Camp Report 4
Vamos a mais uma rodada pelos training camps? Uma espécie de voyeurismo desportivo, analisando fontes, estudando rosters, pesquisando vídeos, sempre na procura da última informação, ou porque somos consumidores compulsivos de futebol americano e não queremos deixar escapar nada, ou porque procuramos a derradeira descoberta que fará furor nos jogos de fantasy. Independentemente do motivo, importa não perder pitada desta preseason. É aqui, e agora, que se criam os alicerces para conquistar o Super Bowl.
Cincinnati Bengals
1 – Estará Andy Dalton transfigurado? O quarterback dos Bengals está, segundo os reportes iniciais do training camp, extremamente preciso nos passes curtos, médios e longos, desenvolvendo uma boa conexão sobretudo com AJ Green. Mas isso nem deve constituir uma grande surpresa para quem acompanha a NFL. Dalton tem sido um QB com produção aceitável…na regular season. O problema é mesmo a fase seguinte, os playoffs, cujas derrotas consecutivas e más exibições o colocaram em cheque. Dalton tem tudo, novamente, para realizar uma boa campanha. Alvos seguros e confiáveis no corpo de receivers (AJ Green, Mohamed Sanu e Marvin Jones) e tight ends (Jermaine Gresham e Tyler Eifert), que lhe permitem consolidar o jogo de passe. Se as primeiras amostras forem indicativas, temos um quarterback mais maduro.
2 – O training camp serve também para acompanhar o progresso de jogadores regressados de lesão. Os Bengals têm alguns – importantes – nessa situação. O cornerback Leon Hall, que falhou 2011 na totalidade devido a um torn ACL e parte de 2013 devido a outro, regressa e pode ser um factor importante na secundária. Tal como Geno Atkins, o fantástico defensive tackle e o melhor jogador da defesa, que continua a reabilitação procurando encurtar etapas na evolução. Os Bengals devem contar os dias que faltam para o ter totalmente disponível. A DL, com ele, é muito mais intimidante.
Carolina Panthers
1 – Mais do que assistir ao progresso de Cam Newton, depois da operação à anca, ou à empatia criada com o seu grupo novo de receivers, o primeiro treino permitiu ver a “fome” de bola que grassa por todo o País. 36 mil espectadores no Bank of America Stadium dão bem a ideia da popularidade do desporto, da saudade sentida após a sempre longa offseason e, claro, do anseio de ver os Panthers, novamente.
2 – Com Jordan Gross retirado, importa saber quem se sucederá ao mítico left tackle na posição. Os primeiros indicadores podem ser prematuros e sofrer de falta de informação, mas Byron Bell tem merecido a maioria dos snaps com a provável OL titular, indiciando que é ele o front-runner para a posição. A luta, nesta fase, circunscreve-se a Bell e Nate Chandler, que vem dos offseason workouts com boas indicações.
3 – Se a unidade de running backs parecia densa, tudo mudou num curto espaço de tempo. Primeiro foi Jonathan Stewart a lesionar-se, com um tempo previsível de paragem que pode atingir as 4 semanas. Depois, o rookie Tyler Gaffney conheceu o travo amargo duma season ending injury, desfalcando a depth. O que resta agora? DeAngelo Williams, Mike Tolbert, mais usado como fullback e running back de short yardages e Kenjon Barner.
Philadelphia Eagles
1 – Segundo ano na NFL para Chip Kelly. O que é que o inovador treinador tirará da manga, este ano, para surpreender? Kelly parece ter uma confiança ilimitada em si mesmo, procurando emular o sucesso que conseguiu na universidade de Oregon, com o seu ataque fast-break a conseguir levar os Eagles a vencer a divisão. Kelly tem algumas ideias interessantes, conforme se pode perceber do curto excerto duma entrevista de Peter King com ele. Como a da implementação de um programa avançado de nutrição, que ensina (e literalmente é esse o termo – ensinar) os jogadores a comerem, alterando-lhes hábitos. E é isso que torna fascinante seguir o trabalho futuro dos Eagles. Isso e, claro, a forma que a equipa encontrará para suprir a ausência (importante) de DeSean Jackson. Movimento arriscado de Kelly, ao dispensar o jogador, sabendo que nas derrotas a saída do WR será relembrada, mas provando a imensa confiança que o treinador tem no seu sistema. DeSean Jackson não será substituído individualmente por um dos nomes entretanto adquiridos, como Darren Sproles ou Jordan Matthews, mas sim pelo próprio esquema táctico e a sua multiplicidade de rotas e tarefas atribuídas a cada elemento.
2 – Deve ser caso único, mas a primeira escolha dos Eagles no draft, o pass rusher Marcus Smith, tem passado abaixo do radar na curiosidade alheia. Chip Kelly já tinha afirmado, com as letras todas, que não dá grande relevo ao round em que escolhe os jogadores. E Marcus Smith, que actualmente treina com a 3ª equipa, terá tempo para amadurecer, antes de ser chamado à equipa titular.
Arizona Cardinals
1 – Competição acesa para a titularidade na OL, sobretudo em dois lugares: right guard e right tackle. Não existe ainda nenhum vencedor declarado nesta luta sem tréguas para a ascensão ao 11 principal, sendo previsível que tudo se resolva apenas após os jogos da preseason. Até lá, Bradley Sowell e Bobbie Massie digladiam-se pelo posto de RT e Earl Watford e Paul Fanaika pelo de RG.
2 – A principal dúvida, na defesa, parece ainda não ter uma resposta. Quem substituirá o linebacker Daryl Washington? Larry Foote? Bruce Arians não o considera um LB para jogar os 3 downs, mas a luta será entre ele, Ernie Sims e Lorenzo Alexander. Só uma grande surpresa – leia-se um training camp soberbo – por parte dos rookies Glenn Carson e Jonathan Brown é que levaria um deles à titularidade.
3 – Uma das lutas mais intrigantes e empolgantes é pela posição de kicker. Bruce Arians, como a maioria dos técnicos, adora competição, e trouxe dois kickers para desafiar a posição que é de Jay Feely.Um, Danny Hrapmann, é um journeyman sem grande expressividade, mas o rookie Chandler Catanzaro tem dado nas vistas e promete ameaçar o status quo de Feely. Mas, se tivesse que adivinhar, se a decisão for baseada em aspectos meramente técnicos, Feely continuará com o trabalho. Com os Cardinals a quererem ameaçar a posição dos Seahawks e 49ers na divisão, deixar o crucial papel de kicker para um rookie poderia acarretar riscos desnecessários.
Chicago Bears
1 – Começa a ser regular assistir a algumas escaramuças nos training camps. No dos Bears, os dois primeiros dias de treino trouxeram igual número de brigas. Se a primeira passou quase despercebida, a 2ª envolveu já um número apreciável de jogadores. Há quem lide com a situação como fazendo parte do ritual anual, desvalorizando o efeito da refrega. Marc Trestman não é um desses, tendo mostrado que forma verbal que não gostou do que apelidou de “problemas disciplinares”. O mais preocupante é que dois dos intervenientes – LaMarr Houston (DT) e Kyle Long (OL) – já se tinham envolvido num incidente durante o OTA.
2 – O quarterback backup ainda não está encontrado, com os Bears a alimentarem a competição entre Jordan Palmer e Jimmy Clausen. O primeiro é mais conhecido por ser irmão de Carson Palmer, ex-Bengal e actual Cardinal. O segundo é uma antiga estrela de Notre Dame, que tarda em mostrar progresso na NFL. David Fales, escolhido no draft deste ano, parece ser mais um projecto a médio/longo prazo e Jordan Lynch, o astro de Northern Illinois, tenta a sua permanência no roster como…running back.
New England Patriots
1 – Legion of Boom em Boston? Aparentemente, sim, face ao estilo de jogo de Brandon Browner, antigo integrante da secundária dos Seahawks, que não brinca em serviço. O estilo eminentemente físico (Browner é um cornerback com 6’4’’) tem imperado nos treinos, deixando algumas nódoas negras aos adversários de ocasião, como ao rookie running back James White.
2 – Um jogador intrigante que, no entanto, terá enormes dificuldades para fazer parte do roster final, é o tight end Justin Jones. Intrigante porquê? Fundamentalmente, pela altura. Os seus 6’8’’ tornam-no no elemento mais alto presente no training camp e uma arma letal no jogo de ataque. A sua altura faz sempre mossa, criando matchups impossíveis para os linebackers.
Kansas City Chiefs
1 – Problema premente para resolver? Tight ends saudáveis. Travis Kelce, em quem os Chiefs depositam enorme esperança, continua a sua reabilitação, depois de ter perdido a temporada toda de 2013. Não haveria grande problema se Sean McGrath, que liderou as recepções na unidade no ano passado, não se tivesse abruptamente reformado. Num ápice, os Chiefs ficaram reduzidos a Anthony Fasano e Demetrius Harris, ambos inconstantes em termos físicos, não dando garantia de durabilidade. E assim, numa das posições mais importantes em termos de ataque, a franquia está desesperada.
2 – Junior Hemingway, wide receiver, parece constituir uma sólida aposta para a posição de slot receiver. Os Chiefs mostram-se encantados com a sua velocidade mas, acima de tudo, com a sua altura. Com 6’1’’ Hemingway é maior do que a maioria dos nickel backs que o defendem, criando sempre problemas adicionais à defesa. Mantenham um olho na produção dele, este ano.
Miami Dolphins
1 – Jarvis Landry. Rookie. Wide Receiver. Escolha de 2º round. Promete ser electrizante. O par para Mike Wallace parece estar encontrado. Landry + Wallace + Brian Hartline + Charles Clay. Um quarteto de qualidade para ajudar Ryan Tannehill a atingir o nível que a equipa anseia.
2 – Dion Jordan. Linebacker. Escolha nº 3 no draft de 2013. Ao contrário de Landry, a palavra “bust” começa a ser murmurada. É algo ainda em surdina, mas a passagem do jogador pelos Dolphins tem-se saldado por ser uma nulidade. Este ano, quando a equipa ansiava pela sua explosão definitiva, Jordan leva com uma suspensão nos 4 primeiros jogos. 2014 será decisivo para o jogador, e se a sua temporada não corresponder às expectativas, poderá bem ser uma baixa casuística na próxima offseason.
3 – O jogo corrido dos Dolphins no ano passado foi anémico. E dizer isto é um eufemismo. A equipa procurou alternativas e da free agency chegou Knowshon Moreno. Ironicamente, nos primeiros treinos, Moreno tem-se debatico com uma lesão no joelho e tem sido Lamarr Miller a grande figura, mostrando polivalência, aparecendo em situações de passe. O jogador, com nova silhueta (mais pesado, a pedido da equipa), pode ser uma agradável surpresa em 2014.
S. Francisco 49ers
1 – Depois de Kendall Hunter, perdido para a temporada toda, foi a vez de LaMichael James se lesionar, deslocando um ombro e com um período previsível de paragem nunca inferior a um mês. O jogo corrido continua a perder depth, com o principal beneficiário dos azares dos colegas a ser o rookie Carlos Hyde, que pode ser empossado como RB 2, atrás do monstro Frank Gore.
2 – Quem tem tido um forte training camp tem sido o receiver Michael Crabtree, juntamente com Quinton Patton (a entrar no seu 2º ano), que terminou 2013 em alta. A este duo junta-se o tight end Vance McDonald, que apareceu em 2013 de forma episódica.
3 – Com Alex Boone em holdout ganha forma a titularidade de Joe Looney no primeiro jogo da preseason, agendado para 7 de Agosto, frente aos Ravens. Jim Harbaugh não tem poupado elogios a Looney, no que deve constituir um boost anímico ao jogador. Outros jogadores que têm merecido referências lisonjeiras de Harbaugh são os novatos linebackers Chase Thomas e Shayne Skov, que foram treinador por ele em Stanford.
New York Jets
1 – Depois da fome, a fartura. A unidade de tight ends, em 2013, viveu quase só da participação de Jeff Cumberland. Este ano existe competitividade. Do draft chegou Jace Amaro, um dos melhores jogadores do College na posição, que se junta a Cumberland e a Zach Sudfeld. Se se recordam, Sudfeld teve um forte training camp, em 2013, nos rivais Patriots, aproveitando na altura a ausência de Gonkowski e Aaron Hernandez. Sudfeld, que depois disso se lesionou e acabou cortado do roster de New England, procura agora a sorte noutro lado. Nos treinos, tem-se destacado, quer pela velocidade, quer pela habilidade que demonstra na separação do marcador directo. Nesta altura, é claramente o melhor TE dos Jets, aproveitando a paragem de Amaro por lesão e a participação tardia de Cumberland nos treinos.
2 – Percebemos que o training camp é uma espécie de silly season quando Geno Smith proclama que espera, brevemente, ser um QB top-5 e Dee Milliner afirmar, sem qualquer pudor, que é o melhor corner da liga. A juntar-se aos disparates habituais nesta altura, o linebacker Calvin Pace rotulou a defesa dos Jets como a melhor da competição.
3 – Luta pelo posto nº 3 de quarterback. Não que isso interesse a muita gente, mas como fervoroso adepto de Clemson gostava de ver Tahj Boyd singrar na NFL. A antiga estrela dos “oranges” tem-se debatido com os problemas similares a tantos rookies: aprender, num curto espaço de tempo, um playbook complexo. Boyd tem-se destacado nos treinos nos lançamentos longos, aproveitando o braço forte que possui, mas revela enormes dificuldades nos passes curtos e intermédios, cometendo erros de principiante. Quem se pode aproveitar destas debilidades é Matt Sims, que luta por um lugar no roster. Se bem se recordam, Sims mereceu alguns snaps, no ano passado, quando o caos estava instalado na posição.






