiveram uma quota-parte importante na vitória, interceptando várias vezes Cutler. Tramon Williams foi brilhante, mantendo uma vigilância apertado sobre Brandon Marshall e conseguindo ainda duas intercepções. DJ Smith, linebacker draftado no ano passado, deu mostras de poder ser uma revelação, este ano, participando activamente no “espancamento” a Cutler. Cedric Benson, por finalmente conseguir ser consistente, merece uma menção especial. Revitalizou o jogo corrido dos Packers (mais de 80 jardas), conseguindo importantes primeiros downs. Foi, igualmente, um alvo confiável fora do backfield, somando várias recepções. Geralmente subestimados e longe dos holofotes mediáticos, o trabalho de sapa dos offensive linemen merece crédito. Pode não ter sido visto das bancadas e passado despercebido ao espectador comum, mas Josh Sitton realizou uma admirável partida, sendo um monstro no run blocking. Graças a esse desempenho é que Cedric Benson conseguiu, com sucesso, realizar as suas acções como running back.
Nem tudo foi negativo nos Bears. Julius Peppers e Shea McLellin, dois defensive ends, conseguiram ser pressionantes e disruptivos, colocando sempre pressão sobre Aaron Rodgers e os seus protectores. Para além dos vários tackles conseguidos, o duo amealhou 3,5 sacks no total. Também a secundária merece crédito. Tim Jennings e Charles Tillman (este com um forced fumble) foram competentes na cobertura. Mesmo que tenham cedido várias recepções aos seus adversários, o número total de jardas permitidas é revelador da sua consistência: apenas 49 jardas. Matt Forté estava a ser dinâmico, até ao momento da sua lesão. O running back principal dos Bears é um daqueles jogadores que faz a delícia de qualquer treinador. Esforçado no jogo corrido, consegue ser uma ameaça válida como receiver, colocando sempre enormes problemas aos defensores contrários.

 

Negativos: À cabeça, como vilão-mor, Jay Cutler. Um rating miserável (apenas 11 passes certeiros em 27 tentados) e 4 intercepções. Nem todas culpa sua (numa delas, o passe é perfeito para um Earl Bennett totalmente aberto, com a incúria do wide receiver, especado no campo à espera da bola, a ser responsável pela intercepção conseguida por Charles Woodson) mas revelando uma estranha inabilidade para agir sobre pressão. Não sei se a culpa foi do plano de jogo a que Cutler estava preso (parece-me que ele é um dos quarterbacks da liga que terá a confiança dos técnicos para modificar as jogadas, no scrimmage), mas foi impressionante a forma como os Bears foram incapazes de encontrarem uma forma alternativa de contornarem e evitarem o pass rush adversário. J’Marcus Webb, o left tackle, também não sai com a reputação ilesa deste jogo. Causticado em anos anteriores, pelas suas contínuas más exibições, Webb conseguiu calar os críticos com uma exemplar performance na jornada 1, frente a uns Colts com uma defesa agressiva. Mas, frente aos Packers, voltou às exibições insipidas, repletas de erros. Deixado, muitas vezes, sozinho perante o ímpeto de Clay Matthews, perdeu a maioria dos duelos, nunca conseguindo ser o tampão necessário que a equipa precisava. Gabe Carimi, o right tackle, estava a ter uma noite sólida como run blocking, até cometer uma disparatada penalidade (depois de empurrar AJ Hawk) que custaram 15 jardas e um field goal aos Bears. Depois disso, Carimi nunca mais foi o mesmo, cedendo demasiado no pass protection.

Brandon Marshall conseguiu duas pífias recepções, ele que tinha destroçado a secundária dos Colts, na reedição da parceria antiga com Cutler. Vítima da pressão asfixiante que a defesa exerceu sobre Cutler, raramente conseguiu desmarcar-se do cornerback que o seguia, como uma sombra. E, quando o fez, a bola foi-lhe servida na perfeição, na end zone, naquilo que poderia ser um touchdown que revitalizaria os Bears. Marshall, no entanto, não segurou a bola, desperdiçando a única oportunidade que teve de brilhar.
No lado dos Packers, Jermichael Finley voltou a ser inconstante. Vários drops e um fumble, numa noite aziaga.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

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