Washington Redskins For The Win?

Paulo Pereira 9 de Janeiro de 2016 Análises, NFC East, NFL Comentários Desligados
Washington Redskins

Washington Redskins For The Win?

Na sempre competitiva, mesmo que inconsistente, NFC East, os Washington Redskins alcançaram o título de divisão superiorizando-se aos rivais Dallas Cowboys, Philadelphia Eagles e New York Giants. O feito, mesmo alcançado com um recorde que não é memorável, contrariou as expectativas negativas, que viam na equipa de Jay Gruden, no início de temporada, o patinho feio da divisão, presa fácil para os restantes contendores. Quando se fala dos Redskins, esquecendo por momentos a polémica escolha do nome, fala-se duma franquia que vive num perene estado de caos, confusão e instabilidade. Entre este título e o último, alcançado em 2012, muita coisa se passou, mostrando que a existência de uma franquia, na capital americana, não é de fácil absorção.

Em 3 anos, arco temporal que separa os dois sucessos, eis os pontos mais significativos da existência recente dos ‘Skins:

1. A Lesão de Robert Griffin III

2012. A liga foi tomada de assalto por um rookie empolgante, rapidamente ascendendo ao estrelato, numa forma de jogar excitante. RG3 catapultou para a ribalta a read option, tornando-se a nova coqueluche da América e guiando a equipa até à terra prometida. O problema foi o joelho, debilitado por sucessivas pancadas, arriscado no jogo caseiro dos playoffs, contra os Seahawks. A ruptura de ligamentos abriu igualmente uma brecha no relacionamento do jogador com Mike Shanahan, envenenada pela lesão. Esta roubou a Griffin  a sua capacidade explosiva, retirando-lhe a dimensão extra que o jogo corrido trazia às suas exibições.

2. O Despedimento de Mike Shanahan

A temporada seguinte foi para esquecer, minada por desconfianças mútuas e trocas de acusações públicas. A dupla de Shanahans (pai e filho) apontavam o preferencialismo do dono Dan Snyder em relação a Griffin, face à relação de companheirismo incomum entre atleta e proprietário. Mesmo assim, apesar de ter perdido a offseason toda, Griffin jogou, mostrando algumas das suas capacidades, mas de forma irregular. Os reportes na imprensa davam conta dum ambiente explosivo no balneário, entre RG3 e o staff técnico e mesmo com alguns dos seus companheiros de equipa. O 3-13 final significou o bater no fundo do poço, com o bode expiatório usual, nestes casos: Mike Shanahan foi despedido, terminando o seu reinado em Washington.

3. A Contratação de Jay Gruden

Mal tinha terminado a regular season e já Snyder andava à caça do sucessor de Shanahan. Entre vários candidatos, o coordenador ofensivo dos Bengals, Jay Gruden, pareceu sempre a hipótese mais credível. Nele, Snyder gostava da capacidade de desenvolvimento dos quarterbacks (como Gruden tinha feito, em Cinccinati, com Andy Dalton), procurando que Gruden ressuscitasse a carreira de Griffin, por quem os Redskins tinham pago um resgate digno de um rei, no draft. Jovem, ambicioso, com capacidade criativa, Gruden parecia o homem certo para a empreitada.

4. A Chegada de Scott McCloughan

Insatisfeito com o rumo que a franquia tinha tomado, o presidente da equipa, Bruce Allen, que tinha trabalhado com Gruden em Tampa, resolveu contratar um general manager legítimo, capaz de desenvolver um plano para reerguer o clube, tornando-o competitivo, de forma regular. A escolha recaiu sobre um eremita, um respeitado avaliador de talentos, que infelizmente tinha soçobrado à pressão do cargo, nos tempos dos 49ers, caindo nas malhas do vicio do álcool. Reabilitado, McCloughan trouxe seriedade e profissionalismo para um posto onde habitualmente existia apenas fanfarra e truculência. Com paciência e de forma cirúrgica, o novo general manager começou a modificar a cultura vigente no balneário, adquirindo alguns veteranos com perfil de comando e desejo de vitória.

5. A Ascensão de Kirk Cousins

2015. Offseason. Gruden tem o discurso esperado, politicamente correcto, comprometendo-se publicamente com Robert Griffin, a quem torna titular. Mas, de forma subliminar, deixou passar a mensagem de que o jogador teria que elevar o seu jogo, para níveis mais consentâneos com o pretendido, sob pena de ser substituído na depth chart. Em retrospectiva, agora que sabemos como tudo se desenrolou, Gruden adoptou uma postura perfeita, apostando em Griffin, mas ciente de que este, nas condições actuais, não seria uma escolha consensual como pocket passer. A realidade veio dar-lhe razão e, ainda antes do início da regular season de 2015, Cousins ascendeu à titularidade. A opção foi recebida com agrado, no seio da própria equipa, mostrando que mesmos os colegas tinham perdido a fé nas capacidades de RG3. Cousins teve um período de adaptação turbulento, revelando progresso, mas também um decision making questionável. A 1ª metade da temporada foi uma montanha-russa de emoções, com uma má exibição a seguir-se a uma aceitável. Sob uma chuva de críticas por parte da impiedosa imprensa de Washington, ficou imortalizado o episódio de Kirk Cousins, após um jogo em que passou para 4 touchdowns, a gritar, na zona de acesso aos balneários, perante os microfones e câmaras de televisão, um explosivo “You like that?”, numa alusão aos comentários anteriores pouco abonatórios. Foi também o ponto de viragem, com uma melhoria evidente no seu jogo, com 20 TDs e apenas 3 INTs, nos últimos 9 jogos da temporada.

6. O Futuro

É difícil fazer futurologia, na NFL, uma competição que se auto-regula e que, por isso, tem quedas abruptas e ascensões inesperadas. Mas estes Redskins parecem estar no bom caminho, existindo enorme curiosidade sobre o trabalho de McCloughan, na sua 2ª offseason. Antes disso, a franquia terá que decidir o que fazer com Kirk Cousins, que está no final do seu contrato e aguarda um vínculo contratual com dinheiro condizente, para um quarterback que está nos playoffs. Subsistem dúvidas ainda sobre a sua real valia, o que pode criar um impasse entre equipa e jogador, nas negociações. Estarão os Redskins dispostos a pagar valor anuais acima dos 16/17 milhões, comprometendo o futuro a médio prazo, com Cousins aos comandos da equipa? Caso o negócio não avance, dificilmente Cousins sairá da capital. A franchise tag, arma a ser usada apenas em último recurso, permitirá ao clube não perder um jogador que joga na mais importante das posições, mesmo que isso represente pagar, por apenas um ano, um valor acima dos 20 milhões. Com um novo draft e free agency atacados de forma criteriosa, a equipa poderá, em 2016, defender o seu título. Para já, conta com um ataque com capacidade explosiva e com playmakers como DeSean Jackson e Pierre Garçon, com um jogo corrido consistente (Alfred Morris e Matt Jones), com um tight end emergente, jogando a um nível de elite (Jordan Reed) e com uma apreciável linha ofensiva, onde apenas a posição de center, a cargo de Kory Liechsteiner, é um factor de fraqueza. Na defesa, Preston Smith e Trent Murphy dão mostras de valor, com Breshaud Breeland a aparentar, a cada jogo, poder ser o shutdown corner desejado. Com um núcleo duro de veteranos, faltam apenas algumas peças para dotar a franquia de poder de fogo para almejar algo mais do que apenas uma participação esporádica nos playoffs.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

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