O Super Bowl XLIX do Ponto de Vista de um Adepto dos New England Patriots

Marco Castro 4 de Fevereiro de 2015 Análise Jogos NFL, NFL Comments
Super Bowl New England Patriots Fans

O Super Bowl XLIX do Ponto de Vista de um Adepto dos New England Patriots

Comecemos pelo início: nenhum fã da franquia de Foxborough viu este jogo sozinho. A acompanhar cada um deles, estavam no mínimo dois terríveis fantasmas, orgulhosamente vestidos com o jersey branco do Eli Manning, de sorriso largo no rosto e um silêncio que significava muito mais do que todas as palavras. No meu caso concreto, acrescido da particular ironia de ter começado a namorar com os Patriots no ano de 2007, após uma viagem de férias aos Estados Unidos, que começou justamente no estado de Massachusetts. Nessa altura, o futebol americano foi-me formalmente apresentado e na hora de escolher uma equipa, disseram-me de pronto: New England Patriots. Tudo bem, que seja, até gosto dos equipamentos e tudo! Logo nesse ano viria a temporada quase perfeita, com o famoso 18-1 e 4 anos depois, novo desaire frente aos Giants, já com o namoro feito casamento e uma tremenda desilusão a percorrer-me de alto a baixo, durante dias. Simplesmente não era possível engolir tamanho elefante.

Voltar ao Super Bowl

Desta vez, chegar ao grande jogo foi especialmente saboroso. Primeiro porque seria uma nova oportunidade para se chegar ao tão desejado mas nunca conquistado 4º anel. Depois, porque a temporada começou torta, com exibições sofríveis e críticas para todos os gostos ou feitios. É certo que a equipa se foi reerguendo, mas daí à condição de Super Bowl contenders, ainda ia uma distância. Aliás, esse papel parecia mais do que atribuído aos Denver Broncos. Veio a vitória na divisão e mais tarde na conferência. First round bye e home-field advantage, YES! Depois vieram os playoffs, a vitória épica sobre os Ravens e o esmagamento dos Colts, com a toda a polémica do deflategate que se lhe seguiu. Agora sim, a coisa estava deliciosa, no papel que melhor serve aos Patriots, ou seja, nós contra o mundo inteiro. Ainda para mais, chegando ao grande jogo e tendo os actuais campeões pela frente, vindos de uma vitória impossível contra os Packers. Ou seja, favoritismo repartido, mas ligeira inclinação para Seattle. Excelente! Nos Pats, quando maior for a montanha para escalar, maiores são as hipóteses de vencer (lembre-se que eram amplamente favoritos em ambas as derrotas frente aos Giants). Só faltava sermos nós a equipar de branco, para que a memória dos 2 últimos desaires no Super Bowl (ambos vestidos de azul) deixasse de ser um factor de peso (pelo menos para mim, fanático). Algo que felizmente aconteceu.

O Jogo em Si

Não vou ser hipócrita. Os factos que anunciei no bloco de texto anterior foram os argumentos a que me segurei para alimentar a minha esperança. Mas claro que, realisticamente, sabia que os Seahawks estavam fortíssimos e que apenas uma exibição perfeita os Patriots resultaria em 4º Vince Lombardi a caminho de Foxborough. Pior ainda: essa exibição perfeita nunca aconteceu. Ambas as equipas tiveram altos e baixos no jogo e ao intervalo, percebeu-se que o vencedor escaparia por uma unha negra à derrota. Os 'Hawks vieram para o 3º quarto muito fortes e tiveram nesse período o seu ponto alto no jogo. Marcaram 10 pontos (podiam até ter marcado mais) e souberam sempre tirar Tom Brady de campo. Foi o momento em que me encostei no sofá, prestes a resignar-me com a ideia de perder mais um Super Bowl. No último quarto, vi o #12 novamente a sair do jogo e confesso que estive prestes a deitar a toalha ao chão. No entanto, Wilson voltou rapidamente à side line e nesse instante vieram-me duas frases à cabeça: “um touchdown para regressarmos ao jogo” e “keep fighting”. Esse touchdown aconteceu e não mais parei de dizer para mim mesmo “KEEP FIGHTING, KEEP FIGHTING”. Daqui até ao fim, é a história que todos conhecemos. Veio o touchdown da liderança no marcador (comemorado de joelhos no chão) e o drive épico dos Seahawks, que parecia destinado à eternidade.

O Resultado

No final, um herói improvável saiu do anonimato e guardou o Vince Lombardi no bolso. Quis chorar, rir, gritar, pular. Não consegui. Novamente de joelhos, só conseguia repetir “KEEP FIGHTING”, ao mesmo tempo que devorava as imagens dos festejos Patriotas. Tudo isto teve um sabor inacreditável por um motivo muito forte: a valia do adversário. Uma das coisas que me apaixona neste desporto é o respeito pelos adversários. Procuro fazê-lo sempre, tentando não ligar a provocações e evitando ao máximo o lado trauliteiro do nosso soccer. A grandeza desta vitória é proporcional à valia da equipa de Seattle, que teria vencido justamente, mas que em vez disso, soube perder com elevação. Aquilo que por vezes julguei impossível aconteceu mesmo: vi em directo os meus Patriots vencerem um Super Bowl, antes do fim da dinastia Brady/Belichick. Foi uma experiência fantástica, que não sei se repetirei, mas que jamais esquecerei.

About The Author

Marco Castro

Cheguei ao Futebol Americano em 2006. Estava de férias em New Bedford, estado de Massachusetts, quando perguntei a um amigo meu aqui emigrado que me explicasse as regras deste jogo. Perguntei-lhe também qual a equipa dele e como nesta matéria estava a zeros, optei por seguir o seu conselho e dar mais atenção a uns tais de Patriots. No regresso a Portugal, consumei este namoro muito graças ao NASN (mais tarde ESPN America), o canal de desporto americano que existia na TV por cabo. Lembro-me de achar "cool" esses tais de Patriots, com os seus capacetes e calças prateadas e lembro-me igualmente de começar a investigar um pouco mais sobre um certo Tom Brady. Hoje em dia sou um Patriota fanático, (aliás, criei e faço a gestão da página de Facebook Patriots Portugal www.facebook.com/patriotsportugal), coleccionador de todo o tipo de merchandising desta equipa e acima de tudo, sofredor Domingo após Domingo, em frente à televisão, colado ao Gamepass (melhor invenção do homem, depois da roda). No trabalho e entre amigos, sou um pouco visto como "lá vem este com o futebol americano só porque foi aos Estados Unidos". Vivo bem com isso. Aliás, tento explicar-lhes "há mais táctica e estratégia neste jogo, do que nas outras modalidades todas juntas" e acrescento "é um jogo espectacularmente justo". Nada os demove a eles, mas também nada me demove a mim! Razão pela qual continuarei a alimentar esta minha paixão Patriota e o sonho de um dia, assistir a um jogo em pleno Gillette Stadium (já lá estive, mas o preço dos bilhetes adiou-me a sua concretização). Se num destes dias os Patriots vencerem o 5º SuperBowl, já sabem, podem encontrar-me a festejar (provavelmente sozinho, ou talvez não) em pleno Marquês de Pombal!