Pittsburgh Steelers: Rapid Review

Paulo Pereira 3 de Março de 2015 Equipas NFL, NFL Comments
Pittsburgh Steelers

Pittsburgh Steelers: Rapid Review

É uma sensação estranha. Como classificar a temporada dos Steelers? Sucesso ou o inverso? Se a análise for fria e racional, dirá que a equipa excedeu as expectativas, depois de consecutivas temporadas a falhar o acesso aos playoffs com um mediano 8-8, ao conquistar o título divisional. Mas, se temperarmos a opinião com uma pitada de emoção, há um travo amargo a desilusão. Os Steelers não são uma franquia. São uma dinastia, cujo objectivo é lutar pelo Super Bowl. Todos os anos. Foi sob esses alicerces de grandeza que se construiu a fundação da famosa equipa de Pittsburgh. Vencer os rivais e conquistar o ceptro divisional concede apenas uma sensação de dever cumprido. E perder, em casa, território sagrado, para um arqui-inimigo como os Ravens, nos playoffs, coloca uma nuvem bem negra no humor de qualquer fã da Steel Curtain. A regular season deixou água na boca, com os Steelers a vencerem 8 dos últimos 10 encontros, terminando em grande estilo e com um 11-5 meritório, que lhes deu a 3ª seed na AFC, logo atrás dos Broncos e Patriots. Parecia que era possível, com o factor caseiro na ronda inaugural da postseason, sonhar com algo mais. Infelizmente, a NFL é um desporto duro, atreito a lesões. E foi uma dessas, em Le’Veon Bell, que enfraqueceu a equipa para o embate crispado com os Ravens. Tough loss.

Ataque

Foi um dos melhores e mais empolgantes ataques da competição, com as atenções centradas num trio magnífico de jogadores: Ben Roethlisberger, Le’Veon Bell e Antonio Brown. A perda de Bell privou a equipa, na altura crucial da temporada, dum playmaker, limitando o jogo terrestre. A equipa ressentiu-se claramente dessa ausência, conseguindo apenas um touchdown de ataque no embate contra os Ravens e revelando, na ponta final da temporada, alguma dessincronização.

Defesa

O grosso da culpa, quando se analisa a defesa, recaiu sobre o decano coordenador, Dick LeBeau, com algumas opiniões extremadas a considerarem que os seus conceitos estão já obsoletos. Mas que coordenador, com um misto de inexperiência e lesões, faria melhor com a defesa de Pittsburgh? Os Steelers evoluíram contra a corrida e forçaram 7 turnovers, nos últimos 4 jogos da regular season, quando tudo ainda estava por decidir. LeBeau demonstrou, aos 77 anos e numa época pejada de dificuldades, que podia ser parte da solução, mas não do problema. Apesar disso, a franquia decidiu seguir por outro caminho, dispensando os seus serviços.

MVP

A importância de Bell viu-se não só nos jogos em que o running back jogou, mas especialmente naqueles em que não pode dar o contributo, como o encontro dos playoffs, frente aos Ravens. Le’Veon Bell terminou em 2º, na NFL, em jardas corridas, obtendo 1361. Bastaria isso para lhe dar uma importância acrescida no esquema táctico da equipa, mas os seus méritos não se ficam por aqui. Bell é um participante activo, na OL, como blocker, sendo precioso também fora do backfield, onde consegue ganhos tremendos após a catch. Nesse quesito liderou a competição com 811 jardas, mostrando que se tornou, em apenas 2 anos, num dos jogadores mais completos e impactantes da prova.

Melhor Momento

Num arco temporal de apenas 8 dias, Ben Roethlisberger teve dois jogos espantosos, lançando 6 touchdowns…em cada um deles. Big Ben despertou após uma derrota em Cleveland, que deixou os Steelers  num 3-3 de perspectivas sombrias. Nesses dois jogos seguintes, o quarterback conseguiu 75,6% de passes completos, conquistou 862 jardas, teve 12 TDs e zero intercepções, tornando os Colts e Ravens, seus adversários, impotentes para o pararem. Roethlisberger terminou a regular season em 1º lugar, empatado com Drew Brees, para o título de mais jardas passadas, com 4.952.

Pior Momento

Há dois momentos que se podem equivaler, quando se trata de nomear o pior momento do ano. Um coincidiu com o último jogo da prova, no wildcard weekend, com os Steelers a desperdiçarem o factor casa e a serem eliminados dos playoffs. Acontece? Sim, é um facto, mas perder para os odiados rivais de Baltimore, que nunca tinham vencido os Steelers na postseason, torna o sentimento pior.
O outro momento aconteceu em New Jersey, quando após 3 triunfos consecutivos os Steelers realizaram o pior jogo do ano, perdendo para uns medíocres Jets, que obtinham aí (2ª semana de Novembro) apenas o seu 2º triunfo. Num jogo horrível, que finalizou num 14-10, os Steelers fartaram-se de dar tiros nos pés, cometendo 3 turnovers frente a um opositor dócil e pouco agressivo, até então.

Perspectivas 2015

São os Steelers, por isso as expectativas são sempre elevadas. O ataque não perdeu nenhum dos seus jogadores nucleares e, com mais uma offseason, é expectável que o núcleo de receivers mais inexperiente (Marcus Wheaton e Martavis Bryant), se torne ainda melhor. Mas, tal como em 2014, existirá uma diferença qualitativa entre os sectores, com a defesa a estrear um novo coordenador (Keith Butler) e repleta de dúvidas na secundária e no corpo de linebackers, onde apenas Jarvis Jones está sob contrato. O calendário parece mais exigente do que em 2014, com a equipa a ter que viajar até Seattle, San Diego, Kansas e New England, para além das regulares visitas a casa dos Ravens, Browns e Bengals.

Artigo inspirado no “report card” de Scott Brown | ESPN.com

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.