Washington Redskins: A Temporada à Lupa
Maior Surpresa
O colapso. Os Washington Redskins pareciam um daqueles edifícios, que se vê nas imagens dos telejornais, a ser implodido. Tudo veio abaixo, com estrondo. Depois do forte final da regular season do ano passado, que deu direito a conquista da divisão, pela primeira vez nas duas últimas décadas, os Redskins pareciam fadados ao sucesso. Franchise quarterback? Check. Franchise running back? Check. Linha ofensiva competente? Check. Retorno de Brian Orakpo, o melhor jogador da defesa? Check. Mas, afinal, o que aconteceu, para passarem de 10-6 para humilhantes 3-13, num curto espaço de meses? Tudo começou no joelho de Robert Griffin e, como num novelo de lã, que se vai desenrolando, atrás de um desastre veio outro. E depois outro. E mais outro. A temporada teve custos, com Mike Shanahan a perder o emprego, substituído pelo novo golden boy em Washington: Jay Gruden.
Maior Desapontamento
Os Jets foram substituídos, em 2013, nas parangonas diárias nos jornais. A franquia de NY, habitualmente na ribalta dos acontecimentos mediáticos, tem vivido sufocada em atenção, numa espécie de atmosfera circense caótica. Mas, nesta temporada que agora findou, os Redskins usurparam o seu lugar. Mesmo com um locker room solidário com a equipa técnica, a especulação abundou, com as histórias – inventadas ou não – a chegarem à imprensa, em formato de folhetim novelesco, envolvendo supostas birras de prima-donna, relações azedas entre os Shanahans e RG3, passando por um suposto preferencialismo presidencial em relação ao quarterback. Num espaço de meses, o futuro risonho que parecia ao alcance da franquia de Washington, deu lugar a um pesadelo tremendo, onde cabeças rolaram no final da época. Foi um circo.
Maior Necessidade
Jay Gruden, agora empossado como head coach e na sua primeira aventura a solo, terá um árduo trabalho pela frente para reconstruir um roster com carências visíveis, sobretudo na secundária (se bem que exista alguma esperança na qualidade de Bacarri Rambo, que passou a temporada lesionado), num pass-rushing lineman (Stephen Bowen pode ser uma vítima do cap space, face ao histórico de lesões), na OL (Chris Chester pode ser igualmente uma baixa na free agency) e no corpo de receivers. Gruden iniciará a nova época pressionado, sobretudo pela inconstância visível em Dan Snyder, o dono da franquia, que corta laços com os treinadores com demasiada regularidade (Gruden é o 6º técnico na era Snyder). Talvez a maior necessidade seja a de desenvolvimento de RG3, franchise quarterback da equipa e por quem pagaram o resgate de um rei. Gruden terá que revitalizar o ataque, usando ou não a red-option, de forma a conseguir impor-se na sempre competitiva NFC East.
MVP
Wide receiver Pierre Garcon. Garçon bateu o recorde da franquia, terminando a temporada com 113 recepções, que dão bem conta da dependência dele no jogo aéreo, mas também da consistência do seu jogo, mesmo num campeonato onde o ataque dos Skins foi sempre uma pálida cópia do ano anterior. Ele é um daqueles jogadores que joga com emoção e paixão, sempre intensamente envolvido no ataque e nas jogadas. A equipa capitalizou essa maneira vincada de jogar, com Garçon a conseguir sempre, no mínimo, 5 recepções por partida. As suas skills não se ficam, no entanto, pelos flashes no jogo aéreo, ou pelas recepções teatrais. Ele é um underrated blocker, que se sacrifica em prol da equipa, nas jogadas corridas.
Posição a Posição
Quarterbacks
Robert Griffin III foi inconsistente, depois de ter perdido a totalidade da offseason. Claramente afectado fisicamente, com reflexo na mecânica do seu jogo, nunca conseguindo aproximar-se das performances do ano anterior. O reflexo disso tudo foi visto, na recta final da temporada, preterido a favor de Kirk Cousins, que foi o titular nos últimos 3 encontros. Este mostrou igual insegurança, alternando os bons e maus momentos, nunca conseguindo elevar o seu jogo ao nível do que era expectável.2014 será de Robert Griffin III, e existe forte curiosidade em saber como Jay Gruden usará o seu QB.
Running Backs
Alfred Morris voltou a ser o destaque no jogo corrido, conseguindo 1275 jardas. O jogador, no seu 2º ano, comprovou a sua real valia, mas mostrou igualmente um lado até então desconhecido, penalizando a equipa várias vezes com fumbles comprometedores. Roy Helu era visto, no início da temporada, como um jogador capaz de ter um impacto enorme na produção atacante, um atleta que representa ameaça fora do backfield. Isso viu-se, mas de forma irregular, com Helu a não conseguir ser estável. Nota-se que o talento está lá (comparo-o a Shane Vereen, dos Patriots), mas precisa de ser mais regular nas exibições. O fullback Darrel Young, que teve um papel determinante em 2012 no sucesso do jogo corrido, foi limitado por uma colecção de lesões. Se for mantido em 2014, o grupo tem qualidade para realizar temporada sólida.
Wide Receivers
Se a avaliação ao corpo de receivers incidisse apenas na sua principal estrela, os Redskins eram uma equipa feliz. O problema é que, para além de Pierre Garçon, não há vida em Washington. Leonard Hankerson teve um início prometedor, trazendo alguma qualidade na red zone, mostrando evidentes sinais de progresso, mas perdeu parte da temporada, com nova lesão. Para a próxima temporada, algo mais terá que ser adicionado.
Tight Ends
Gosto de Fred Davis, mas o veterano parece estar em declínio físico. Regressado de uma lesão no tendão de Aquiles, pouco acrescentou à unidade, onde brilhou essencialmente Jordan Reed, um rookie escolhido no 3º round e que foi uma verdadeira revelação no jogo aéreo. A unidade, uma das que teve melhor desempenho no ataque, contou ainda com Logan Paulsen, um sólido blocker.
Linha Ofensiva
Merecem elogios pela quota parte no sucesso do jogo corrido, mas como pass protectors a situação foi diametralmente oposta. A linha foi, quase sempre, porosa, mas nem tudo pode ser assacado ao seu jogo. Habituados a uma read-option que raramente permitia tempo aos pass rushers contrários para atingir o quarterbacks, tiveram que se adaptar ao novo estilo de jogo de RG3, com uma permanência maior no pocket. Pouco habituados ao dropback passing game, isso foi fatal, permitindo demasiados sacks e hits.
Linha Defensiva
Tiveram um desempenho modesto, nunca conseguindo introduzir pressão nas OLs contrárias. Barry Cofield foi o elemento mais destacado mas, mesmo assim, pouco disruptivo, terminando a temporada com 4,5 sacks. No total, a unidade apenas obteve 5,5 sacks, o que comprova a má prestação e falta de agressividade. Para isso poderá ter contado a perda de Stephen Bowen, por lesão, que o impediu de alinhar nos últimos 6 jogos. Algo terá que mudar, em 2014, para tornar a unidade mais efectiva.
Linebackers
A soma do talento individual não teve o esperado reflexo na produção colectiva. Ryan Kerrigan começou bem a temporada, apagando-se depois com o decorrer dos jogos. Brian Orakpo, ao invés, teve percurso diferente, com uma 2ª parte da época em grande nível. No entanto, o duo nunca conseguiu funcionar em pleno, fazendo da pressão sobre a OL uma acção intermitente. O duo interior – London Fletcher e Perry Riley – não produziu nada de relevante. Deste quarteto, apenas Kerrigan tem contrato para 2014, com os restantes 3 a serem free agents.
Secundária
DeAngelo Hall foi o rosto mais visível e explorado na secundária. No cômputo geral, safou-se com boa nota, sobretudo por ter sido ele a enfrentar os melhores receivers. As suas big plays, no entanto, não foram extensivas ao resto da unidade, que foi bastante inconsistente. Os safeties, devido à mistura de más jogadas e lesões, foram instáveis. Não se sabe bem o que os Redskins farão, em 2014, dado que a secundária mereceu a infusão de sangue novo, em 2013. Dos que entraram apenas David Amerson mostrou alguma qualidade, mesmo que de forma intermitente.
Special Team
Horrível. A unidade nunca produziu nada de assinalável, nos retornos e, em contrapartida, cedeu sempre imensas jardas – e 3 retornos para touchdowns – aos adversários. O bode expiatório? O usual. O técnico Keith Burns.
Coaching
A dupla de Shanahans – pai e filho – foi despedida. Isso, por si só, mostra o desagrado da chefia quanto ao rumo da franquia. A mesma equipa técnica que tinha levado a equipa ao inesperado título de divisão em 2012, foi depois incapaz de a preparar convenientemente para outros desafios. A franquia, fortemente penalizada no cap space (juntamente com os Cowboys) não pode fazer qualquer incursão ao mercado de free agents e, com isso, construir alguma profundidade nos sectores. No fundo, perante vários obstáculos, nunca se conseguiu encontrar a melhor forma de os contornar. Os Redskins deram sempre a ideia, em 2013, duma equipa errática, com deficiências em vários níveis. A equipa técnica não saiu bem, na radiografia da temporada.
Inspirado no original de John Keim | ESPN.com






