Quarterbacks e o Draft

João Malha 10 de Abril de 2015 Draft, NFL Comments
Winston Mariota

Quarterbacks e o Draft

Estamos a três semanas do Draft e este é o tema que domina praticamente toda a atualidade da NFL. Quem serão os escolhidos de cada equipa? Quem serão as escolhas surpreendentes? Quem serão os jogadores que todos esperavam ser rapidamente escolhidos e foram derrapando nas escolhas? Respostas só teremos a partir do próximo dia 30 de abril! Mas certo é que os nomes Jameis Winston e Marcus Mariota dominam as notícias do draft. E porquê? Porque são os dois Quarterbacks (QB) que lideram todos os tops do Draft e de quem se fala para serem a primeira escolha do Draft 2015, que pertence aos Tampa Bay Buccaneers.

É sempre sobre a posição de QB que se concentram as maiores atenções, ou não fosse esta a posição mais em foco no futebol americano. O homem em quem se concentram todos os olhares quando a bola sai das mãos do Center no snap que dá início a cada jogada. Mas olhando para os últimos anos, são poucos os nomes que se têm destacado, em especial, entre aqueles que são dos primeiros escolhidos.

Se olharmos para as últimas cinco épocas, apenas por uma vez um QB não esteve nas três primeiras escolhas do Draft, e apenas nos últimos dois é que a primeira escolha não foi um QB. Em 2012, 2011 e 2010, o primeiro jogador anunciado pelo Comissário Roger Goodell foi sempre dessa posição e em 2012 os dois primeiros foram QB’s.

E foram escolhas de sucesso? Na realidade, nem por isso! A principal exceção é mesmo Andrew Luck, o QB dos Indianapolis Colts, escolhido como número 1 em 2012 e que em três épocas tem sido uma referência na posição, um quase certo hall famer se mantiver o rumo. A ele poderemos juntar Cam Newton, o QB dos Panthers, selecionado em 2011, que tem conseguido excelentes números.

2010: Sam Bradford e Tim Tebow

Mas vamos por anos, começando em 2010. Sam Bradford foi a primeira escolha do Draft. Mais do que o valor do QB selecionado pelos Rams, as lesões gravíssimas que sofreu tornam-no numa má decisão da equipa de St. Louis ao optarem por ele. Contudo, obviamente, estes são fatores difíceis de prever. Cinco anos depois, foi uma das trades mais faladas desta offseason e vai procurar em Philadelphia a segunda vida na NFL… assim as lesões o permitam. Apenas mais um QB escolhido na primeira ronda deste draft, o famoso Tim Tebow, que acabou por nunca se impor nos Broncos e está fora da Liga há já duas épocas. E de late round picks nada a destacar em 2010.

2011: Cam Newton, Jake Locker, Blaine Gabbert e Christian Pounder

Em 2011, Cam Newton foi a primeira escolha do draft, pelos Carolina Panthers. E neste caso, ao que tudo indica, foi mesmo acertar na mouche, com um Franchise QB. No final do ano saberemos se assim é, quando for negociada a extensão do contrato de Super Cam. Mas esta foi a única exceção do ano. A primeira ronda foi pródiga em escolha de QB’s mas o sucesso destes foi quase nulo. Jake Locker (Titans), Blaine Gabbert (Jaguars) e Christian Pounder (Vikings) revelaram-se verdadeiros fiascos e não deverão deixar saudades. Acabaram por ser melhores escolhas Andy Dalton e Colin Kaepernick, ambos selecionados na segunda ronda.

2012: Andrew Luck, Robert Griffin III, Ryan Tannehill, Brandon Weeden, Russell Wilson e Nick Foles

No ano seguinte, 2012, a grande referência da posição dos últimos anos em termos de Draft: Andrew Luck. Como já referido em cima, foi a melhor aposta num QB dos últimos cinco anos e um sucessor à altura da pesada herança que Peyton Manning havia deixado na equipa. Pensou-se que a pick nr.2, RGIII, pelos Redskins, seria igualmente outro ícone do jogo, mas as lesões gravíssimas que sofreu parecem ter posto em causa aquele que muitos consideravam como uma das maiores estrelas da década. Será ele capaz de voltar? Pessoalmente, tendo em conta as limitações físicas que apresenta, parece bastante difícil, até pelo estilo de jogo que tem, muito forte na corrida.

Outra escolha do top-10 de 2012 foi Ryan Tannehill, selecionado pelos Dolphins. Não conseguiu até hoje tornar-se numa referência, mas é um titular indiscutível da formação da Florida que procura conduzir a sua equipa aos Playoffs. Também Brandon Weeden foi escolhido na primeira ronda, uma escolha que não vai deixar memória nos Browns.

Acabaria por ser a terceira ronda deste ano a dar melhores soluções neste draft. Russell Wilson (Seahawks) e Nick Foles (Eagles). O primeiro já com um anel (que falhou o segundo por pouco) e o segundo, surpreendentemente trocado para os Rams esta offseason, com épocas em crescendo nos Eagles.

2013: EJ Manuel e Geno Smith

Se até aqui ainda conseguimos referir alguns jogadores que têm potencial para deixar a sua marca ao longo dos próximos anos, os últimos dois drafts foram verdadeiros desertos. Em 2013, só à 16ª escolha é que apareceu um QB no quadro. EJ Manuel, escolhido pelos Bills, que tem sido um verdadeiro bust. Foi o único QB na primeira ronda, o que diz bem da fraca qualidade deste ano na posição. O segundo foi Geno Smith, na segunda ronda, escolhido pelos Jets, mais um bust… E daí para a frente, várias escolhas, sem que nenhum até ao momento tenha tido sequer os seus quinze segundos de fama (acho que vão ficar provavelmente pelos segundos em que ouviram o seu nome no Draft!).

2014: Blake Bortles, Johnny Manziel, Terry Bridgewater, Derek Carr e Jimmy Garapolo

Por fim, o Draft de há um ano, com nova classe sem grandes referências. Ainda assim, um QB no top-3, Blake Bortles, escolhido pelos Jaguars. Não fez uma má época e com outras armas à sua volta, até poderá ser um jogador com possibilidades de afirmação. Ainda na primeira ronda, Johnny Manziel, escolhido pelos Browns, e Terry Bridgewater, opção dos Vikings. Manziel era o mais mediático de todos os jogadores, mas continua a ser apenas o mediatismo a gerar atenção, pois dentro do campo, depois de muito esperar por uma oportunidade, nada fez para provar os holofotes que o seguem desde o College. Já Bridgewater assumiu-se como titular dos Vikings a meio da temporada e parece ter argumentos para manter o lugar. Não deslumbrou mas parece ter qualidade para continuar a dar cartas nos próximos anos.

Merecem ainda referência duas escolhas da segunda ronda, Derek Carr, dos Raiders, que fez uma boa temporada numa das piores equipas da NFL, e Jimmy Garapolo, substituto de Tom Brady nos Patriots e que muita gente acredita poderá vir a ser uma alternativa à altura de uma herança que é talvez a mais pesada de sempre em termos de títulos.

2015: Jameis Winston e Marcus Mariota?

Em 2015 os holofotes estão claramente sobre Winston e Mariota. Fala-se até na possibilidade de serem os dois primeiros nomes a serem chamadas em Chicago. Confirmarão os predicados? Serão busts? Serão suplantados por outros nomes que não têm merecido a mesma atenção? Estas perguntas não serão respondidas em Chicago, mas daqui a um ano por certo já poderemos avaliar se terão potencial para serem referências da NFL para a próxima década!

Certo é, pela análise feita, que as certezas são poucas e por muita pesquisa e horas de filmes de jogos vistas, só mesmo quando chamados à ação se consegue ter a certeza se ao potencial corresponde o valor estimado…

About The Author

João Malha

Profissional da área de comunicação e marketing, e sempre ligado ao desporto, sempre me fascinou o conceito de showbiz dos norte-americanos no que toca à promoção de qualquer espectáculo desportivo. Quando em 2003, a SportTv transmitiu pela primeira vez o Super Bowl, com estrondosa vitória dos Buccaneers de John Gruden sobre os Raiders, a curiosidade cresceu e ano após anos comecei a seguir as transmissões do maior evento desportivo mundial. Mas como em tudo na vida (pelo menos na minha forma de estar), é preciso um motivo mais forte para nos agarrarmos às coisas. Uma paixão que nos alimenta. E foi isso que aconteceu em 2010, aquando da final de Miami, ganha pelos Saints frente aos Colts do lendário Peyton Manning. Nesse dia senti finalmente que aquela era a minha equipa! E o aparecimento da ESPN America ajudou a não mais largar este desporto espectacular, que sigo semanalmente. Na Week 1 da temporada 2012/2013, cumpri o sonho de ir ver um jogo dos Saints ao vivo, ao Mercedes-Benz Superdome. Não vi os Saints vencerem, mas quem sabe se não terei a oportunidade de dizer que assisti ao primeiro jogo na NFL de um dos maiores QB’s da sua história, Robert Griffin III. Ver os Saints ao vivo foi uma experiência única que me faz olhar para o desporto com outros olhos. Quero saber mais e mais sobre o jogo, a sua história, lendas, regras, tácticas, etc. Let’s play ball!!!!