College Football 2015: Week 10

Paulo Pereira 12 de Novembro de 2015 Análise Jogos College, College Comentários Desligados
Baylor

College Football 2015: Week 10

Ah, o doce sabor de um Sábado à antiga. Um Sábado de college, mas com tanto jogo decisivo, criando aquela sensação fervilhante de ansiedade e nervosismo, olhos colados à televisão, os dedos dedilhando o teclado do computador, à caça de um stream de boa qualidade. E depois, mais outro. E outro. Foi também a oportunidade de ver as equipas em competição pela primeira vez, após a publicação do ranking que mais importa. O do comité destinado a apurar os 4 finalistas para os playoffs. O que é que se pode dizer de um dia assim? Que há muito para dissecar. Bastou sair o 1º ranking do comité responsável pelo apuramento dos 4 finalistas para se instalar o caos. Pressentia-se que o sábado, pelos jogos que tinha em cartaz, poderia produzir uma mão-cheia de surpresas. Não fomos defraudados. Antes de se iniciar a jornada, existiam 11 equipas invictas, um número anormalmente elevado para Novembro, quando já ultrapassamos a metade da competição regular. Depois da jornada, praticamente metade dessas equipas perdeu. Foram 5, que viram os seus sonhos estilhaçados, de diferentes modos, mas sentindo na mesma a amargura da derrota. Capitalizando essas derrotas, algumas das equipas que tinham uma derrota ganharam um novo fôlego, podendo galgar uns lugares na classificação. Vamos lá desvendar o que aconteceu…

  • Baylor jogou na 5ª feira à noite e tinha muito com que lidar, de forma que o seu 6º lugar no ranking referido acima era a menor das suas preocupações. Desde logo, o jogo contra Kansas State era difícil, fora de portas. Depois, o rude golpe de terem perdido Seth Russell, o quarterback que tão boa conta vinha dando de si. Assim, as premissas para o encontro eram reduzidas à expectativa de ver como Jarrett Stidham se comportava. O freshman foi lançado às feras, num sistema ofensivo que privilegia o passe, estreando-se a titular pela 1ª vez. E safou-se. Bastante bem, por acaso, como atestam os 23 em 33, as 419 jardas e os 3 passes para TD. Num jogo exigente, Baylor saiu vitoriosa, por 31-24, mantendo a invencibilidade e, mais importante, mostrando que a equipa não se ressentiu da perda de um jogador importante. Stidham terá ainda as suas dores de crescimento, mas na primeira aparição mostrou enorme equilíbrio no pocket, permitindo que a afiada máquina atacante não sofresse nenhum percalço. A sua empatia com Corey Coleman, um dos mais explosivos wide receivers da prova, foi excelente. Coleman esteve imparável, sendo o alvo predilecto de Stidham, com 11 recepções, 216 jardas e 2 touchdowns. E, com os resultados que aconteceram no sábado, Baylor sai da jornada como uma das principais beneficiadas, aproveitando as derrotas de LSU e TCU.
  • Continua o encantamento, cá por casa, por Matt Johnson, quarterback de Bowling Green. Provavelmente, o jogador não terá possibilidade no draft, mas enquanto dura a sua presença no mudo universitário, há que degustar das suas habilidades. Contra Ohio, mais 4 passes para TD e uma exibição imperial. Pode-se até menosprezar a competitividade da MAC, a conferência onde Bowling Green está, mas as qualidades do jogador não enganam. É craque!
  • A jornada de sábado iniciou-se com um apetecível Clemson versus Florida State. Clemson, como sabem, é o actual nº 1 da competição, mas tinha nos Seminoles uma espécie de pedra no sapato, uma besta negra incontornável. Já aqui o tinha referido, anteriormente. Clemson tem, continuamente, equipas talentosas, num programa futebolístico gerido de forma sábia por Dabo Swinney, mas não conseguia ultrapassar o estigma de Florida State. Numa analogia com a NBA, a situação fazia-me recordar dos Bulls de Michael Jordan, nos tempos iniciais, que esbarravam sempre na oposição dos Detroit Pistons, nos playoffs. Até ao dia em que os venceram e, com isso, assumiram o direito ao trono. Com Clemson pode passar-se o mesmo. A equipa, num jogo transcendente, venceu os Seminoles, sabendo desta feita ultrapassar as dificuldades que surgiram. Alguém acreditaria que a Clemson de anos anteriores sobreviveria aquele início de jogo, com Dalvin Cook a conquistar 111 jardas em apenas 2 corridas, marcando um TD? Sinceramente, pensei que não. Quando vi Cook a passar, como faca por manteiga quente, pela oposição da defesa de Clemson e a correr 75 jardas para inaugurar o marcador, pensei que seria a repetição de anos anteriores. Estava enganado. Florida State não marcou mais nenhum TD, até ao final do encontro. Aqui há que saber, também, dividir o que aconteceu entre mérito de uns e demérito de outros. A OL dos Seminoles é nova, ingénua e isso paga-se, dentro de campo. A OL acumulou inúmeras penalidades, custando jardas preciosas e dando sempre segundos e terceiros downs manejáveis ao adversário. Até ao intervalo, no entanto, os Seminoles venciam por 10-6 e Clemson parecia presa nos fantasmas do passado. Os erros acumulavam-se, como num fake punt ensaiado com sucesso, mas revertido por conta de uma penalidade, ou no spike feito num 3º down, de forma tão patética, que retirou a possibilidade de marcar mais pontos. O que aconteceu ao intervalo que modificou o status quo? A alteração introduzida por Dabo Swinney, tornando o seu quarterback Deshaun Watson num corredor. Watson é um prolífico passer, não um daqueles protótipos habituais de QBs do college, que correm primeiro para lançar depois. Mas o head coach vislumbrou que as skills do seu jogador podiam ser úteis, dado que os Seminoles entupiam o centro do terreno, procurando parar o jogo corrido, mas tinham debilidades nos flancos. E foi por aí que, uma e outra vez, Watson esticou as drives, dando sempre boa posição no terreno, na 2ª metade, para acumularem pontos. As suas 106 jardas no solo foram preciosas, como foi também, já no 3º período, o seu passe (um screen) para Deon Cain marcar um TD que os colocou à frente, pela 1ª vez. Mas foi na drive seguinte, iniciada na linha de 8 jardas, que Clemson mostrou um sinal de maturidade e diferença para os anos anteriores. Sem nervosismos, pese a má situação no campo e a pressão adversária, a drive desenvolveu-se com paciência, centrada no tight end Jordan Leggett, conquistando ganhos significativos e permitindo marcar um field goal que os colocou a salvo de surpresas. O 23-13 final coloca a equipa como principal favorita na ACC e, claro, permitirá a manutenção do exigente, mas saboroso, 1º lugar do ranking.
  • Clemson, nº1, Alabama, nº 4 e Oklahoma State, nº 14, foram os grandes vencedores da jornada. Toledo, na noite de 5ª feira, LSU, TCU, Michigan State e Memphis, no sábado, saíram do lote de invictos, acumulando derrotas que, em alguns casos, foram inesperadas. Toledo frente a Northern Illinois, LSU esmagada por Alabama (e com Leonard Fournette desaparecido, obliterado por Derick Henry no jogo corrido), Michigan State contra Nebraska, no último minuto e num jogo envolto em polémica arbitral, TCU vencida no duelo com os Cowboys e, finalmente, Memphis, uma das refrescantes histórias da época, frente a Navy e ao seu massacrante jogo corrido, com Keenan Reynolds como cabeça de cartaz. Os sobreviventes, sem nenhum desaire acumulado, são:
  1. Clemson, que finalmente venceu a sua besta negra, Florida State;
  2. Baylor, com crucial vitória on the road frente a Kansas State, no dia em que estreou um freshman como quarterback;
  3. Iowa, ainda a passar despercebida e abaixo do radar de muita gente, mas realizando temporada notável;
  4.  Oklahoma State, com a vitória contra TCU a surgir como o ponto alto da temporada, reivindicando maior atenção dos media e, claro, assumindo sem complexos a possibilidade de ser um dos finalistas;
  5. Houston, com um ataque empolgante, de quem já falei em artigos passados.
  • Ohio State continua a ser Ohio State. Uma equipa intrigante, com um potencial aparentemente ilimitado, mas cujas exibições não convencem ninguém. Com JT Barrett suspenso (impressionante o nível de irresponsabilidade do quarterback, numa altura crucial da competição), coube a Cardale Jones tomar as rédeas do ataque. Jones, que foi uma agradável revelação na corrida que os Buckeyes encetaram nos playoffs do ano anterior, rumo ao título, nunca mais se aproximou desse nível, e voltou a demonstrar dificuldades no embate contra Minnesota. Ohio State acabou por vencer, depois de não ter marcado nos primeiros 25 minutos do encontro. O resultado favorável final de 28-14 resultou de um TD de Jones, no 4º período, colocando o jogo fora de alcance para o adversário. E agora, resta aguardar para o que aí vem. Depois de um aquecimento, contra Illinois na próxima semana, teremos embates cruciais para as aspirações contra Michigan State e Michigan. Se vencerem, terão encontro marcado na final da Big 10, contra Iowa.
  • Alabama mostrou, se ainda fosse preciso, que é uma dinastia. Quando perdeu contra Ole Miss rapidamente lhe fizeram o enterro, com críticas exaustivas à equipa e à perda de protagonismo no recrutamento. Nick Saban tratou de mostrar que, nesse capítulo, não pede meças a ninguém. Mesmo com um titubeante Jake Coker como quarterback, claramente um dos piores na posição nos anos mais recentes de Crimson Tide, a equipa soube reerguer-se desse desaire e voltou a dominar a SEC, com punho de ferro. O embate caseiro contra LSU era amplamente aguardado, não só pela invencibilidade da armada de Les Miles mas, sobretudo, pela presença na equipa do impressionante Leonard Fournette. Mas a DL de Alabama foi tremenda e a run defense fez Fournette, o principal candidato ao Heisman, capitular, como nunca se tinha visto, conseguindo medíocres 31 jardas em 19 corridas. Do outro lado, Derick Henry, subestimado na imprensa, voltou a ser o de sempre. Um monstro explosivo no solo, aproveitando cada brecha para fazer mossa. O running back de Alabama somou novo jogo acima das 200 jardas, marcando por duas vezes e cavando um fosso no marcador irrecuperável. LSU foi batida em toda a linha, de forma humilhante, e 'Bama enviou uma mensagem à nação. Eles são, provavelmente, o candidato principal ao título. Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos, sobretudo o encontro contra Auburn, inimigo figadal.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

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