A View From the Bay: A Matter of Flag

Hugo Taxa 30 de Agosto de 2016 Equipas NFL, NFL Comentários Desligados
Colin Kaepernick

A View From the Bay: A Matter of Flag

A grande expectativa para esta off-season era a batalha pela titularidade da posição de QB entre Gabbert e Kaepernick. A dúvida era se Gabbert iria continuar o seu percurso, ressuscitando a sua carreira depois dos seus 3 anos olvidáveis em Jacksonville, ou se Kaepernick, depois das más exibições e de vários problemas físicos na temporada transacta iria provar que as más exibições eram apenas fruto dos referidos problemas físicos, e inverter o notório declínio na sua carreira.

Chip Kelly, pelo menos aparentemente, tentou fazer com que a competição fosse o mais equilibrada possível, ao dividir o número de repetições com os titulares de ataque entre os dois QBs exactamente ao meio. No entanto, no final da primeira semana de training camp, um problema com o ombro esquerdo de Kaepernick (ele é destro) impediu que este fizesse passes durante 11 dias e falhasse os dois primeiros jogos de pre-season, contra os Texans e os Broncos. Esta passada sexta-feira, contra os Packers, Kaepernick estreou-se na temporada de 2016, e a realidade não é bonita: 2 passes completos em 6 tentados para 14 jardas, e 4 corridas para 18 jardas. A primeira jogada até deu alguma esperança – após se movimentar dentro do pocket, escapando à pressão, Kaepernick encontrou Vance McDonald do lado esquerdo para um ganho de 2 jardas, numa jogada em que tradicionalmente Kaepernick teria atirado a bola para fora o desatado a correr. Depois de uma corrida de Carlos Hyde que rendeu 1 jarda, Kaepernick fez um bom passe para DeAndre White, para 12 jardas e um primeiro down – o seu único de todo o encontro. Três passes incompletos seguidos – dois deles derrubados por defesas por não terem a altura suficiente – Kaepernick tradicionalmente confia muito no seu braço e lança “tiros” em vez de “bombas” – mataram essa drive. Nas outras duas drives, duas three-and-out, as 4 corridas de Kaepernick foram facilmente mitigadas pelos Packers, com uma read-option a redundar numa perda de 3 jardas, e uma outra corrida em que Kaepernick é apanhado por detrás. Os Packers (e o resto da liga) já conhecem o “truque”.

Comparativamente, Gabbert não esteve muito melhor: 2 em 3 para 14 jardas e 2 corridas para 15 jardas; mas em uma das suas duas drives conseguiu levar os 49ers até ao seu único TD do encontro.

Christian Ponder – à conta de quem há vários anos brinco com o Paulo Pereira aqui do Blog, porque sempre me pareceu um QB injustiçado em Minnesota – que tinha mostrado uns fogachos no jogo contra os Broncos apenas 4 dias depois de ser contratado, apenas entrou em acção quando faltavam 9 minutos para o final do encontro e ainda conseguiu ser interceptado. Talvez tenha perdido aí a sua oportunidade de se manter nos 49ers. Assim, na realidade não chegou a haver qualquer competição – o problema no ombro de Kaepernick que fez com que ele perdesse 11 dias acabou por ditar o desfecho, e apesar de nesta altura Kelly ainda não ter anunciado o QB titular, só uma verdadeira hecatombe poderá impedir Gabbert de alinhar na primeira snap no dia 12 de Setembro no LA Coliseum.

No meio dos problemas habituais do ataque dos 49ers, a defesa deixou-me severamente preocupado. No primeiro quarto, e apesar de alguns titulares não terem jogado – em especial Navorro Bowman – cedeu demasiado em 3rd Downs (3 em 4) e 4th Downs (1/1). A tendência manteve-se durante o resto do jogo, e os números finais apoquentam – os Packers conseguiram converter 7 em 20 3rd Downs e 5 em 6 4th Downs. Com a tradicional velocidade dos ataques de Chip Kelly, e a pressão adicional que isso costuma representar em termos de tempo de jogo para as suas defesas, vamos ter um ano muito longo…

Após o jogo acabar, uma nova polémica surgiu porque Kaepernick não se pôs de pé durante a tradicional cerimónia do hino. Na realidade, ele já o tinha feito nos anteriores jogos da pré-temporada, mas como não estava com o equipamento vestido, ninguém se apercebeu. Qual o motivo do protesto? Segundo Kaepernick, a sua atitude é um protesto contra a opressão exercida sobre as minorias nos EUA, não querendo assim honrar a bandeira e expressar orgulho num país que oprime minorias. As reacções não se fizeram esperar, com vídeos de muita gente a queimar a jersey de Kaepernick no Youtube, jornalistas e (ex-)jogadores a tomarem posições a favor e contra Kaepernick – à laia de exemplo dois ex-colegas de Kaepernick, Anquan Boldin e Alex Boone, vieram a terreiro quer defender o direito de Kaepernick de tomar essa posição (Boldin), quer criticá-lo pelo “desrespeito” para com as forças armadas e o país (Boone). Os 49ers emitiram um comunicado dizendo que Kaepernick tem o direito de tomar a atitude que tomou, e a liga emitiu uma nota indicando que encoraja mas não obriga os jogadores a respeitarem a cerimónia do hino.

Sem querer tecer grandes considerandos de índole politico-patriotica, relembro que a Constituição Americana reconhece a possibilidade de um cidadão queimar a bandeira do próprio país em sinal de protesto através da sua primeira Emenda. Assim sendo, de um ponto de vista estritamente formal, Kaepernick não fez nada de errado. No entanto, as implicações que tal atitude vai ter em termos de impacto mediático, da compreensão dos seus actuais colegas, e da reacção dos fãs da equipa – ou de fãs de equipas adversárias em jogos fora de casa – e, as distracções que daí decorrem não serão despiciendas. As equipas da NFL costumam ser bastante tolerantes com distracções desde que o causador das mesmas tenha um impacto notório em campo. Agora, um QB em regressão, que faz 2 em 6 para 14 jardas depois de falhar 11 dias de training camp, devia levantar o mínimo de ondas possíveis, pois apesar dos 11 milhões do seu salário base estarem garantidos, o seu lugar no plantel parece cada vez mais em causa. Jay Glazer, da Fox Sports veio afirmar isso mesmo durante o dia de ontem, dizendo que não é seguro que Kaepernick consiga manter um dos 53 lugares no plantel da equipa. Vamos esperar até ao próximo sábado para ver o que se vai passar. Pessoalmente, acho que Kaepernick vai estar nos 53 no dia 4 de Setembro, mas que durante a temporada, caso a qualidade de jogo de Gabbert não seja desastrosa, Kaepernick acabará por ser dispensado.

Que saudades de Alex Smith e do seu comportamento irrepreensível, em especial depois de ser despromovido em favor de Kaepernick!

Nota Final

Uma pequena nota final – ontem ainda Brandon Thomas, pick de 3rd round em 2014 foi trocado para os Lions pelo WR Jeremy Kerley. Mais um, numa longa tradição de Baalke desperdiçar picks altas no draft. Num dos próximos artigos, a após as cuts deste ano, voltarei a contabilizar o panorama absolutamente desolador neste aspecto.

About The Author

Hugo Taxa

Em meados da década de 80, e após ver vários episódios do "Eight is enough" na televisão (onde o filho mais novo aparecia no genérico com um capacete dos 49ers) tornei-me fã dos 49ers. A partir de 1990 tive a sorte de ter um vizinho de origem americana que recebia a Sports Illustrated, e que me dava as revistas após acabar de ler as mesmas. Segui assim as temporadas de 90, 91 e 92 pelas revistas (com de cerca de 3 meses, entre o jogo acontecer e eu ler a crónica sobre o mesmo na revista) até ver o meu primeiro Super Bowl na SIC em 1993, em directo. Tinha um teste na terça-feira seguinte, mas a antecipação era tanta que não me consegui concentrar no estudo durante o fim--de-semana ... e chumbei - tive que ir a exame!

Em 1996 acedi ao meu primeiro site na internet - espn.com. O objectivo era apenas seguir a NFL; e com o aparecimento da DSF no alinhamento da TV Cabo finalmente comecei a ver a Regular Season na TV - com comentários em Alemão!
20 anos depois me ter estreado a ver Super Bowls, acho que me posso gabar de apenas ter perdido o de 2000, e de ter visto em directo alguns dos momentos emblemáticos da NFL: Dan Marino a obter o recorde de jardas; Barry Sanders e Terrell Davis a correrem para 2000 jardas; Emmitt Smith a quebrar o recorde de Walter Payton; John Elway a "fazer de helicóptero" para ganhar o seu primeiro Super Bowl; e o melhor jogador de sempre - Jerry Rice - a dinamitar defesas adversárias.
A NFL pauta-se pelo equilíbrio, o que se traduz em todas as equipas terem os seus momentos altos e baixos. No entanto, mesmo em épocas difíceis como 2003 ou 2004 a fé nunca esmorece - 49ers Faithful!

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