Necessidades das Equipas: Denver Broncos
Se existem derrotas dolorosas e difíceis de digerir, os Denver Broncos sabem qual a sensação. A equipa parecia encaminhada para disputar a final de conferência da AFC no seu próprio terreno, tornando-se potencial candidata a vencer o Super Bowl. Depois do affair Tim Tebow ter sido enterrado e esquecido, o reinado de Peyton Manning nos Broncos tinha tudo para se iniciar em grande estilo. Uma equipa fortalecida, com um roster repleto de qualidade, tornando-a eminentemente ameaçadora para qualquer rival. O que falhou então? Um mero momento. Um erro colossal. No jogo dos playoffs, com os Ravens, o estádio celebrava já uma vitória que parecia garantida. Faltava perto dum minuto para o final. Os Broncos lideravam por 7 pontos. O adversário estava na própria linha das 20 jardas. Tudo se encaminhava para que a equipa de John Fox vencesse o encontro. Mas de nada valeu a série de 11 vitórias consecutivas, quando o safety Rahim Moore permitiu a recepção a Jacoby Jones, no passe de 70 jardas de Flacco. De forma inacreditável, os sonhos ruíram quando o jogador teve um lapso de concentração, permitindo que naquela jogada o receiver recebesse a bola, sem ninguém a estorvá-lo até à goal line. O que teria sido destes Broncos se Moore tivesse cumprido com competência o escrutinado?
É essa a pergunta que martelará a mente de adeptos e responsáveis pela franquia, angustiando-os face a um futuro de sucesso que parecia tão perto. Resta agora à equipa de Denver ultrapassar o fatídico encontro, encontrando capacidade psicológica para se tornar novamente naquilo que muitos profetizam. Um dos mais sérios contendores a vencer a competição, em 2013.
O que precisam os Broncos para atingir o êxito? Desde logo perceberem que a janela de oportunidade é curta, não tendo mais do que dois anos para almejarem o triunfo. Manning deu provas de que mantém totalmente intactas as suas faculdades. Mas fará 37 anos. E isso deverá motivas a franquia a apostar as fichas todas em 2013. Com a pick 28 no próximo draft, é esperado que o reforço do roster venha da free agency, limando as poucas lacunas existentes. E quais são essas?
Running Back
Alguns sites e fóruns afectos às cores dos Broncos têm avançado com a possibilidade de reforço no sector. Willis McGahee teve uma lesão grave (a 2ª na sua carreira, depois da que teve na final da NCAA em 2011, ao serviço dos Hurricanes de Miami), mas foi devidamente substituído por um ressuscitado Knowshon Moreno. Como profundidade no corpo existe ainda o rookie Ronnie Hilman e Jacob Hester, ambos com boas performances, nas poucas vezes em que foram utilizados. Por isso, reforçar o quê, especificamente? Só parece viável se McGahee tiver a sua recuperação comprometida ou se existir uma alternativa barata na free agency, para as short-yardage situations. A posição encerra bem o paradigma destes Broncos: equipa sólida e a necessitar de meros reparos cosméticos.
Wide Receiver
Quando Manning foi resgatado da free agency, no ano passado, existiu a clara intenção de dotar o ataque com armas suficientes para aproveitar as suas qualidades. Eric Decker e Demaryius Thomas cresceram bastante com a presença do veterano QB, enquanto Brandon Stockley e Jacob Tamme, antigos colegas nos Colts, conferiram a necessária empatia inicial. Mas Stockley, que foi excelente como slot, tem 36 anos. E num mercado que pode fervilhar com a presença de Wes Welker (caso não lhe seja aplicada a franchise tag pelos Patriots), Mike Wallace e mesmo Percy Harvin (fazendo fé nos rumores que aventam a possibilidade duma trade com os Vikings), os Broncos podem fazer um esforço financeiro para contratarem um big name. É que, conforme disse acima, Manning terá mais 2 anos, no máximo, como atleta de qualidade superior. Os Broncos não deverão, nesta fase, optar pelo crescimento sustentado que o draft permite, ansiosos que estão para validarem a aposta de Manning e a chegada ao Super Bowl.
Defensive Tackle
A defesa, no primeiro ano com o coordenador Jack Del Rio, esteve globalmente excelente. Os dois defensive tackle titulares – Kevin Vickerson e Justin Bannan – foram competentes nos seus papéis, mas são ambos free agents. Também aqui os Broncos podem optar por nada fazer, limitando-se a renovar contratos com os atletas ou, em alternativa, rejuvenescerem a posição. Com um draft assumidamente rico em jogadores para o posto, é equacionável que o recurso a rookies seja feito aqui. A dois meses do draft será especulativo avançar nomes, dado que o Combine poderá alterar o status dos atletas, mas vários mocks colocam a equipa na órbita de Kawann Short (DT de Purdue) ou Johnathan Jenkins (DT de Geórgia). Importante será que o eleito seja um run-stuffer de qualidade.
Middle Linebacker
Uma das posições-chave no esquema 4-3, carece também de rejuvenescimento. Keith Brooking jogou de forma satisfatória, mas tem 37 anos. Na free agency existe um fruto apetecido. Dannell Ellerbe, campeão pelos Ravens e digno successor de Ray Lewis. O draft tem também o seu quinhão de jogadores com talento, se bem que aqui existam os problemas extra-campo para assombrar a aposta. Nomes como Manti Te’o e Alec Ogletree são sinónimo de habilidade, mas com preocupantes questões de carácter.
Secundária
Nada haveria a dizer em relação à secundária…não fosse o jogo com os Ravens. Champ Bailey, futuro Hall of Famer, foi humilhado por Torrey Smith e Jacoby Jones. Rahim Moore saiu do jogo como o bode expiatório da derrota, permitindo um lance caricato e criticável, num erro típico de principiante. Posto isto, existe motivo para alterar alguma coisa? Champ Bailey, mesmo atingindo em Junho os 35 anos, continua intacto no seu patamar de qualidade. Chris Harris e Tony Carter são promissores. A questão que se coloca aqui é a da ambição. Irão os Broncos atrás de Darrelle Revis, aproveitando a abertura manifestada pelos Jets para uma troca? O movimento faz algum sentido, com Revis a ser um upgrade imediato na unidade e a colocar a equipa claramente focada no quesito Super Bowl. Uma adição de outro safety, concedendo profundidade ao grupo, é um movimento com lógica.
É pois com ansiedade que se aguarda a estratégia de John Elway e Cª. Uma coisa parece certa, salvo lesão em algum jogador nuclear (leia-se Peyton Manning). Estes Broncos serão um osso duro de roer, em 2013, aconteça o que acontecer até ao início da regular season.




