NFL All-Rookie Team 2014 – Ataque

Paulo Pereira 30 de Dezembro de 2014 Jogadores, NFL Comments
Teddy Bridgewater

NFL All-Rookie Team 2014 – Ataque

Senhoras. Senhores. Meninas e meninos. Sim, é essa altura do ano. O ser humano tem algo de repetitivo, vivendo em ciclos constantes. O período de festividades de final de ano coincide com o fim da regular season, na NFL. E, com isso, somos inundados de rankings, tops e listas, tendentes a darem-nos os melhores em cada posição, os jogadores que mais se destacaram, etc, etc. Confesso que é pior do que a ressaca de Ano Novo, ou a espera pela abertura dos presentes no Natal. Previsível e boring. É igualmente nesta altura do ano que somos presenteados com os eleitos para o Pro Bowl, algo que lança sempre discussões sem fim em fóruns afectos ao futebol americano, porque o jogador A não foi escolhido e o jogador B foi. Por manifesta falta de tempo (a malta trabalha) aqui no blogue, temos passado anualmente ao lado da febre de eleger os melhores. Mas temos desculpa, para além da vida profissional de cada um que, não raras vezes nos rouba tempo precioso para dedicarmos a esta paixão conjunta. Não se preocupem. Não vou escrever lamúrias, nem queixar-me do meu chefe. Só vos estava a dar um contexto. Este ano, entre abertura de embrulhos contendo cachecóis de cores psicadélicas, ou mais um after shave de fragrância assustadora, fui rabiscando uma ideia, no conforto da lareira. E que tal se criasse um onze dos melhores rookies? Rapidamente, entre um golo de Porto e uma rabanada, alinhavei uma série de nomes que me encantaram durante o ano. Não pretende ser, de nenhuma forma, a ultimate list, um dogma gravado numa runa, que não permite discussão. Pelo contrário. É apenas o início de uma tertúlia, espero eu. Mandem os vossos bitaites. Discutam as escolhas. Dêem sugestões/alternativas. Insultem o gosto do escriba. Mas participem. A lista não segue nenhum esquema táctico definido. Não usei, na escolha da defesa, a opção pelo 3-4 ou 4-3. No ataque, idem aspas.Se repararem, falta o fullback. Faço o meu mea culpa. Nem todas as equipas os usam e, sinceramente, passam abaixo do meu radar de interesse. Têm importância? Claro que sim. O que seria de Adrian Peterson, no ano em que atacou o recorde de jardas, sem o apoio de Jerome Felton? Mas não acompanhei a temporada de nenhum consagrado, quanto mais de um rookie.

Quarterback

Teddy Bridgewater, Vikings

Teddy Bridgewater

Teddy Bridgewater
Foto de Brace Hemmelgarn-USA TODAY Sports

Ok. Sou [ligeiramente] parcial e faccioso, mas a minha convicta costela de adepto da franquia de Minnesota nada teve a ver com escolha. A classe de Qbs não deslumbrou, limitando logo a possibilidade de eleição. Manziel foi uma decepção, Blake Bortles debateu-se com  mediocridade dos Jaguars, alternando períodos bons com outros menos conseguidos. Teddy foi lançado às feras, de forma inesperada, depois da lesão de Matt Cassell, e sem o apoio de um jogo corrido consistente, com o castigo de Adrian Peterson. A temporada tinha tudo para ser um desastre, com uma OL porosa, pelo mau jogo de Charles Johnson e Matt Kalil, e com um pedestre grupo de receivers. Teddy sobreviveu, com um game plan conservador, que procurou sempre protegê-lo, e lançando bolas para nomes desconhecidos como Chase Ford (tifht end backup) e Charles Johnson II, um miúdo vindo da practice squad. O que ele alcançou, face a tantas dificuldades, com um rookie a tomar conta do jogo terrestre (Jerick McKinnon), merece aplausos. Teddy pareceu sempre calmo, equilibrado no pocket, capaz de fazer a maior parte dos lançamentos e conseguindo dissecar as defesas. É ainda um jogador inconstante, capaz de falhar um passe numa rota curta e básica e a seguir acertar uma deep ball. Mas isso é expectável. Pode ser o franchise quarterback que os Vikings tanto anseiam. 2015 será um ano crucial, em que veremos se a maturidade e experiência adquirida o fazem elevar o seu jogo. O seu último mês de competição foi espantoso, com mais de 70% de passes completos.

Menção Honrosa

Derek Carr, Raiders – Está no mesmo patamar que Bridgewater. Bela temporada do rookie de Oakland que se pode tornar, a curto prazo, o núcleo da construção de uma franquia competitiva. Apenas peca pela quase ausência de passes longos, mas isso poderá estar relacionado com os alvos de que dispõe. Sereno sob pressão, conseguiu criar alguma empatia com Mychal Rivera, Andre Holmes e James Jones, dando esperança à frustrada legião de fãs da franquia. O futuro promete ser mais risonho.

Running Back

Jeremy Hill, Bengals

Jeremy Hill

Jeremy Hill
Foto de AP Photo/Rick Scuteri

Grande temporada do rookie vindo de LSU, conseguindo sair da sombra incomodativa de Giovani Bernard. Progrediu ao longo da época, tornando-se uma referência na equipa no jogo corrido e explodindo na parte final do ano. A sua exibição contra os Broncos, com um TD magnífico, de 85 jardas, é apenas a cereja no topo do bolo. Hill ultrapassou, com esse jogo, a marca das 1000 jardas corridas, um feito digno de realce, logo no ano de estreia. Deu a dimensão terrestre que os Bengals necessitavam, retirando alguma pressão dos ombros de Andy Dalton.

Menção Honrosa

Tre Mason, Rams – Numa classe que despontou, com o decorrer da temporada, Mason destacou-se do resto do grupo com o dinamismo que trouxe ao ataque dos Rams, assumindo-se como o titular, relegando Zac Stacy e Benny Cunningham para o banco. Leva 737 jardas corridas e ameaça ser um caso sério, depois da fantástica carreira que teve em Auburn. Nomes como Branden Oliver (Chargers), Andre Williams (Giants), Isaiah Crowell e Terrance West (Browns), tiveram os seus highlights, mas foram sempre inconstantes, com altos e baixos reveladores de alguma imaturidade e dificuldade na transição para o mundo profissional.

Wide Receiver

Oh boy, que dor de cabeça escolher apenas dois para uma equipa titular. Um deles foi óbvio para mim, desde início.

Mike Evans, Buccaneers

Mike Evans

Mike Evans
Foto de USA TODAY Sports

Acompanhei a carreira dele em Texas A&M, por força do fenómeno mediático que era Johnny Manziel. O calmeirão era o par ideal para aquele futebol empolgante, feito de improviso. Começou algo titubeante a aventura profissional, sobretudo devido aos problemas na posição de quarterback, onde nem Mike Glennon nem Josh McCown conseguiram aportar qualidade de forma regular. Mas, depois, rapidamente se impôs, com a sua velocidade e tamanho a desafiarem qualquer defensor. Leva 11 touchdowns, tornando-se o destaque no jogo aéreo de Tampa, ofuscando Vincent Jackson, tendo praticamente 1000 jardas (faltam-lhe apenas 3, com um jogo por disputar) e mais de 60 recepções. Vai ser um caso sério.

Odell Beckham Jr., Giants

Odell Beckham Jr.

Odell Beckham Jr.
Foto de GETTY IMAGES

Quem é que não ficou rendido ao fenomenal rookie? É impossível ficar indiferente ao trabalho realizado dentro de campo pela antiga estrela de LSU (que equipa magnífica Les Miles tinha, com Beckham, Jeremy Hill, Jarvis Landry, Zach Mettenberger), que tomou a competição de assalto, depois de falhar os quatro primeiros jogos por lesão. Não fosse isso e estaríamos a vê-lo concorrer para o título de mais jardas recebidas. Leva impressionantes 1120, com 79 recepções e 11 touchdowns, alguns deles obtidos de forma acrobática. Apanha praticamente tudo que é lançado para si, revelando uma mãos quase sobrenaturais. É um dos jogadores mais excitantes da actualidade.

Menção Honrosa

Tantos que merecem figurar aqui, numa classe de rookies que alguns apontam como a melhor de sempre. Jarvis Landry (Dolphins), Kelvin Benjamin (Panthers), Sammy Watkins (Bills), John Brown (Cardinals) e Jordan Matthews (Eagles), conseguiram grandes momentos no ano, provando o acerto das suas contratações. A escolher dois apenas, apostaria em Kelvin Benjamin, pese o seu elevado número de drops, mas com um potencial assustador, e Jarvis Landry, pelo dinamismo e qualidade que trouxe a Miami, onde ainda acrescentou competência nos retornos.

Tight End

Jace Amaro, Jets

Jace Amaro

Jace Amaro
Foto de Rich Schultz/Getty Images)

O grupo de TEs vindos do draft foi uma desilusão e Jace Amaro aparece como o menos mau. Austin Seferian-Jenkins não conseguiu, ainda, capitalizar todo o seu potencial, não se tornando a referência que eu esperava nos Bucs. Eric Ebron contribuiu minimamente nos Lions, mas também sem o fulgor e impacto esperados. Amaro, nos Jets, teve números pedestres, de certa forma amenizados pela inconstância no posto de QB, onde nem Geno nem Vick souberam dar a dimensão aérea esperada ao ataque. Teve um jogo excelente, frente aos Broncos, onde mostrou o que pode dar à equipa, com 10 recepções a tornarem-no virtualmente imparável.

Menção Honrosa

Richard Rodgers, Packers – Não foi utilizadode forma regular, como receiver, tendo apenas 15 recepções e 2 TDs na temporada, mas revelou alguma capacidade para aparecer na red zone como alvo capaz de criar incompatibilidades, face ao marcador directo. Ainda aprende os intricados esquemas de um ataque mais complexo, com zone blockings e apoio directo à corrida, mas poderá ser uma arma a ter em conta, em 2015.

Offensive Tackles

Se o ano não foi famoso para os tight ends, o que dizer dos offensive tackles? A palavra bust ainda não deve ser proferida, mas paira na mente de muitos. É cedo, rapaziada. Ser OT, hoje em dia, é uma das tarefas mais árduas e difíceis na NFL. Numa classe que viu alguns dos prospects saírem bem cedo, no draft (caso de Greg Robinson, Jake Matthews e Taylor Lewan), as escolhas recaem em jogadores menos sonantes, mas com uma produção bem consistente.

Ja’Wuan James, Dolphins [LT]

Ja’Wuan James

Ja’Wuan James
Foto de Jeff Haynes/Associated Press

Foi considerado um reach, por ter saído no 1º round, quando existiam jogadores mais consagrados, mas rapidamente desfez essa ideia, adaptando-se na perfeição à OL dos Dolphins. O jogador made in Tennessee ocupou inicialmente o lado direito da linha ofensiva, conseguindo ser a peça estanque que a carenciada unidade necessitava. Com a lesão de Branden Albert, foi obrigado a assumir a posição de left tackle, mantendo-se sólido e competente.

Justin Britt, Seahawks [RT]

Justin Britt

Justin Britt
Foto de Otto Greule Jr/Getty Images

O estilo de jogo de Russell Wilson exige bastante da linha ofensiva, obrigada muitas vezes a improvisar quando o móvel quarterback procura arranjar tempo com os seus scrambles, alargando o raio de acção da sua guarda pretoriana. Britt continua quase a ser um perfeito desconhecido do público em geral, mas tem trabalho realizado e importante no apoio do jogo corrido e aéreo.

Menção Honrosa

Greg Robinson – que iniciou a sua carreira profissional como left guard e ascendeu a tackle durante a temporada. Tem ainda muito que melhorar, mas a sua linha evolutiva tem crescido, num sinal de maturidade. Tem sido estanque como left tackle, nos últimos jogos. Seantrel Robinson, que muitos apontavam antes do draft com potencial para sair nos 2 primeiros rounds, foi escolhido apenas no 7º, pelos Bills, com o resvalar a mostrar existirem muitas dúvidas quanto ao jogador e à sua ética de trabalho. O que se pode dizer, no tempo que passou, é que foi um dos roubos do draft, com Henderson a produzir de forma consistente e a assumir-se como parte integrante da OL de Buffalo, desde início.

Offensive Guards

Ao contrário dos tackles, o draft para os guards foi excelente, com vários nomes a imporem-se, desde início e a serem apostas (mesmo que relativas) para offensive rookie of the year.

Zach Martin, Cowboys [RG]

Zach Martin

Zach Martin
Foto de Tim Heitman/USA TODAY Sports

Todos seguimos a história de Johnny Manziel, no draft, e do desejo não escondido de Jerry Jones o escolher, com a pick do 1º round. Felizmente para a franquia de Dallas, a decisão não foi do owner, e assim com a pick nº 16 chegou Zach Martin, left tackle em Notre Dame, transformado em right guard. Martin rapidamente assimilou a responsabilidade e assumiu-se como parte integrante da melhor OL da competição, auxiliando bastante no jogo corrido e na protecção a Tony Romo. Se a sua transição foi feita de forma suave, rápida e indolor, o que dizer de…

Joel Bitonio, Browns [LG]

Joel Bitonio

Joel Bitonio
Foto de Bill Frakes

Vindo de Nevada, o que se pode dizer de Bitonio é que constitui uma das grandes revelações da temporada, uma verdadeira pérola encontrada no round 2. Agressivo, tecnicista, jogou todos os snaps até à data, cedendo apenas um sack, no jogo da semana passada contra os Panthers.

Menção Honrosa

Trai Turner, Panthers – Escolhido no round 3, vindo de LSU, da escola de Les Miles. Turner não sentiu nenhuma dificuldade em manter o seu estilo de jogo vigoroso e físico. Se no College era um colosso físico, inamovível na posição, na NFL representou um upgrade na OL dos Panthers, deficitária em qualidade, depois da reforma de Jordan Gross. Tem um futuro promissor.

Center

Corey Linsley, Packers

Corey Linsley

Corey Linsley

Ainda me recordo da preocupação que emanava de Green Bay, antes do jogo de abertura contra os Seahawks e a sua defesa ultra-agressiva. A razão era simples: a estreia de Linsley, center que era lançado às feras, na importante posição. O que se pode dizer é que o rookie conseguiu superar as expectativas, aguentar as dores de crescimento e, com um ou outro momento menos conseguido, manter-se sólido na OL de Green Bay. A tarefa tem sido hercúlea e há que lhe dar o mérito, vindo do mundo universitário e de um ataque quase unidimensional, para a NFL e a complexidade do sistema atacante dos Packers.

Menção Honrosa

Escolho duas. A primeira, merecidamente, é Russell Bodine, nasty & mean na OL dos Bengals. A outra é Jonotthan Harrison, center dos Colts. Este é uma das mais improváveis histórias de sucesso da NFL. De undrafted rookie até à titularidade na OL de uma das equipas que mais pontos marca? É a feel good story dos últimos tempos. Harrison aproveitou a lesão de Khaled Holmes, a grande aposta dos Colts para a posição, para se insinuar no roster e, na week 5, desalojar AQ Shipley da titularidade. Não tem sido perfeito – longe disso – mas merece realce a sua ascensão feita a pulso.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.