Tampa Bay Buccaneers: First Look 2014

Paulo Pereira 2 de Julho de 2014 Análises, NFL Comments
Tampa Bay Buccaneers

Tampa Bay Buccaneers: First Look 2014 [Ataque]

Os Bucs são uma equipa que pretendo seguir atentamente, em 2014. Porquê? Simples. Um dos factores que mais me atrai, na NFL, é a capacidade de regeneração das franquias, capazes de num ápice saírem da mediocridade e vencerem a divisão. Um exemplo disso, em 2013, foram os Kansas City Chiefs que sob a orientação de Andy Reid, saltaram do fundo da tabela onde vegetavam e foram aos playoffs, num makeover total. Quer isto dizer que penso que os Tampa Bay Buccaneers podem personificar essa tendência, na época que se avizinha? Sim. Mas não um sim suficientemente optimista. Na competitiva NFC South, acredito que serão mais competitivos do que no ano anterior, agora liderados por Lovie Smith. O reforço do roster, efectuado cirurgicamente na free agency e draft (não deixa de ser curioso ver que, das 6 picks que tinham no draft, os Bucs usaram todas na escolha de jogadoras do lado ofensivo da bola), veio dotar a franquia de mais talento e qualidade. Veremos se é suficiente para ameaçar os Panthers, Saints e Falcons, na luta pela supremacia divisional.

Comecemos então a dissecar o ataque – e este artigo apenas focará essa unidade – dos Buccaneers, no início de uma nova era. Após o desapontante 4-12 do ano passado, tudo foi renovado, em Tampa. Novos uniformes, como se a franquia pretendesse fazer de 2014 o ano zero na ressurreição do clube, um novo general manager, na figura de Jason Licht, um novo head coach, o veterano Lovie Smith e, com este, um novo coordenador ofensivo, Jeff Tedford, vindo da universidade de Cal.
Se a defesa parece ter a sua dose sustentada de playmakers (mesmo perdendo Darrelle Revis), com Lavonte David, Gerald McCoy, Alterraun Verner e Dashon Goldson, o ataque mereceu a atenção redobrada na offseason, com uma série de contratações que visou criar, em redor do quarterback, um núcleo duro com qualidade para ameaçar os poderes vigentes na divisão.

Quarterback

Encerrado definitivamente o capítulo Josh Freeman (em 3 anos passou de next big thing a desempregado), os Bucs estavam numa encruzilhada. Continuavam a apostar as fichas todas no desenvolvimento do rookie Mike Glennon ou optavam por draftar um novo QB? Ficaram no meio-termo, optando por não trazerem, via draft, um potencial competidor para Glennon, mas não se comprometendo igualmente com uma titularidade. O plano B veio da free agency, com a contratação do veterano Josh McCown, ex-Bears, que rapidamente se tornou o favorito para liderar o ataque. Lovie Smith, inclusive, afirmou que McCown é o eleito para a posição, não esperando pelo habitual training camp para declarar o amor eterno pelo jogador. Compreende-se. McCown vem duma temporada a todos os níveis excelente, substituindo Jay Cutler durante um arco de 8 jogos, que se traduziram em 1829 jardas, 13 touchdowns e apenas uma intercepção. A juntar a esses dotes, Lovie Smith conhece o jogador, dos tempos em que ambos estavam nos Bears. Aparentemente, os Bucs terão um quarterback sólido e eficaz, durante os próximos dois anos, estando salvaguardados de qualquer lesão com a presença de Mike Glennon como backup. Glennon, em condições adversas, conseguiu destacar-se da mediania que imperou nos Bucs, em 2013, parecendo ser confiável.

Running Back

É, provavelmente, o sector mais congestionado no roster. Tem Doug Martin, destacadamente o líder do jogo corrido…e mais uma mão cheia de running backs desesperados por tempo de acção. Martin perdeu a maior parte de 2013, mas teve em 2012, o seu ano rookie, um desempenho acima de qualquer suspeita. 1454 jardas e 11 touchdowns, mostrando o que pode fazer, quando saudável. A perda por lesão levou ao aparecimento do insuspeito Mike James, com produção bem acima do expectável (incluindo o seu desempenho memorável contra os Seahawks, onde conseguiu 158 jardas). Quando este também se lesionou, os Bucs voltaram-se para Bobby Rainey, testando os limites da profundidade da posição. Rainey foi exuberante (532 jardas e 5 TDs, incluindo uma louca corrida de 80 jardas contra os Bills), reivindicando dentro de campo o seu quinhão de snaps para 2014. Como se não bastasse ter três contendores para uma posição, os Bucs baralharam as expectativas, draftando Charles Sims, que parece um back para todos os downs, devido à sua excelência fora do backfield, podendo dar outra dimensão ao ground game. Se já se fartaram de ler nomes de putativos candidatos ao lugar, fica mais um. Jeff Demps, estrela da velocidade na equipa olímpica dos Estados Unidos, cujas skills podem ser usadas no special team. Se este não é o corpo de running backs mais profundo e talentoso da liga, então qual é?

Wide Receiver

No papel era visível que faltava um par a Vincent Jackson. O ex-jogador dos Chargers cumpriu as expectativas nos dois anos que leva nos Bucs. Mas vivia solitário no jogo aéreo, monopolizando as indesejáveis atenções das defesas contrárias. Na prática, isso já não acontece. Os Bucs usaram a sua pick de primeiro round e juntaram a Jackson (2608 jardas e 15 TDs em 2 anos) o empolgante Mike Evans, o parceiro de Johnny Manziel no ataque de Texas A&M. Evans é quase uma cópia física de Jackson. Um receiver alto (6’5’’), poderoso fisicamente, capaz de desafiar qualquer cornerback, dando mais um alvo letal a McCown e uma dimensão ao ataque aéreo que, até agora, não existia.
A restante depth chart é constituída por alguns journeymens, como Louis Murphy, Chris Owusu e Lavelle Hawkins, que se digladiarão no training camp pelo posto nº 3. Com eles, um rookie em quem os Bucs depositam grandes expectativas: Robert Herron. Este tem legitimidade para poder aspirar ao posto de slot receiver. É rápido, dinâmico e explosivo, podendo ser um complemento perfeito ao duo eminentemente físico que jogará de início.

Tight End

Recordam-se acima de ter dito que as picks do draft de Maio foram gastas na parte ofensiva do roster? Mike Evans foi o primeiro, um alvo excepcional para o ataque. A ele juntou-se o tight end Austin Seferian-Jenkins, um dos mais elogiados atletas do College, um jogador produtivo e com uma compleição física que provocará mossa nas defesas. Mike Evans e Vincent Jackson, ambos com 6’5’’ de altura, junto com Seferian-Jenkins, com 6’6’’? É o sonho húmido de qualquer coordenador ofensivo. Se a profundidade do corpo de running backs é excelente, a de tight ends não lhe fica atrás. 2013 trouxe a revelação Tim Wright, uma das únicas coisas positivas saídas da temporada, com uma produção aceitável na sua rookie season. Este +  Seferian-Jenkins e o contratado Brandon Myers (excelente nos Raiders e apagado nos Giants) foram um trio de respeito, que pode ser usado de múltiplas formas, dando imensas soluções para o esquema táctico. O jogo aéreo, em teoria, tem tudo para ser empolgante.

Offensive Line

O calcanhar de Aquiles no ano passado, em termos de ataque. A OL foi a fraqueza que contribuiu, quiçá de forma definitiva, para o desfecho da época. Não é por isso de estranhar que, mal começou a free agency, os Bucs tenham priorizado os reforços para o sector. Dos Bengals chegou o tackle Anthony Collins, que deverá assumir a posição de left tackle. Dos Packers chegou o center Evan Dietrich-Smith. Ambas as aquisições são jogadores confiáveis, capazes de cumprirem com os pressupostos da posição, evitando grandes dissabores ao longo da temporada. Do lado direito da OL, como right tackle, continuará Demar Dotson, um dos únicos a jogar a um nível elevado, em 2013. Nos postos de guards, os Bucs anseiam que exista uma melhoria considerável nas exibições, mantendo as apostas em jogadores existentes no roster. Essa crença não parece descabida, quando vemos que o left guard é Carlo Nicks, um colosso habitualmente louvado pelo seu jogo. O problema do jogador é manter-se saudável, tendo falhado 14 jogos em 2013, por causa dum problema no pé, antecedido por um uma infecção por uma bactéria multi-resistente. O outro posto de guard é um lugar em aberto, aguardando o início do training camp para uma definição.

Conclusão

Correndo o risco de me “espalhar ao comprido”, face ao prognóstico avançado em fase tão prematura da temporada (que, oficialmente, ainda nem começou), prevejo que os Buccaneers serão mais competitivos e sólidos, no ataque, podendo competir de igual para igual com os seus rivais na NFC South. A profundidade de opções, quer no jogo corrido, quer no aéreo, permite esperar por uma substancial evolução, desde que as expectativas geradas, para o posto de quarterback e OL, não saiam defraudadas. Um aumento de 100% no número de vitórias não parece algo descabido de se apostar, com a equipa a poder, num cenário desses (8-8, após o 4-12 de 2013) sonhar com uma corrida aos playoffs, na ponta final da época.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.