Miami Dolphins: A Temporada à Lupa
Maior Surpresa
Tight end Charles Clay. Os Miami Dolphins apostaram forte na free agency, indo buscar Dustin Keller, dando mais um alvo confiável a Tannehill. Os planos ambiciosos sofreram um rude golpe, quando Keller se lesionou com gravidade, ainda na preseason, perdendo toda a temporada. O next man up era Clay, que saiu da função híbrida que inicialmente lhe estava destinada (backup tight end e fullback) para a titularidade. Clay rapidamente se tornou imprescindível, criando uma empatia crescente com o seu quarterback e terminando a temporada com máximos pessoais em recepções (69), jardas recebidas (759) e touchdowns marcados (7). Em 2014 será ele a liderar a depth chart na posição.
Maior Desapontamento
A offseason de 2013 dos Dolphins ficou marcada pela agressividade e ambição, irmanadas na procura de conseguir o fortalecimento do roster e consequente diminuição da separação para os Patriots, crónicos campeões da divisão. Para a defesa, sobretudo para o corpo de linebackers, chegaram dois nomes conceituados, em que a franquia depositou a confiança…e 61 milhões totais em contrato. Phillip Wheeler, omnipresente na defesa dos Raiders e Dannell Ellerbe, campeão nos Ravens, vieram para rejuvenescer a unidade defensiva e substituir os dispensados Karlos Dansby e Kevin Burnett. Se no plano teórico a medida parecia acertada, na prática o upgrade desejado não aconteceu. Ambos tiveram dificuldades na cobertura e na defesa contra a corrida, mostrando alguma complicação na aprendizagem de um novo sistema defensivo. Face aos valores pagos e às expectativas geradas, o desapontamento é acentuado…mas poderá ser minimizado em 2014, quando os atletas estiverem mais familiarizados e adaptados à nova realidade.
Maior Necessidade
Depois da novela que concentrou atenções, envolvendo acusações de bullying, insultos raciais e um comportamento primata, com epicentro em Richie Incógnito, a principal necessidade dos Dolphins passa por um makeover enorme na linha ofensiva. As diatribes de Incógnito levaram à perda, a meio da época, de 40% da OL. Ele e Jonathan Martin, baixas resultantes da situação referida, deixaram a OL órfã, a que se juntou a perda de Mike Pouncey por lesão. Para além disso, quase todos os outros elementos são free agents. Os tackles Tyson Clabo e Bryant McKinnie e o guard John Jerry podem sair, quando abrir o mercado de jogadores livres, em Março. Os Dolphins têm uma dor de cabeça – mas igualmente a oportunidade ideal – para resolver…
MVP
Uma aposta de algum risco que, no final, deu uma bela recompensa. Quando os Dolphins contrataram Brent Grimes na free agency de 2013, sabiam que a aposta encerrava um desafio. Grimes tinha sofrido, ainda nos Falcons, uma grave lesão, o que levou a franquia da Florida a assinar por apenas um ano, como forma de ver se a recuperação física era plena. Grimes correspondeu, jogando todos os 16 jogos da regular season, sendo o seu defensor mais consistente. Conseguiu 4 intercepções e mereceu a chamada para o Pro Bowl, o seu 2º na carreira.
Posição a Posição
Quarterbacks
O ano foi marcado pela evolução de Ryan Tannehill, que conseguiu máximos de carreira em jardas passadas (3913), touchdowns (24) e rating de passe (81,7). Apesar do desenvolvimento, ainda permanecem dúvidas sobre a sua capacidade. O ano 3 dele na liga (2014) será tremendo, em termos de importância, mas Tannehill parece ter a capacidade para ser a solução de futuro preconizada aquando da sua contratação.
Running Backs
O jogo corrido foi medíocre. Lamar Miller e Daniel Thomas foram sempre incapazes de produzirem de forma consistente, revelando enorme dificuldade em movimentar o ataque pelo solo. Sem surpresas, os Dolphins terminaram no fundo da tabela, nesse quesito (26º lugar). É provável que 2014 assista a um novo rosto na franquia, como forma de ultrapassar as dificuldades.
Wide Receivers
Os Dolphins pagaram um contrato milionário a Mike Wallace, ao nível de um WR de elite. A performance deste, no entanto, não mostrou o tipo de jogo esperado. Wallace demorou a criar empatia com Tannehill, mostrando publicamente a sua frustração em relação à ausência de jogo regular. Apesar desses contratempos, a unidade jogou num plano bastante aceitável, com Wallace a conseguir 930 jardas e Brian Hartline a ultrapassar as 1.000. O grupo recebeu contributos interessantes de Rishard Matthews (41 recepções) e Brandon Gibson (30 recepções), mostrando ter soluções e profundidade quanto baste.
Tight Ends
Parecia que a temporada na unidade resvalaria para um pesadelo, quando Dustin Keller se lesionou, mas a ascensão de Charles Clay foi determinante para tornar o grupo a melhor parte do ataque. Michael Egnew e Dion Sims contribuíram essencialmente como blockers.
Linha Ofensiva
58 sacks sofridos. O número, por si só, diz tudo quanto à qualidade da OL. Não conta a história toda, mas esta é demasiado rocambolesca e envolve situações de bullying e uma cultura feita de agressividade e total ausência das mais elementares regras de bom senso. Mike Pouncey lesionou-se e a saga Incógnito/Martin piorou o que já estava mau. A pior unidade do roster.
Linha Defensiva
Individualmente, a temporada foi excelente para o defensive end Olivier Vernon (11,5 sacks) e para Cameron Wake (8,5 sacks). No conjunto, a nota é mediana porque, surpreendentemente, a equipa permitiu 125 jardas corridas por jogo, nunca conseguindo encontrar o antídoto necessário para estancar a sangria.
Linebackers
Culpas repartidas com a DL na defesa contra o jogo corrido, onde as contratações na free agency Dannell Ellerbe e Phillip Wheeler não produziram dentro do que era esperado. Demasiada irregularidade, quer contra a corrida, quer na defesa do passe, numa unidade que foi uma desilusão.
Secundária
A presença de Brent Grimes foi um importante upgrade, com o jogador a ser um shutdown corner na maioria dos jogos. Infelizmente, as suas exibições não foram acompanhadas pelo resto do grupo, com Reshad Jones, Chris Clemons e Nolan Carroll a serem demasiado irregulares.
Special Team
O punter Brandon Fields foi fenomenal e foi ao seu primeiro Pro Bowl. O rookie kicker Caleb Sturgis esteve igualmente em bom plano, liderando a equipa em pontos marcados, com 111.
Coaching
No campo estritamente técnico, existiu um colapso no final de temporada, que afastou a equipa dos playoffs, sobretudo por deficiências no play-calling ofensivo. Para além disso, a forma permissiva como a equipa foi liderada, permitindo a situação abusiva de Incógnito/Martin, desnudada no relatório efectuado pela investigação da NFL, diz muito quanto à cultura vigente e à falta de pulso por parte do staff técnico. Joe Philbin não saiu bem na fotografia.
Inspirado no original de James Walker | ESPN.com




