College Football 2014: Week 6 Review

Paulo Pereira 8 de Outubro de 2014 Análise Jogos College, College Comments
Alabama Ole Miss

College Football 2014: Week 6 Review

Existem dias assim. A história já nos ensinou. Uma tabela perfeita com os nomes dos favoritos perfeitamente alinhados e, depois, o caos. Um Sábado que vem baralhar quase tudo, acabar com dogmas, sentenciar aspirações e mostrar que o College tem uma competitividade maior do que aquela que pensamos. Este Sábado, 4 de Outubro, pode ficar conhecido como o Pandemonium Saturday. O que aconteceu? Por onde começar? Na SEC, Texas A&M foi atropelada. Por uma surpreendente Mississipi State que, finalmente, reivindica o seu espaço na melhor conferência da prova. Habitual joguete dos outros competidores, a universidade tem beneficiado do crescimento de um novo fenómeno, Dak Prescott, para se manter invicta. As surpresas começaram bem antes. No jogo de abertura da jornada, na 5ª feira, com Oregon, mais uma vez, a claudicar de forma inesperada. Suspeitava-se que os Ducks, mesmo tendo Mariota, apresentavam fragilidades na OL que poderiam custar caro. A factura veio agora, passada por Arizona. Mas, se falamos e começamos o artigo a falar de Mississipi, que tal o reu rival estadual, Ole Miss? No primeiro grande embate do ano para os Rebels, a universidade que tem sido bastante agressiva no recrutamento, mostrou a excelência do seu roster, batendo Alabama, num comeback personalizado e fulgurante. Não se ficaram por aqui os resultados com implicações para o top-25 e corrida aos playoffs. LSU foi destroçada por Auburn, que emerge da jornada como a nova favorita para vencer a competição. USC e UCLA claudicaram, numa espécie de pacto californiano para ninguém aproveitar as fraquezas opostas, tornando a PAC-12 numa conferência aberta, sem vencedores antecipados. E, finalizando, Oklahoma, nº 4 no ranking, que poderia beneficiar desta correlação de resultados, perde contra TCU. Os Sooners tardam em reviver os momentos de glória do passado. Falei de Auburn, como putativo candidato. Mas, no seu cantinho, mantendo-se algo despercebida, Florida State vai sobrevivendo e coleccionando vitórias, mesmo que tenha que lidar com os problemas off the field da sua estrela maior.Os corações, no entanto, não terão descanso. Para a semana Auburn viaja até Mississipi State. Ole Miss vai a Texas A&M. A SEC é assim, canibalesca, levando as suas equipas a ferirem-se, umas às outras, deixando espaço livre para alguém, noutra das conferências do “Power Five”, possa aparecer legitimamente como candidato. Notre Dame? Baylor?. Não percam as cenas dos próximos episódios…

O Jogo da Semana

Alabama, 17 vs Ole Miss, 23

Acreditam que foi a primeira vitória de sempre da universidade sobre um adversário do top-25? Ole Miss tem tido um papel de relevo no recrutamento da SEC, conseguindo atrair alguns prospects interessantes, começando a criar condições para ser importante na conferência. O jogo teve de tudo. Emoção, drama e decisões controversas da arbitragem. Começando pelo primeiro: Os Rebels marcam 2 touchdowns nos últimos 5 minutos e, depois, interceptam um passe na própria end zone, a 30 segundos do final, impedindo o TD vitorioso de Crimson Tide. Primeiro, com um 17-10 no marcador, um 3-and-out. Bola nas mãos de Bo Wallace, o tão criticado quarterback, para uma curta drive, de apenas 3 jogadas, culminada num TD de Vince Sanders. Jogo empatado. Kickoff e um strip fumble no retorno, dando nova possessão a Ole Miss. Estádio em ebulição, num ambiente dantesco. Bola nas 31 jardas de Alabama e mais do mesmo. Drive rápida, com 5 jogadas, enfrentando um 3-and-10 e novo TD, por Jaylen Walton, o running back da equipa. Ole Miss, pela primeira vez, à frente. Alabama não se deixou abatar. Um TD e passava para a frente, mesmo iniciando a drive nas suas 13 jardas. Um longo caminho a percorrer, mas Blake Sims conseguiu levar a equipa até às 29 jardas de Ole Miss. Tensão no máximo, expectativas elevadas e…Senquez Golson, cornerback, antecipa-se ao TE na end zone e acaba com o sofrimento, numa intercepção providencial. Game over Alabama.

Drama? Sim, mas não relacionado com as implicações do resultado. Kenyan Drake, running back de Alabama, sofreu uma lesão assustadora numa perna.
Decisões controversas da arbitragem? Check. TD de Alabama, a colocar o resultado em 14-3, num evidente face mask que passou despercebido aos juízes.
Game ball? Bo Wallace, QB de Ole Miss. Criticado por ser um mistake-prone, Wallace foi sereno, no meio de um jogo transcendente, com 18/31 e 251 jardas, com 3 passes para TD, nunca se intimidando com o nome do opositor.

Texas A&M, 31 vs Mississipi State, 48

A equipa de Kevin Sumlin deve ter um problema qualquer com a defesa. Ano após ano após ano, Texas A&M apresenta um futebol de ataque sedutor, mas acaba traída por desacertos defensivos. Pensou-se que os Aggies, este ano, estivessem melhor nessa zona do terreno, podendo sonhar com outros feitos. Mas, no mais exigente embate da temporada, foram destroçados pela máquina de ataque de Mississipi State, vulgarizados no jogo de passe, que colocou em xeque todo o sector. No 48-31 há que dar mérito a quem esteve nas trincheiras de Mississipi. Kenny Hill foi sempre pressionado pela defesa contrária, sofrendo 3 intercepções e 2 sacks. Num embate aguardado entre dois dos mais excitantes QBs da actualidade, Dak Prescott ganhou por goleada. Para saberem o porquê, leiam mais abaixo o destaque no “quarterback da semana”. Richie Brown deu uma ajuda, na defesa, coleccionando 3 INTs, provando que os Bulldogs são um contendor na SEC para ter em conta, com duas grandes vitórias na temporada sobre LSU e Texas A&M. Num jogo com fortes implicações para os playoffs, os Aggies terão que conseguir um resto de época perfeito e os Bulldogs, mesmo saboreando um doce triunfo, não podem sonhar demasiado. O calendário que se segue é terrivelmente duro, com novo embate que se perspectiva épico na próxima semana, contra Auburn.

Oklahoma, 33 vs TCU, 37

Gary Patterson, head coach de TCU, tentou acalmar os seus jogadores, no final do encontro, da excitação febril em que estavam mergulhados. Tentou, mas não conseguiu, deixando-se enredar nesse mesmo entusiasmo contagiante. Compreensivelmente. Não foi apenas mais uma vitória. Foi um triunfo sobre os Sooners, quartos do ranking.  Foi, igualmente, uma declaração dos Horned Frogs, finalmente relevantes na BIG-12. A universidade, que antes era um peso-pesado na conferência Mountain West, vive dias difíceis na mudança para a Big-12. Desde 2012, um 6-12 contra os rivais de divisão, demonstrativos da falta de ritmo competitivo. Mas frente aos Sooners, uma exibição consistente, alicerçada numa defesa sufocante, que inibiu desde o começo Trevor Knight. O quarterback de Oklahoma completou apenas 14 dos 35 passes tentados, cometendo erros inesperados. Se no jogo aéreo TCU foi competente, no solo frustrou também os intentos do adversário. O running back freshman Samaje Perine, uma das novas sensações da temporada, até marcou 3 TDs, mas foi limitado nos estragos que produziu, correndo apenas para 59 jardas. O grande momento do jogo aconteceu a 3 minutos do final, quando Oklahoma procurava recuperar a liderança e tentou um 4-and-1, com Perine a ser parado por Marcus Mallett. Foi o canto do cisne para os Sooners e o prémio merecido para TCU, que teve no seu QB Trevone Boykin a estrela-maior do jogo. 318 jardas passadas, 75 corridas e 3 TDs dão bem a ideia da grandeza da exibição.

O Quarterback da Semana

É impossível, no meio duma jornada repleta de surpresas e grandes exibições, dar o prémio oficioso apenas a um jogador. Seria injusto não destacar uma mão-cheia de nomes mas, por imperativos de espaço, restrinjo-me a 3. Ou 4. Ou mais. O que é que querem? Sou um mãos largas nos elogios. Começando por aquele que jogou num nível elevadíssimo, piscando o olho à atenção dos senhores que nomeiam para o Heisman Trophy. O seu nome?

Dak Prescott, Mississipi State. Se não o conhecem, ainda vão a tempo. Tem sido, juntamente com a sua equipa, uma agradável revelação. Prescott vinha já reivindicando o seu quinhão de atenção por parte dos media, mas no jogo contra Texas A&M, deverá ter entrado definitivamente no imaginário do fã casual, que memorizou o seu nome. Dual-threat, colocou números impressionantes contra os Aggies. 19/25 no passe, rasgando de forma cirúrgica a secundária de A&M, com 259 jardas e 2 passes para TD. No solo, feriu sempre que quis, expondo a fragilidade (outra vez) da defesa contrária. 23 corridas, 77 jardas e 3 TDs corridos.

Menção Honrosa da Semana 1

Quando Braxton Miller se lesionou, para a temporada, pensou-se que a equipa de Urban Meyer teria os dias contados, em 2014. Durou pouco tempo essa angústia. Apenas o período de ascensão do freshman JT Barrett. O miúdo tem qualquer coisa, algo que o torna especial, mesmo nesta fase precoce da temporada. Na vitória fora de portas contra Maryland, que era crucial para os Buckeyes manterem as aspirações na temporada, Barrett deu um show particular. No pocket, sereno e preciso, com 18/23, 267 jardas e 4 passes mortíferos. No solo, a extensão da sua qualidade: 16 corridas, 71 jardas e um novo TD.

Menção Honrosa da Semana 2

Ex aequo, Bo Wallace, QB de Ole Miss (podem ler o porquê na curta review do jogo, mais acima) e Shane Carden, que ameaça tornar-se a nova coqueluche cá de casa. O QB de East Carolina tem revelado sinais encorajadores de maturidade e crescimento, no bom início de temporada da sua universidade. Contra a frágil SMU, 31/41, 410 jardas e 4 TDs, num currículo que vai crescendo, depois da excelente prestação contra South Carolina (semana 2) e Virginia Tech (semana 3).

Outros nomes que merecem referência: Gary Nova (Rutgers), Darrell Garretson (Utah State), Mike Bercovici (Arizona State), Jake Waters (Kansas State), Nick Marshall (Auburn) e Deshaun Watson (Clemson).

O Running Back da Semana

Shock Linwood, Baylor. Num dia em que o ataque de Baylor, o mais produtivo da prova, se engasgou, enfrentando a dura defesa de Texas, foi o jogo corrido (com uma preciosa ajuda do special team), que ajudou à permanência da invencibilidade da equipa de Art Bryles. Numa espécie de jogo de xadrez, entre Bryles e Charlie Strong, o head coach dos Longhorns, o jogo de passe de Baylor foi medíocre, numa das piores exibições da carreira de Bryce Petty (apenas 7 passes certeiros em 22 tentativas e 111 jardas), com uma pressão intensa e sufocante da DL contrária. É nestes cenários que as equipas com aspirações mostram a sua real valia. E Baylor mostrou que não é apenas uma equipa da moda, que soçobra à primeira contrariedade. Mantendo sempre, mesmo em condições difíceis, o controlo do jogo, encontrou uma forma de vencer e de se distanciar de um possível upset. Fê-lo confiando nos outros predicados da equipa. O special team, crucial a bloquear um FG e a retorná-lo para o primeiro TD do encontro e com o jogo corrido, com jardas arduamente conquistadas por Linwood. Não são números de abrir a boca de espanto, mas foram precisos. 28 corridas, 148 jardas (média de 5,3 jardas por corrida) e um TD.

O Wide Receiver da Semana

Jaelen Strong, Arizona State. O junior dos Sun Devils correspondeu à grande exibição do seu QB, Mike Bercovici, apresentando-se ao grande público na excelente vitória de Arizona contra USC, que colocou a PAC-12 de pernas para o ar. Podendo almejar, agora, ao título na conferência, face ao debacle de USC e UCLA nesta jornada, as mãos seguras de Strong ajudaram a segurar o difícil triunfo, por 38-34. O receiver capitalizou as atenções do seu QB, conseguindo 10 recepções, 202 jardas e 3 scores.

Menção Honrosa da Semana

Ter um quarterback que lança 734 jardas ajuda a cimentar exibições de quem está na outra ponta, a receber bolas. De Connor Halliday falo mais abaixo, a fechar este artigo. A exibição galáctica do QB teve reflexos no jogo de passe, com dois dos seus receivers a colocarem números soberbos:

  1. Vince Mayle: 11 recepções, 263 jardas e um TD
  2. River Cracraft: 11 recepções, 172 jardas e 3 TDs.

A Exibição Épica da Semana

Porquê ver um jogo entre California e Washington State? Desde logo, se o fã de futebol americano acompanha, mesmo que casualmente, o mundo universitário, sabe que Cal tem estado relevante, esta temporada, na PAC-12. E que o adversário, mesmo com mais derrotas do que vitórias, tem um bombardeiro no lugar do quarterback. Posto isto, nada como desfrutar, mesmo num stream de qualidade duvidosa, do tiroteio que aconteceu na capital do estado. Cal venceu, por apertados 60-59. Jared Goff, o QB californiano, é um nome que reúne já algum consenso, quando se fala de qualidade. Lançou que nem um desalmado, com 53 passes tentados (37 certeiros), para impressionantes 523 jardas e 5 TDs. UAU! Mas, quando falo de exibições épicas, com uma pontada de tragédia grega, daquelas cantadas em poemas, não me referia a Goff. Não. Foi Connor Halliday, o estratega do ataque de Washington State, que merece roubar os cabeçalhos, mesmo saindo derrotado. Nunca, no tempo que já levo a acompanhar futebol americano, seja College ou NFL, vi algo igual, em termos de esforço e determinação. Halliday lançou 70 vezes. 70! Imaginem a bravura, força e energia que é necessário despender para lançar 70 vezes. Acertou 49, lançando 734 jardas. Não é impressionante. É praticamente impossível, do ponto de vista competitivo, conseguir um número desta dimensão. A proeza de Halliday não se ficou por aqui. A sua empatia com os receivers foi evidente, passando para 6 touchdowns. Perdeu, conforme já foi dito, mas merece uma vénia, nem que seja virtual, de quem venera este desporto. Não merecia o FG desperdiçado pelo seu kicker, a um segundo do fim, a menos de 20 jardas. Inglório!

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.