College Football 2015: Week 11

Paulo Pereira 17 de Novembro de 2015 Análise Jogos College, College Comentários Desligados
College Football

College Football 2015: Week 11

Novembro, quando falamos de college, é outro mundo. Mais brutal, mais competitivo, mais cruel na forma como expõe candidaturas periclitantes, separando o trigo do joio. Já falta pouco, neste momento, para a definição total dos 4 finalistas. Mais duas semanas e teremos um fim para a regular season (JÁ??????). Seguem-se depois as finais de conferência, as bowls e os playoffs. Cada sábado, cada jogo, torna-se agora decisivo, onde cada erro pode fazer descarrilar o trabalho de um ano. Se a jornada anterior tinha sido reveladora, levando 5 equipas invictas ao encontro dos seus piores pesadelos, esta não defraudou expectativas. Tivemos de tudo. LSU, tida como uma das favoritas até à semana passada, encaixou a sua segunda derrota consecutiva e está fora de quase tudo: playoffs, final de conferência. Baylor claudicou, tal como LSU, em casa, perante uma excelente e underrated equipa de Oklahoma. Oklahoma State, vinda do mais retumbante triunfo frente a TCU, passou um susto tremendo, fora de portas, mas conseguiu conquistar o precioso triunfo, num comeback furioso.  Stanford, que se vinha assumindo como um forte contendor, parecendo dona e senhora da PAC-12, viu os sonhos de grandeza estilhaçados, perante um rival de divisão, os Ducks de Oregon. Quem, no meio deste caos, saiu incólume? Clemson, com dura vitória fora de portas. Alabama, em nova demonstração de classe na SEC, mantendo Mississipi State, a jogar em casa, sem qualquer touchdown. Notre Dame, aproveitando a folga momentânea no calendário para vencer sem dificuldades. E Ohio State, decididamente apegada à ideia de renovar o título.

  •  A PAC-12 é uma das conferências que pertence ao chamado grupo Power 5, que engloba as conferências mais importantes. Mas, nesse lote, era a que estava numa situação mais desconfortável, por não possuir nenhuma equipa invicta, o que obrigava à perfeição, até final da regular season, das que sonhavam com os playoffs. Ironicamente, na mesma jornada, Utah e Stanford, que estavam nessa situação, claudicaram e viram esfumar-se as possibilidades. O caso mais inesperado foi o de Stanford, cujo desaire tinha acontecido na 1ª ronda e, desde aí, não mais tinha perdido, conseguindo alcançar o 7º lugar no ranking. O jogo caseiro, frente a Oregon, não sendo fácil, dava-lhe o total favoritismo, dadas as 3 derrotas já sofridas pelos Ducks e o facto da defesa de Oregon ser uma das piores da competição. Mas nem Kevin Hogan nem Christian McCaffrey souberam tirar partido dessas aparentes debilidades, e os Cardinals perderam por 38-36, num final de jogo dramático. Hogan teve dois fumbles, em alturas cruciais, permitindo que Oregon fosse mantendo a vantagem no marcador, desde o 3º período. Mas a perseverança e o jogo mais conservador, na ponta final, por parte dos Ducks, colocou Stanford na red zone, a perder por 8, nos últimos 15 segundos. Desta feita, Hogan conseguiu encontrar o seu tight end, numa fade route, para o touchdown. Os 8 pontos foram reduzidos a apenas 2. 10 segundos no marcador. Uma tentativa de jogada de 2 pontos. Se concretizada, prolongamento. E esteve quase. Hogan aguentou no limite do suportável, à procura dum alvo, até ser atingido no exacto momento em que fazia o passe, levando a um passe incompleto, com a bola a resvalar nas mãos do receiver. Final inglório e menos um contender na corrida!
  • Se a PAC-12 não terá nenhum representante nos playoffs, as hipóteses da Big 12 diminuem a cada semana. Na jornada passada, a derrota de TCU frente a Oklahoma State colocou os Horned Frogs em maus lençóis. Esta semana, Baylor pode ter também perdido o comboio, ao sair derrotada pelos Sooners, por 44-34. Com o seu novo quarterback a fazer apenas o 2º jogo como titular – Jarrett Stidham – a equipa foi incapaz de sobreviver aos erros próprios (Stidham, que tem qualidade, esteve pouco confortável e pressionado no pocket, cometendo duas intercepções) e à qualidade do adversário. Os Sooners, apenas com um desaire na temporada, foram mais maduros, suportando o seu jogo de forma quase equitativa entre Baker Mayfield, o quarterback responsável por 4 touchdowns (3 passados e um corrido, nas 76 jardas que conseguiu no solo) e um dos mais prolíficos running backs da competição, Samaje Perine. Perine, com novo jogo monstruoso, feito de esforço e doses industriais de trabalho, conseguiu 166 jardas, a maioria delas importante na manutenção de várias drives, e 2 touchdowns. É impossível reconhecer o trabalho de Perine e não valorizar o do receiver Sterling Shepard, crucial no jogo aéreo, adicionando mais 177 jardas e 2 touchdowns (um deles num lance fantástico) ao seu pecúlio.
  • E assim, num curto espaço de 7 dias, a Big 12 apenas ficou com Oklahoma State invicta. Os Cowboys são agora os favoritos na conferência para atingirem os playoffs, mas não ganharam para o susto, na deslocação a casa de Iowa State, equipa que nem consta no ranking, vencendo por 35-31, graças a um touchdown tardio, que finalizou a recuperação esforçada. Os Cowboys estiveram sempre atrás no marcador, perdendo por 24-3 no 2º período e por 31-21, no início do 4º. Mas agora é como se a equipa caminhasse sobre uma fina camada de gelo, onde um passo em falso pode levá-los à tragédia. Os Cowboys, se vencerem os derradeiros dois jogos, são fortíssimos candidatos a um dos 4 lugares de finalistas. Mas esses dois encontros são contra Baylor e Oklahoma, duas equipas de enorme qualidade, com pretensões a vencerem a conferência. Serão dois jogos épicos!
  • Há duas semanas atrás, LSU era o nº 2 do ranking, no 1º ranking emitido pelo comité responsável pela escolha dos 4 finalistas. Em 14 dias apenas, a reputação dos Tigers sofreu dois fortes abalos. Uma semana depois de terem sido humilhantemente derrotados por Alabama, os Tigers sofreram nova derrota pesada, em casa, frente a Arkansas, rival da SEC cuja temporada, forrada de expectativas, não tem corrido conforme planeado. Mas a equipa de Brett Bielema conseguiu, na altura certa, recuperar a compostura, depois de derrotas consecutivas contra Toledo, Texas Tech e Texas A&M. Nesta fase, parecia que a mera ida a um bowl game seria uma tarefa hercúlea, mas Arkansas soube recuperar, tendo apenas uma derrota, desde Outubro, e essa sofrida fora de portas, na deslocação a Alabama. Agora, com este triunfo, a equipa está com um aceitável 6-4, com um 4-2 na SEC West, tendo dois jogos “ganháveis” em casa, frente a Mississipi State e Missouri para fechar a temporada. Os sinais deixados na temporada passada, que pareciam indiciar que a equipa poderia lutar pelo ceptro na divisão, estão ainda lá, mesmo que a defesa tenha comprometido na maioria dos jogos. Mas mesmo essa defesa soube elevar o seu jogo, contendo Leonard Fournette (pelo 2º jogo consecutivo o running back de LSU não atingiu as 100 jardas) e somando 5 sacks sobre Brandon Harris. O ataque encarregou-se do resto, expondo novamente a defesa dos Tigers, uma semana depois de Alabama – e Derick Henry – ter feito o mesmo. O ground game, a cargo de Alex Collins (16 corridas, 141 jardas e 2 TDs), foi instrumental para criar um fosso no marcador. 80 dessas jardas vieram num touchdown soberbo, colocando Arkansas a vencer por 21-0, no 2º período. Parece que a equipa de Bielema apenas mostra todo o seu potencial quando as temporadas se aproximam do encerramento. No ano passado foi em Novembro que a equipa espantou a nação, ao vencer de forma concludente Ole Miss e LSU, para depois esmagar os Longhorns na Texas Bowl. Teremos repetição da mesma ponta final? O desaire acaba de vez com qualquer aspiração de LSU. A linha ofensiva continua a ser massacrada, graças à inexperiência da maioria dos seus jogadores, tornando a vida difícil para o quarterback Brandon Harris, constantemente perseguido no backfield. E, quando Fournette, o real motor da equipa, é contido (122 jardas nos dois últimos jogos,) os problemas são insolúveis, tornando a equipa unidimensional e demasiado dependente da sua estrela. Mesmo essa, cujos números continuam a ser extraordinários, vê diminuírem a cada encontro a possibilidade de lutar pelo Heisman Trophy.
  • Se Fournette desliza na pretensão ao Heisman, Derrick Henry, running back de Alabama, cimenta mais o seu status. Henry foi novamente preponderante na vitória de ‘Bama, por esclarecedores 31-6, no complicado campo de Mississipi State. 22 corridas, 204 jardas e 2 scores, contrabalançando o jogo aéreo, desequilibrado e vítima da irregularidade exibicional de Jake Coker. Se Henry é o pulmão, o coração do ataque, que mantém a máquina a bombear, é a defesa que tem sido instrumental. Na semana passada “secou” Founette, que correu míseras 31 jardas. Agora, perante Dak Prescott, um quarterback móvel, o esforço colectivo foi ainda mais impressionante, obtendo 9 sacks e parando novamente o run game do adversário, mantido sob rédea curta e apenas com 89 jardas alcançadas. A coesão defensiva começou bem cedo, na drive inicial, parando Prescott num 4-and-goal e estabelecendo o tom para o resto do encontro. O 2º período foi aquele em que a acção aconteceu, numa espécie de curta metragem, com principio, meio e final, em apenas 15 minutos. Começou com um punt retornado para TD, cortesia de Cyrus Jones. Continuou com nova obra de arte do freshmam Calvin Ridley, que transformou um curto passe numa jogada de 60 jardas, até à glória. E culminou com o habitual exercício de Henry, apanhando um buraco na linha de scrimmage e correndo a direito 74 jardas. Fisicamente Henry é um colosso, quando comparado com os seus pares. Um running back de 6’3’’ de altura, uma massa veloz de músculos e nervos, um adulto jogando num playground com um grupelho de miúdos. Se o 1º foi de 74 jardas, o seu 2º, a sentença definitiva no jogo, foi uma cópia, de 65 jardas, com algum esforço à mistura e dois stiff arms pelo caminho, afastando de forma fácil os adversários. Beast mode, em formato universitário.
  • As coisas, no futebol americano, evoluem de forma ultra-rápida, com os jogadores a passarem de bestiais a bestas, em questão de meses. Dei por mim a pensar nisso por causa de Keenan Reynolds, o novo detentor do recorde de touchdowns corridos na FBS. Mas já lá vamos. Recordo-me do anterior detentor da marca. Montee Ball, running back de Wisconsin, felino nas acções, um jogador empolgante e que, julgava eu, estaria destinado ao sucesso na NFL. E ele até trilhou esse caminho, quando foi draftado pelos Broncos em 2013 e conseguiu, no seu 1º ano, alguma relevância. Mas depois, com lesões de permeio, foi caindo naquele limbo do esquecimento e é agora uma nota de rodapé, um free agent de quem ninguém se recorda. Keenan Reynolds, como escrevi acima, bateu o recorde, correndo para o seu 78º touchdown. Curiosamente, ao contrário do que aqueles que não o conhecem estarão a pensar, ele não é um running back. Pelo menos, na depth chart e no posicionamento em campo. Reynolds é o quarterback de Navy, se bem que raramente passe uma bola, atendendo à predilecção pelo ground game que vigora na equipa. Reynolds é, à sua maneira, um jogador excitante, pleno de dinamismo, tornando os sofríveis jogos de Navy algo merecedor de ser acompanhado. Contra SMU, o esmagamento por  55-14 permitiu ver a plenitude das qualidades do jogador, autor de mais 3 TDs, depois do inaugural, subindo o seu pecúlio para impressionantes 81, na carreira.
  • A vinda de Jim Harbaugh para o college tornou-me, de imediato, um fã incondicional de Michigan. Pensei que o ex-técnico dos 49ers demorasse algum tempo até colocar ordem na casa dos Wolverines. Mas não. Mesmo com apenas alguns meses para conseguir, via recrutamento, alguns prospects interessantes, Harbaugh transfigurou a equipa, em termos de ambição e personalidade. Os Wolverines podiam, nesta altura, almejar bem mais do que o título da Big 10, não fosse aquela surrealista derrota frente aos rivais de Michigan State, nos últimos instantes. Mas, esquecendo esse desaire, a aspiração passará sempre por alcançar o topo da conferência. Nem que, para isso, seja preciso sofrer a bom sofrer. A resiliência mental também faz parte das grandes equipas, da maturação dos jogadores, e também nesse quesito os Wolverines mostram estar sólidos. Contra Indiana, fora de portas, o jogo foi um thriller, apenas terminado no 2º prolongamento, com uma vitória por 48-41. O encontro foi um ver se te avias, em termos de big plays. Indiana passou para a frente, a 2:52 minutos do final, por 34-27. Michigan montou uma drive cirúrgica, com 8 jogadas, culminada num passe para TD de Jake Rudolph para Jehu Chesson, empatando a contenda a 5 segundos do fim e levando-a ao 1º prolongamento. Estes dois jogadores foram, aliás, os mentores do ataque, as pedras basilares do sistema ofensivo. Rudolph teve o seu melhor jogo com a camisola da universidade, parecendo um veterano nos comandos do ataque, e não o neófito que apenas está nesta época na equipa. 440 jardas de passe, num 33 em 46, para 6 TDs e uma INT, e esticando jogadas e drives com os pés, onde se assumiu como o melhor, no ground game, com 64 jardas. O receiver teve o jogo de uma vida, com 10 recepções, 207 jardas e 4 touchdowns. A vitória, atípica nas equipas de Harbaugh, que são eminentemente físicas na defesa e no jogo corrido (os Wolverines estavam em 1º na prova, em menor número de jardas cedidas na defesa e em takeways defensivos), suportada pelo poderio aéreo, aguça o apetite para o que aí vem. Michigan, se vencer Penn State (novo grande jogo em perspectiva) e Ohio State bater Michigan State, na próxima semana, preparará o terreno para o que se esperava, desde início da temporada. Um Michigan versus Ohio State, na última jornada, num frente-a-frente entre dois técnicos conceituados (Harbaugh e Urban Meyer) e duas equipas que têm uma rivalidade doentia, num jogo que decidiria o título de conferência.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

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