A História de um Divórcio, by Carolina Panthers

Paulo Pereira 25 de Abril de 2016 Equipas NFL, Jogadores, NFL Comentários Desligados
Carolina Panthers

A História de um Divórcio, by Carolina Panthers

Quando acaba o Super Bowl nós, os fãs, sabemos com o que contamos. Longos 7 meses de abstinência, dificilmente suportados pelas contratações da free agency e pelos highlights do draft. É pouco e é enfadonho, a maioria das vezes. No entanto, em 2016, toda a gente parece disposta a surpreender-nos. Primeiro, foram os Rams que, pesando os prós e contras, entraram numa trade com os Titans que os coloca no controlo do draft, com a pick nº 1. Depois, os Eagles. Os mesmos que na free agency renovaram com Sam Bradford e com o seu provável backup, Chase Daniels, a quem deram 7 milhões/época, num contrato de 3 anos (com 12 milhões garantidos), resolveram avançar num trade up e hipotecaram o futuro imediato, subindo para o posto nº 2 do draft. Ainda procurávamos gerir este corrupio de emoções, percebendo quem saiu vencedor destes avanços e recuos, quando explodiu nova notícia. Inesperada. Imprevisível. Os Panthers, que tinham colocado o seu mediático cornerback Josh Norman sob a franchise tag, impedindo-o de atingir a free agency, reverteram o movimento, retirando a oferta, ainda por assinar, e deixando Norman sem contrato. O movimento pressupõe, nas entrelinhas, que as negociações encetadas entre as duas partes chegaram a um ponto de não retorno. A franchise tag é a derradeira ferramenta que as franquias podem usar, impedindo jogadores de high profile de saírem no mercado de jogadores livres e serve, fundamentalmente, de tampão temporário. O jogador que é “tagado” quer é um comprometimento de longo prazo, preferencialmente com vários zeros à direita de um número gordo. E a equipa quer igualmente uma segurança contratual, dividindo os pesados ordenados em vários anos. Por isso, esperava-se que a franchise tag dos Panthers/Norman, fosse apenas uma espécie de pontapé de saída nas rondas negociais, com um novo acordo a chegar lá para o Verão, boa nova a ser anunciada no training camp.

No entanto, como se constata, nada disso aconteceu. O general manager Dave Gettleman manteve-se fiel aos seus princípios, fortemente crente numa filosofia que acredita que se vence na defesa pressionando o quarterback oposto com o front seven. E, devoto dessa sabedoria, prefere gastar o big money nessas unidades, com enfoque no front four. Logo de início, existiu uma clivagem entre os valores que Norman almejava, vindo de temporada fantástica, onde se assumiu como um dos melhores na função, e aqueles que Gettleman estava disposto a pagar.  Norman, auto considerando-se de elite, queria algo entre os 15/16 milhões por ano. Gettleman, férreo na determinação, oferecia perto dos 11 milhões, um valor substancialmente inferior não só ao pedido pelo atleta, mas igualmente menor do que o obrigatoriamente pago pela franchise tag, que era de 13.952 milhões/ano.

O rumor, infundado ou não, de que Norman faltaria aos primeiros trabalhos da offseason, que se iniciarão na próxima semana, levaram a um radicalismo pouco visto e despoletaram este divórcio. Gettleman, conservador na protecção do ambiente no roster, optou por não querer distracções, que seriam sempre criadas caso o holdout de Norman se estendesse até ao training camp. E, agora mais do que nunca, fazem sentido as suas palavras, proferidas no último mês, quando os donos das franquias se reuniram no habitual encontro anual. Nessa altura, sem contexto associado, a frase proferida parecia apenas um lugar-comum, destinado a preencher qualquer lacuna nos jornais.

Every signing that I make, especially big signings, sends a message downstairs [to the locker room]. I have to think about it.

E ele pensou. Muito.

Numa espécie de balança virtual, se a equipa cedesse às pretensões de Norman, pagando os tais 15/16 milhões por ano, o cornerback ficaria a ser um elemento principescamente pago, bem acima do que a franquia paga a Luke Kuechly, o middle linebacker que é, inquestionavelmente, o melhor jogador defensivo e aufere 12 milhões/ano. Dar o que Norman pretendia viria sempre a ter custos acrescidos num futuro a curto prazo, quando Kuechly, ou outros, exigissem o mesmo tipo de atenção financeira. Norman tem ainda um estigma, que é provar que a temporada de 2015 não foi apenas um ano maravilhoso, sem seguimento. Com 29 anos, o cornerback atingiu apenas um Pro Bowl, precisamente fruto do seu desempenho em 2015, faltando saber se o nível patenteado terá carácter regular.

Nos Panthers, com Gettleman, já se sabe as exigências salariais são um braço-de-ferro de resultado previsível. Os 15-1 da regular season passada foram obtidos, se nos quisermos debruçar apenas sobre a secundária, com Norman a auferir 1,6 milhões. Por isso, colocando-nos momentaneamente na pele de Gettleman, porque pagar tanto a Norman, agora, se no passado, quando outros elevaram a fasquia do que pretendiam ganhar (Captain Munnerlyn e Mike Mitchell, por exemplo), foram deixados sair? A prioridade nunca foi Norman, ainda na filosofia vigente do general manager que, finda esta distracção, tratará do que considera prioritário: dar novo contrato a uma das estrelas emergentes da equipa, o defensive tackle Kawann Short, um dos tais elementos do front four.

Neste deve e haver, será prematuro apontar vencidos e vencedores, mas Josh Norman atinge a free agency numa fase moribunda desta, quando a maioria das equipas já escolheu os seus alvos e não tem cap space disponível. Restam ainda algumas opções, como os Browns, os Jaguars ou os 49ers, que poderão sempre fazer o investimento exigido por Norman. Mas, agora, a vantagem negocial do jogador já se esgotou e dificilmente conseguirá, pela exiguidade de opções, os valores que pedia aos Panthers. Estes, por sua vez, perdem a sua principal estrela na secundária e terão, muito provavelmente, que encontrar o seu substituto via draft, mas mesmo aí os nomes mais consensuais – Jalen Ramsey, Vernon Hargreaves III ou Eli Apple – não deverão estar em jogo, quando chegarmos à pick nº 30. Será interessante acompanhar os próximos desenvolvimentos deste folhetim novelesco [UPDATE: Norman tornou-se, entre a realização deste artigo e a sua saída, no cornerback mais bem pago da NFL, assinando contrato com os Washington Redskins e recebendo, garantidos, 36.5 milhões].

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

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