Atlanta Falcons: First Look 2015
Uma das equipas que este ano merece uma atenção mais pormenorizada reside em Atlanta, onde Arthur Blake tenta criar, com o dinheiro vindo da sua Home Depot, uma dinastia. A ascensão dos Falcons tem tardado, com a equipa a dar sinais contraditórios nos últimos anos, ora namorando com o Super Bowl (afastados pelos 49ers, em 2013), ora vegetando no fim da NFC South. Como em tantos outros lados, os Falcons baralharam as cartas, para voltar a dar de novo. Ou seja, quebraram os laços existentes com Mike Smith, mantiveram a confiança no general manager Thomas Dimitroff, e trouxeram um dos nomes mais empolgantes da actualidade para head coach. Dan Quinn, reputação cimentada com o fantástico trabalho feito em Seattle, moldando uma das defesas mais espantosas dos últimos anos, tem aqui a primeira grande oportunidade da sua ainda curta carreira. Quinn, sabedor do seu background defensivo, mostrou conhecimento de mercado, aceitando como seu coordenador ofensivo uma das mais jovens e promissoras mentes que pensam o ataque: Kyle Shanahan.
Começava aqui a nova aventura, um processo de reestruturação, visando tornar os Falcons uma força perene não só na divisão, mas igualmente na NFC. Qualquer projecto, se devidamente maturado, divide-se em várias camadas. A 1ª, depois de analisado o roster e identificados os seus pontos fracos, passa sempre pela free agency. A regra primária na abordagem dos Falcons foi não pagar em excesso, algo que acontece comummente no mercado de jogadores livres. Os alvos foram jogadores pouco mediáticos, mas capazes de dotarem o roster da necessária profundidade. Recapitulando:
Free Agency
- Phillip Adams, cornerback, junta-se a uma unidade onde os emergentes Desmond Trufant e Robert Alford têm vivido para as expectativas geradas;
- Brooks Reed, O’Brien Schofield e Justin Durant, não sendo nomes empolgantes, enquadram-se no cenário de low profile desejado, com os 3 jogadores a poderem contribuir de imediato para a rotatividade no corpo de linebackers. Durant, no week side e Reed, no strong side, são desde logo sérios candidatos à titularidade, juntando-se ao único nome consensual na unidade, Paul Worrilow.
- Adrian Clayborn, cujas performances nos Bucs deixaram algo a desejar, junta-se à DL, fortalecendo-a a nível de opções;
- Leonard Wilkerson, um daqueles receivers de longos braços e mãos grandes, pode contribuir de formas distintas, tornando-se um backup de Roddy White e tornando-se uma garantia de seguro, caso o nível ou o físico do veterano não atinjam os padrões mínimos exigidos.
Mas, se dizem que os bons exemplos devem ser copiados, os Falcons sabem que para se ter um roster competitivo, ano após ano, o grosso dos jogadores terá que vir do draft, desenvolvidos por eles mesmos, permitindo a criação de uma cultura de vitória que rivalize com os potentados instalados na NFL. Dan Quinn enfrentou o seu primeiro draft de forma séria, competente e conhecedora, escolhendo de forma cirúrgica e atacando a qualidade e o talento que os podem levar a outros voos. O principal objectivo, antes do evento, era conseguir um pass rusher que possibilitasse uma maior agressividade na DL. Depois, seria tempo de um upgrade nas posições de TE, RB, OL (em especial G) e S. E como correu o draft?
Draft
Sendo sempre questionável uma avaliação tão prematura, o mínimo que se pode dizer é que os jogadores foram escolhidos de forma criteriosa para encaixarem no sistema que o staff técnico pretende implementar. E os Falcons podem gabar-se, mesmo precocemente, de terem reunido um núcleo de jogadores excelentes. Por outros palavras, o draft dos Falcons permite sonhar. E muito.
- No round 1, a aposta foi em Vic Beasley, um defensive end/outsider linebacker, que trás a energia e capacidade para ameaçar os quarterbacks contrários. Verdadeiro freak, do ponto de vista físico, Beasley era um dos mais apetecidos alvos do draft, pela sua velocidade e técnica. Beasley permite aquilo que Dan Quinn provavelmente quer implementar em Atlanta: uma defesa similar à dos Seahawks, onde a disruptividade do front 7 permitirá uma man coverage na secundária.
- A pick do round 2 está ligada umbilicalmente ao que escrevi acima. O eleito, Jalen Collins, é um cornerback totalmente diferente dos que existiam no roster. Com 6’2’’, é o protótipo sonhado por Quinn, um big body que pode emparelhar com os grandes receivers que actuam na divisão, como Mike Evans ou Kelvin Benjamin. A adição de Collins ao roster permite emular exactamente o mesmo esquema testado em Seattle, um play-man coverage agressivo e inibidor para os ataques. Collins é o tipo de corner que pode desafiar o receiver na linha de scrimmage e que permite extrapolar o Cover 1 (man free) e o Cover 3 (3 jogadores alinhados no fundo, com 4 under zone).
- O round 3 pode ser considerado um steal, dado que a eleição de Tevin Coleman, um dos melhores running backs do college, é uma óptima relação qualidade/preço. Apenas com Devonta Freeman como arma apreciável no jogo terrestre, os Falcons juntam um jogador promissor, bastante veloz (4,39 nas 40 jardas), um verdadeiro game-breaker. No papel, o jogo corrido dos Falcons tem tudo para se tornar relevante, retirando pressão dos ombros de Matt Ryan.
- O jogo aéreo ganhou armas igualmente, com a eleição de Justin Hardy no round 4. Um talento underrated, Hardy parece o eleito natural para substituir Harry Douglas no slot, permitindo o uso de 3 wide receivers, com as suas capacidades como run blocker a encaixarem primorosamente no que se pretende seja um ataque eficaz e demolidor.
- No 5º round, um hot name. Grady Jarrett, defensive tackle, projectado para sair no 2º/3º round, pode ser um contribuidor de peso. Percebe-se que o jogador tenha caído no draft. Com 6'1” e 304 pounds, Jarrett não tem o tamanho ideal para o interior da linha, mas tem o atleticismo requerido para sair dela e conseguir alguma disrupção.
No fundo, este será o ano 1, após o reset. Vivendo na NFC South, os Falcons sabem que não têm tempo de maturação, uma espécie de estágio que permita um treino calibrado aos seus novos pupilos. Essa experiência terá que ser feita sobre fogo, no calor da batalha, mas com Quinn sente-se uma nova aragem de esperança numa franquia tão necessitada dela. O ataque pode – e deve – ser explosivo, finalmente com um jogo corrido que não exponha e exija tanto de Matt Ryan, mas com as armas necessárias para, no jogo aéreo, provocar mossa. Mas é na defesa que todos os olhos estarão postos. Conseguirá Quinn emular o mesmo sucesso obtido em Seattle? Teremos na génese uma nova Legion of Boom? As respostas surgirão, após o curto interregno da preaseason.
Quarterback
É, parece-me, uma competição em aberto, não existindo um nome consensual. Sam Bradford ainda recupera do torn ACL que destruiu a sua temporada de 2014. Nos OTAs, os reportes deram conta de algum desconforto de Bradford em jogadas corridas, com uma visível dificuldade de locomoção na perna operada. Kelly, tal como vez em 2013 com Foles e Michael Vick, deixará que seja a competição nos treinos a ditar o titular. O joelho esquerdo de Bradford e o seu desconhecimento do sistema ofensivo darão alguma vantagem a Mark Sanchez, que assumiu as despesas em 2014, em 8 jogos, alternando o bom com o mediano/medíocre. Logicamente que existe um investimento em Bradford, por quem os Eagles trocaram Nick Foles e uma pick de 2º round, mas Sanchez pode aproveitar as debilidades físicas do seu colega/adversário. Quanto ao resto, há óbvia curiosidade em ver a pretensa evolução de Tebow, um quarterback que foi sempre errático no passe, mas cujas skills com as pernas o tornam um produto a merecer tempo de antena.
Secundária
Um – ou O – dos calcanhares de Aquiles da equipa, viu chegar Byron Maxwell, um dos integrantes da defesa dos Seahawks. Maxwell é um upgrade imediato no posição de cornerback, tal como Malcolm Jenkins o é como safety. Restam duas posições para ser agarradas por quem as merecer. Do draft veio Eric Rowe, pick de 2º round, que terá uma feroz disputa com Nolan Carroll pelo outro posto de cornerback, sabendo-se que, na defesa nickel usada amiúde no ano passado, Carroll desempenhou a preceito uma posição híbrida, entre corner e linebacker. Para safety, para além de Earl Wolf e Jaylen Watkins, os Eagles recrutaram um nome intrigante. Walter Thurmond, também um ex-integrante da Legion of Boom, apareceu no radar depois do seu curto período em Nova Iorque, com os Giants. Thurmond, cornerback de posição, irá ser usado agora como safety, numa procura evidente de capitalizar as suas qualidades.
Linha Ofensiva
Permanecendo ainda a dúvida em relação a Evan Mathis – os Eagles quiseram trocá-lo, ou não? – a unidade começa a ser depurada. Allen Barbre, que era dado como o substituto natural de Todd Herremans no posto de right guard, começou a ser usado nos OTAs como left guard. Essa mudança gerou algum burburinho, pela questão ainda em aberto. Estarão os Eagles a preparar-se para perder Mathis, que permanece numa disputa contratual e esteve ausente destas actividades, ou a utilização de Barbre funcionou apenas como uma forma de pressão sobre Mathis e o seu braço-de-ferro? Não seria mais licito, caso a equipa espere a chegada de Mathis, deixar Barbre do lado direito, permitindo que este ganhe alguma química com o center (Jason Kelce) e o rith tackle (Lane Johnson)? A situação da OL será, tal como a de quarterback, uma das que mais atrairá atenções na preseason.
artigo inspirado no original de Phil Sheridan, staff writer da ESPN






