Pode o Sonho dos Cardinals Virar Pesadelo?

João Malha 4 de Dezembro de 2014 Análises, NFL Comments
Arizona Cardinals

Pode o Sonho dos Cardinals Virar Pesadelo?

Semana após semana os Arizona Cardinals foram ganhando os seus jogos, sem grandes alaridos ou holofotes à sua volta. Talvez ninguém os tenha levado a sério. Mais cedo ou mais tarde caem, diria a maioria. Mas as semanas continuaram a passar e os Cardinals continuavam com um registo quase imaculado, apenas uma derrota, na Week 5, em Denver, por 41-20. Resultado perfeitamente aceitável tendo em conta o poderio de Manning e o seu vasto leque de wideouts. O calendário foi favorável? Nem por isso. Giants, Raiders ou Redskins não são propriamente temíveis tubarões. Mas o que dizer de Chargers, 49ers, Eagles, Cowboys ou Lions? Todos eles equipas que lutam (e alguns com fortes hipóteses) pelo playoff. E todos eles com o elo comum de terem caído aos pés dos Cardinals.

A agulha mudou. A formação liderada por Bruce Arians passou a ser vista com outros olhos. Com um registo de 9v-1d à week 11, e com Seahawks e 49ers, bastante atrasados em relação à equipa do Arizona, todos passaram a considerar os Cardinals os favoritos à vitória numa das mais competitivas divisões, a NFC West. Curiosamente, foi este o momento em que a equipa começou a cair. Duas derrotas seguidas, primeiro em Seattle e depois em Atlanta. Se a primeira se pode aceitar facilmente, a segunda levanta dúvidas que já não se colocavam. Perder com uma das mais fracas franquias da NFL num momento em que se entra no último quarto da época pode custar até os playoffs.

A verdade é que olhando para os números dos Cardinals, pouco ou nada impressiona. São o 19º ataque em termos de pontos, o 23º em jardas, o 13º em passe e o 31º em rushing. E a nível defensivo, o 13º melhor registo em termos de jardas ofensivas permitidas. A questão que se coloca é, como é possível ter sido esta a equipa que liderou a NFL ao longo de mais de metade da época? A nível individual, também muito pouco a destacar. O QB Carson Palmer está de baixa, pela segunda vez, e o seu suplente, Drew Stanton, começa a dar sinais de fraqueza depois de ter demonstrado consistência nos primeiros jogos a que foi chamado à ação. Pelo chão Ellington e pelo ar o veterano Fitzgerald lideram em termos de jardas, mas juntos somam apenas 7 TD’s, muito pouco para uma equipa que liderou a Liga durante tanto tempo.

A grande questão que fica é se os Cardinals não estarão feridos de morte para o que resta de temporada e se o sonho de liderança não se vai tornar no pesadelo de morrer na praia, sem sequer atingir os playoffs. Palmer não joga mais, Ellington lesionou-se com alguma gravidade em Atlanta e está em dúvida o seu regresso no imediato e Fitzgerald falhou os últimos dois jogos, sabendo-se que a sua ausência coincidiu com dois dissabores…

Assim, no próximo domingo, a recepção aos Chiefs assume-se como uma partida fundamental (também para os Chiefs que lutam pelo playoff) pois uma terceira derrota consecutiva poderá fazer a equipa cair para trás dos Seahawks na divisão e ver o sonho dos playoffs esfumar-se. Sim, porque ganhar a NFC parece já um sonho impossível. Com três jogos divisionais de seguida, primeiro no Midwest, contra os Rams, claramente em grande forma, a seguir a recepção aos campeões e a fechar a ida ao novíssimo Levi’s Stadium em São Francisco, não parece ridículo acreditar em outras tantas derrotas, o que até poderia atirar os Cardinals de primeiro… para último da divisão (apenas caso os Rams vençam todos os jogos… tirando uma improvável vitória em Seattle, na Week 17, tudo parece possível).

Porém, nem tanto ao mar, nem tanto à terra, mas se ser último poderá ser demais, falhar os playoffs não será nada de surpreendente neste momento. Tem a palavra Bruce Arians se não quiser ficar na história como líder de uma equipa com um dos maiores trambolhões da história da NFL.

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João Malha

Profissional da área de comunicação e marketing, e sempre ligado ao desporto, sempre me fascinou o conceito de showbiz dos norte-americanos no que toca à promoção de qualquer espectáculo desportivo. Quando em 2003, a SportTv transmitiu pela primeira vez o Super Bowl, com estrondosa vitória dos Buccaneers de John Gruden sobre os Raiders, a curiosidade cresceu e ano após anos comecei a seguir as transmissões do maior evento desportivo mundial. Mas como em tudo na vida (pelo menos na minha forma de estar), é preciso um motivo mais forte para nos agarrarmos às coisas. Uma paixão que nos alimenta. E foi isso que aconteceu em 2010, aquando da final de Miami, ganha pelos Saints frente aos Colts do lendário Peyton Manning. Nesse dia senti finalmente que aquela era a minha equipa! E o aparecimento da ESPN America ajudou a não mais largar este desporto espectacular, que sigo semanalmente. Na Week 1 da temporada 2012/2013, cumpri o sonho de ir ver um jogo dos Saints ao vivo, ao Mercedes-Benz Superdome. Não vi os Saints vencerem, mas quem sabe se não terei a oportunidade de dizer que assisti ao primeiro jogo na NFL de um dos maiores QB’s da sua história, Robert Griffin III. Ver os Saints ao vivo foi uma experiência única que me faz olhar para o desporto com outros olhos. Quero saber mais e mais sobre o jogo, a sua história, lendas, regras, tácticas, etc. Let’s play ball!!!!