Running Back

João Pedro Gomes 6 de Março de 2014 Playbook, Posições Comentários Desligados
Running Back

Running Back

Depois do Quarterback, o Running Back será talvez o segundo jogador mais importante da equipa, uma autêntica besta entre a aeróbica e corrida, talvez a posição que mais características herdou do parente rugby. Muitos dos louros de um jogo passam pelo Quarterback, mas a verdade é que muitas vezes são estes homens que acabam por carregar muitas das jogadas ofensivas com corridas contra todo o mundo para saciar o fome de jardas dos Coordenadores Ofensivos. Quando se quer que o relógio ande, quando se enfrenta poderosos defensive backs, quando se quer ganhar terreno à custa da força, são estes senhores que entram em acção. Analisemos então os Running Backs:

Onde Começa a Corrida?

O Running Back normalmente coloca-se como o jogador da equipa ofensiva mais recuado no terreno, atrás ou ao lado do Quarterback. Habitualmente as equipas usam entre um e dois Running Backs em campo por jogada, mas nem sempre é assim, como explicaremos mais à frente. A jogada inicia-se com o passe do “Center” (jogador que lança a bola no início da jogada) para o Quarterback que depois a entregará nas mãos do Running Back ou, então, é feita a recepção directamente do “Center”, iniciando de seguida o Running Back a corrida na qual tentará transpor a linha defensiva a maior distância que conseguir. A especialidade dos Running Back’s divide-se em duas sub-posições: os Halfback’s e os Fullback’s. Enquanto os Halfback’s tem como principais qualidades a velocidade e capacidade de evitar ser placado pelo adversário, o Fullback é mais portentoso em termos de força física, compensando a menor velocidade que o Halfback com a sua força bruta e, muitas vezes, sendo utilizado para abrir caminho ao Halfback como explicaremos mais adiante.

Seja como for, nestes dois tipos de Running Back o objectivo é exactamente o mesmo: conquistar o máximo de distância possível no terreno.

Diferenças entre Halfback e Fullback

Com a evolução do Futebol Americano, o Halfback tornou-se cada vez mais o Running Back na sua essência em detrimento do Fullback que se tornou mais um abre caminho. Não querendo dizer que isto acontece em todos os casos, actualmente é muito frequente ver-se os Fullback’s a actuarem em campo como um elemento que varre adversários do caminho à frente do Halfback que transporta a bola, uma espécie de abre-latas. Devido a essa característica, os Fullbacks têm vindo a tornar-se cada vez mais robustos e menos rápidos na sua maioria, não deixando, no entanto, de ser dos jogadores mais velozes da equipa. Já os Halfbacks parecem ser cada vez mais velozes e ágeis e, cada vez mais, com grande força de pernas que lhes permite manter o equilíbrio mesmo após contactos fortes contra as defensivas.

O Halfback

Adrian Peterson em acção

Adrian Peterson, Halfback dos Vikings, em acção
Fonte da imagem Bob Martin, USA TODAY Sports

1. Características Físicas

Podemos começar por dizer que são dos elementos mais baixos das equipas, raramente chegando ao 185 cm, muito devido ao centro de gravidade. O peso difere muito, mas habitualmente são jogadores fortes de pernas, com bastantes reflexos, uma aeróbica brutal, muita força de braços e, sobretudo, destemidos do contacto físico contra adversários mais fortes fisicamente. A agilidade é a principal das características desta posição, com grande capacidade de desvios, mudanças de velocidade e estrema capacidade cair ao relvado após placagens constantes. A exigência da posição em termos físicos é extrema, pelo que não admira que o mesmo Halfback não participe em todas as jogadas de ataque corrido devido à necessidade de respirar e recuperar algumas mazelas. Por vezes os Head Coach também retiram os Halfbacks de campo pela necessidade de aumentar as opções de receptores em situações mais críticas onde a jogada de passe acabe por ser quase obrigatória, especialmente em situações nos últimos dois quartos quando se está a perder por muitos e a corrida acaba por consumir demasiado relógio.

2. Velocidade

Fazem parte do leque de elementos mais rápidos da equipa, só superados normalmente pelos Defensive End e Wide Receivers, dado que os Running Back raramente correm em linha recta. Habitualmente participam nas Special Teams como cobertura ao jogador que retorna a bola dado que não deixam de ser bastante rápidos e têm força para bloquear a essa velocidade, abrindo caminho para ganhar jardas e evitar placagens. Contudo por vezes são igualmente usados como retornadores (punt returner ou kick returner) também porque mesmo que possam não ser o mais rápidos na sua grande maioria, por vezes é necessário alguém com força e segurança com a bola nas mãos.

3. Outras Capacidades

Hoje em dia, com a evolução do futebol americano, os halfbacks passaram a exercer funções bem mais profundas nas jogadas de passe, exercendo mais uma opção de passe no terreno de jogo quando não são usados em corrida. Contudo, por vezes servem também de apoio às Ofensive Lines na protecção do Quarterback ou de uma linha de passe, sendo isso mais frequente nas screen plays, jogadas de passe para a lateral para o Wide Receiver com a equipa a limpar opositores na corrida que se segue à recepção do Wide Receiver.

O Fullback

John Kohn em acção

John Kohn, fullback dos Packers, em acção
Fonte da imagem UPI/John Anderson

1. Características Físicas

O Fullback é a besta em andamento. São um elemento que mistura a capacidade de corrida, com força e placagem. O Fullback caíu um pouco em desuso, sendo por isso uma posição cada vez mais específica. Em termos corporais poder-se-ia colocar o fullback quase lado a lado com o Tight End, mas com estatura bem mais baixa habitualmente. São ágeis, mas sobretudo destemidos, entregando o corpo às placagens em sacrifício para a passagem do Halfback.

2. Velocidade

Quem tem conhecimento profundo de futebol americano sabe que na verdade eles até são bem rápidos, mas a verdade é que ao olhar do espectador comum o fullback é lento. Normente as jogadas de corrida que transporta a bola são jogadas de curta distância para ganhar 1st down ou mesmo fazer um Touchdown. Estas jogadas requerem mais força e coragem dado que sendo uma distância curta, as defesas amontoam jogadores na linha como uma muralha. Normalmente os fullbacks são chamados de “quebra muralhas” por estas características.

3. Outras Capacidades

A evolução e compreensão do jogo por parte de Head Coaches veio trazer a possibilidade de usar os fullbacks como receptores em jogadas de laboratório. Contudo, não é muito frequente. Outro sítio onde se poderá ver fullbacks actual é como special team quer defensivamente quer ofensivamente, contudo nem todos os fullbacks reúnem essas capacidades.

Running Backs e as Lesões

Os Running Backs são muitas vezes autênticos sacos de boxe, enfrentando autênticos “ensanduíchementos” pelas defesas bem mais pesadas e rígidas. É por isso que normalmente é usada uma viseira adicionada ao capacete nesta posição, protegendo assim a cara adicionalmente. Incrivelmente, até é uma posição onde não é frequente lesões como se poderia prever, muito fruto do treino imposto a estes atletas que os prepara literalmente para a guerra.  Contudo, normalmente as leões nesta posição atiram os jogadores meses para os quadros de lesionados, muito devido ao risco das lesões poderem voltar atrás devido às exigências da posição.

Jogo Corrido em Desuso?

Os tempos mudaram e com ele o jogo corrido tornou-se menos importante e influente comparando à algumas décadas atrás, nos tempos altos da posição e tempos nos quais se formaram muitos running backs hall of famers, alguns entre os melhores jogadores de sempre. Contudo a própria NFL tem seguido o rumo de regras que limitam ligeiramente o jogo corrido, quer em termos de formações ofensivas em campo, quer em termos da redução de facilidade de bloqueios da Linha Ofensiva que protege o corredor. É por isso que se afirma que o jogo corrido está decadente, mas isso não é de todo verdade.

O jogo corrido está nesta altura a sofrer uma evolução no seu modo de jogo, uma adaptação aos tempos correntes da modalidade. Os resultados em termos estatísticos têm vindo a diminuir a posição, mas em termos de influência a posição continua a demarcar muito o jogo, especialmente no que toca ao jogar com o relógio. A posição é agora também frequentemente usada como receptora de passes do Quarterback e exemplo disso é Jamaal Charles que é um dos mais aclamados Running Backs da liga e fez 7 Touchdowns recebendo passes aéreos. Poderemos então concluir que o jogo corrido está menos eficaz, muito devido à evolução da modalidade, não tendo deixado no entanto de ser uma das posições mais importantes da modalidade, completando não só o ataque por passe, mas também a equipa em termos defensivos, segurando o relógio e a confiança da equipa muitas vezes. E a verdade é que ainda se escolherem Running Backs na primeira ronda do draft, o que comprova a sua importância ainda para as equipas.

Lendas da Posição

Running Backs

Running Backs – Adrian Peterson, Jamaal Charles e LeSean McCoy

Muitos são os talentosos runnings backs que passaram pela NFL, mas ditou a história que só alguns vingassem nos livros da modalidade. Dos running backs actuais poucos são aqueles que vingariam num top 20 de sempre da NFL, muito devido às regras e evolução que sofreu o jogo por passe. Contudo, devemos dar o devido destaque às actuais maiores estrelas da posição: Adrian Peterson, LeSean McCoy e Jamaal Charles. Na calha para estes três running backs de elite estão nomes como Marshawn Lynch, Arian Foster e Ray Rice. Apesar de hoje em dia a posição de Halfback ser muito mais útil e importante que a do Fullback, nem sempre foi assim e prova disso é que a maior lenda da posição seja um fullback, no tempo da glória do jogo corrido. Falo-vos de Jim Brown, jogador que actuou pelos Cleveland Browns nos anos 50/60 e que foi 8 vezes o jogador que mais jardas conquistou por corrida da liga. Mais recente é Barry Sanders, Halfback dos anos 90 que fez toda a carreira no Detroit Lions e que em 153 jogos conquistou qualquer coisa como 99 Touchdowns e umas incríveis 15.269 Jardas, tendo 1997 ingressado o restrito grupo de 2000 Jardas conquistados numa única temporada. A finalizar este top 3 de todos os tempos está Walter Payton que actou entre 1975 e 1987 pelos Chicago Bears, fazendo parte da célebre equipa dos Bears de 1985, considerada no lote das equipas mais fortes de sempre. Walter Payton era uma autêntica arma ofensiva sendo a principal figura dessa grande equipa e estando igualmente no lote de jogadores mais influentes de sempre da liga. Por fim, juntamos a esta lista Emmitt Smith, o Mister Recordista. Se há homem a abater em questão de listagens é Emmith Smith! Recordista de jardas conquistadas na carreira, 18 335 e recordista de touchdowns na carreira, 164, tudo por via de corrida! Mais, Smith tem 3 anéis do Super Bowl, algo que não muitos Running Backs de elite se poderão gabar.

About The Author

João Pedro Gomes

O que faz uma guarda-redes de futsal ser fanático de futebol americano? Bem, remonta apenas a 2009 a primeira vez que vi Futebol Americano acontecer aos meus olhos. Tendo apenas 20 anos, sou da geração videojogos e consolas e, inevitavelmente,  foi através do NFL Madden numa playstation portable de um amigo que tomei o primeiro contacto com a modalidade. Esse amigo era fã dos Patriots e essa era a equipa com que experimentei as primeiras vezes o jogo, sendo agora fã dos mesmos. O vício estava instalado! Ele explicou-me as primeiras regras básicas e vi então o primeiro jogo em directo dos Patriots com ele. O puto, entretanto, cresceu e agora com duas décadas de existência, vivo a NFL ao rubro! Em paralelo, mantenho como objectivo traçado chegar ao mais alto nível do futsal português como Guarda-Redes, no entanto, não deixo de parte um dia poder vir a praticar Futebol Americano a nível competitivo. O Futuro está em viver um minuto de cada vez!