Dallas Cowboys Draft Grade
Foi bom, não foi? O draft. A expectativa. A ansiedade. A frustração, quando a pick da nossa equipa não correspondeu aos anseios gerais. O espectáculo. A envolvência. O cheirinho a competição, quando ainda faltam 4 longos meses. Mas acabou. Num ápice, o draft de 2014 veio, fez-se e desapareceu. Deixou, no entanto, atrás de si um imenso rasto de sensações palpitantes. Tanto para analisar e compreender.
O America’s Team, amado e odiado quase na mesma proporção, vive alguns dias turbulentos, afastado sistematicamente dos playoffs. Agora, no Texas, onde o futebol americano é a religião nº 1, o culpado já não é apenas Tony Romo. Numa franquia habituada a grandes feitos, a ausência dos mesmos torna os ânimos irascíveis, com os dedos acusatórios a procurarem outros culpados para diabolizar. O nome de Jerry Jones aparece , já não apenas sussurrado, como o mentor de sucessivos falhanços. O dono dos Dallas Cowboys, que gere o clube com um apego sentimental enorme, tenta ser omnipresente, controlando todos os passos e etapas porque passa a equipa. Deveria ele deixar a gestão para alguém mais habilitado? Ou Jerry Jones ainda possui o toque de Midas, capaz de escolher peças no draft capazes de revitalizarem a franquia?
Vamos analisar como correu o draft de 2014, com a subsequente nota dada aos méritos das escolhas. Já a seguir…
A Melhor Escolha
A maioria dos opinion makers afirma que foi Zach Martin. Concordo. A inclusão de um talento nato na linha ofensiva era uma decisão no-brainer. O left tackle de Notre Dame junta-se às recentes tentativas de solidificação da OL, iniciadas com Tyron Smith (2011) e Travis Frederick (2012), criando alicerces para o futuro imediato. No entanto, a melhor escolha dos Cowboys não foi essa. A melhor escolha foi…uma não escolha. Confusos? No momento em que os Cowboys estavam na sua vez de escolher no 1º round, quem acompanhou o draft em directo apercebeu-se quem era focado pelas TVs. Quem? Johnny Manziel. Não me interpretem mal. Adoro Johnny Football. Que raio, até mandei vir uma camisola dos Browns com o nome dele. Mas, naquele momento, muito do futuro imediato da franquia decidia-se. E dizer isto não é exagerado. Jerry Jones, afirmou-o, adorava escolher o quarterback. Pelo impacto que o produto made in Texas teria, junto dos fãs. Pela apólice de seguro que constituiria, com os 34 anos de Romo e as operações nas costas a levantarem algumas dúvidas quanto à sua durabilidade. Mas, naquele exacto momento, com a franquia a ter carências óbvias no roster, valeria a pena gastar a pick de 1º round num QB? A deliberação não deverá ter sido fácil mas, no final, ganhou o pragmatismo. Manziel é empolgante, mas atrairia um desnecessário circo mediático e colocaria Tony Romo sob uma pressão que poderia ser contraproducente. E ver Jerry Jones optar por Zach Martin é um sinal de que ele ainda percebe alguma coisa do que está a fazer…
A Pior Escolha
A offseason não foi favorável aos Cowboys, que viram partir alguns jogadores emblemáticos, como Jason Hatcher e, sobretudo, DeMarcus Ware. A preocupação principal, para além do reforço da OL, passava pela inclusão de sangue novo e talentoso para o necessário pass rush. A presença de Georgie Selvie e Anthony Spencer, bem como a inclusão de Jeremy Myncey, não oferece garantias totais. A equipa sabia que, face à importância das posições, os melhores defensive ends e outsiders linebackers sairiam no round 1. Escolhendo Zach Martin no round 1 obrigou, depois, a um jogo de cintura para obterem o jogador de que gostavam. Isso teve um custo. Em picks. O trade up para escolherem DeMarcus Lawrence levou-lhes a escolha de 3º round, só para subirem para a posição que era dos Redskins. Não há como prever o que aconteceria, mas a forma como o draft se desenrolou mostrou que esse movimento foi prematuro. Os Cowboys, muito provavelmente, teriam a oportunidade de escolher na mesma o jogador pretendido, se aguardassem calmamente no lugar que tinham. Não o fizeram e perderam uma pick importante, no 3º round. Só o tempo ditará a sentença sobre se este foi – ou não – um movimento correcto.
Escolha Mais Surpreendente
Devin Street, WR. Os Cowboys tinham demasiadas picks no 7º round e optaram por mais um trade up, cedendo uma dessas picks aos Lions, para subirem até ao 5º round, enamorados do receiver de Pittsburgh. Devin Street tem talento, é bastante rápido e pode fazer furor, de imediato. Geralmente isso não acontece, quando um WR vem dos rounds tardios, obrigado a lutar por um lugar num roster congestionado. Não é o caso dos Cowboys, após a saída de Miles Austin, em que apenas Dez Bryant e Terrance Williams parecem ter lugar garantido. Street pode, com um bom training camp, ser a opção 3 para o ataque, no jogo aéreo.
Nota Final
13 Valores
Foi um draft que procurou e esteve focado no essencial. E isso é sempre algo de positivo. A OL continua a ser construída, laboriosamente, enquanto a defesa tem merecido reparos, tanto na free agency como agora, com os jogadores vindos do College. O único factor potencialmente negativo foi a escolha massiva de jogadores para a defesa no último round, onde a descoberta de talento é sempre uma roleta-russa. A escolha do linebacker Anthony Hitchens foi igualmente apontada como extemporânea. O jogador, que era considerado uma late-round pick, foi eleito no 4º round. Mas entendo o porquê. Foi o MVP de Iowa e o líder da equipa em tackles (obtendo ainda 14 tackles for loss), podendo contribuir de imediato no special team e como backup de Sean Lee no interior da linha. Se – e é um se enorme – as escolhas do 7º round vingarem, o draft dos Cowboys mereceria uma nota maior. Até lá, o DE Ben Gardner, o LB Will Smith, o S Ahmad Dixon, o DT Ken Bishop e o CB/S Terrance Mitchell são verdadeiras incógnitas.






