Houston Texans Draft Grade

Paulo Pereira 26 de Maio de 2014 Análises, Draft, NFL Comments
Houston Texans

Houston Texans Draft Grade

Foi bom, não foi? O draft. A expectativa. A ansiedade. A frustração, quando a pick da nossa equipa não correspondeu aos anseios gerais. O espectáculo. A envolvência. O cheirinho a competição, quando ainda faltam 4 longos meses. Mas acabou. Num ápice, o draft de 2014 veio, fez-se e desapareceu. Deixou, no entanto, atrás de si um imenso rasto de sensações palpitantes. Tanto para analisar e compreender.

A primeira equipa a ter assestada sobre si os holofotes foram os Houston Texans. Detentores da pick nº 1 viram-se envolvidos em rumores sobre uma eventual trade, com cenários, à medida que nos aproximávamos do dia, cada vez mais elaborados e fantasiosos. Mantendo uma cortina de fumo sobre a sua real intenção, sabe-se agora que trade nunca terá sido uma opção. E, com a primeira escolha do draft, a franquia de Houston não foi à procura de um franchise quarterback. Nope. Foram atrás de algo mais. Um atleta que, dizem, aparece apenas de anos a anos.

Numa escala de 0 a 20, como terá sido o draft global dos Texans? Já a seguir, para desvendar…

A Melhor Escolha

Louis Nix III. Não, não escolhi Jadeveon Clowney aqui. Simplesmente, porque a sua escolha era quase consensual. O jogador, dono de um arsenal de movimentos e qualidades que o tornam num complemento perfeito a JJ Watt, tem tudo para sobressair já no seu ano de estreia, aterrorizando os quarterbacks contrários. Optei pela escolha do defensive tackle de Notre Dame porque, no round 3, foi um steal. Na maioria dos big boards, Nix aparecia como jogador de primeiro round, mas foi resvalando, preterido por outros nomes. O motivo? Não se sabe, mas pode-se especular. O tamanho de Nix, aliado ao seu peso e a algumas mazelas físicas sofridas no College, poderão ter arrefecido os ânimos dos interessados, preocupados com potenciais lesões. Os Texans não se atemorizaram e conseguem um reforço de peso (literalmente), um upgrade sobre Jerrel Powe. Nix pode ser disruptivo, um colosso contra a corrida, permitindo a libertação de quem joga ao seu lado. Uni-lo a JJ Watt e Clowney não é uma ideia excelente. É genial.

A Pior Escolha

Os Texans tinham uma quantidade enorme de picks para usar. Fazê-lo, num universo de centenas de jogadores, requer um estudo exaustivo do mercado alvo. E esse estudo não tem que coincidir, logicamente, com os que são publicados por sites especializados. Fiz este preambulo apenas para não parecer deslocado criticar uma franquia, quando a posse de informação, da parte do clube, é massiva, quando comparada com quem escreve. Mesmo assim, a escolha de um running back, para ser o backup de Arian Foster (depois da saída de Ben Tate), merecia mais do que o incógnito Alfred Blue, running back de LSU. É um facto que o sucessor de Tate foi encontrado na free agency, quando os Texans contrataram Andre Brown, saído dos Giants. Mas ter um rookie na depth chart é sempre um projecto estimulante, porque permite planear a evolução e explorar sabiamente as qualidades do jogador. Blue nunca emergiu verdadeiramente em LSU, preso atrás de Jeremy Hill (após se ter lesionado gravemente em 2012), sem pontos fortes assinaláveis, mais parecendo um mero tarefeiro do que realmente alguém que vá ajudar no jogo corrido. É uma escolha de 6º round, o que retira qualquer pressão adicional sobre a franquia, mas podia ter sido feito mais e melhor.

Escolha Mais Surpreendente

Tom Savage, claramente. Dizia-se que os Texans iriam atrás de um franchise QB. No roster, actualmente, contam com o veterano Ryan Fitzpatrick e com o popular Case Keenum, herói local. Mas a franquia foi sempre negligenciando a escolha de um jogador para a posição, parecendo mais preocupada em encontrar alternativas para outras posições. Especulou-se sobre o interesse da equipa em Ryan Mallett, backup de Brady nos Patriots e um conhecido do técnico Bill O’Brien, dos seus tempos de coordenador em Boston. Uma eventual trade ainda pode acontecer (os Patriots escolheram um QB no draft, deixando no ar a possibilidade de se estarem a precaver para a perda de Mallett), mas os Texans seguiram o seu rumo, sem desvios, no draft. Apenas no 4º round optaram por escolherem o jogador. Tom Savage viu o seu stock, antes do draft, subir bastante, com críticas positivas, sobretudo quando se referem à força do seu braço. Jogando em Pitt, Savage mostrou qualidades como pocket passer, mesmo atrás de uma OL que nunca o protegeu. Parece, nesta fase, um projecto a médio-prazo, ainda cru, mas com todas as intangibles que as franquias adoram, para a posição. Se alguém esperava uma escolha mais glamourosa (AJ McCarron, Aaron Murray, Derek Carr) enganou-se redondamente. Os Texans mostraram uma personalidade vincada, provando que sabem como trilhar o caminho que escolheram.

Nota Final

15 Valores

Um draft sem nada de decepcionante a apontar. Os Texans não correram riscos, não elegendo jogadores com red flags comportamentais. Optaram, conscientemente ou não, por jogadores defensivos bastante altos (Clowney, que joga como linebacker, é o mais alto da unidade, com 6’5’’), mantendo sempre o rumo que tinham traçado. Um exemplo?A franquia tinha Tom Savage catalogado como escolha de 4º round. Foi apenas aí que o escolheram. Sem riscos e sem colocar nada em causa. Um óptimo draft, que deu ainda um novo nome para a posição de tight end: CJ Fiedorowicz. Um big body que pode ser um par interessante para Ryan Griffin.

Lista de Escolhas

Round 1, Pick 1: Jadeveon Clowney, DE, South Carolina
Round 2, Pick 33: Xavier Su'a-Filo, OG, UCLA
Round 3, Pick 65: CJ Fiedorowicz, TE, Iowa
Round 3, Pick 83: Louis Nix III, NT, Notre Dame
Round 4, Pick 135: Tom Savage, QB, Pittsburgh
Round 6, Pick 177: Jeoffrey Pagan, DE, Alabama
Round 6, Pick 181: Alfred Blue, RB, LSU
Round 6, Pick 211: Jay Prosch, FB, Auburn
Round 7, Pick 216: Andre Hal, CB, Vanderbilt

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.