NFL Draft 2016: Um Panzer em Terras do Tio Sam

Paulo Pereira 9 de Maio de 2016 Draft, NFL Comentários Desligados
Moritz Boehringer

NFL Draft 2016: Um Panzer em Terras do Tio Sam

Moritz Boehringer. Que raça de nome. Tive que o copiar para ver se não me enganava a escrevê-lo aqui. O alemão meteu na cabeça que é um jogador de futebol. Até aí, nada de novo. Como disse Lineker, entre o enfadado e o conformado, “são 11 contra 11 e no final ganha a Alemanha”. Só que o bom do Moritz não joga esse tipo de futebol. É como nós. Um apreciador profundo da subcultura que, um pouco por todo o lado no velho continente, vai criando fundações, vencendo barreiras, rompendo preconceitos. E é, por isso, uma daquelas feel good stories que nos acalenta o coração. Moritz é um de nós. Há 5 anos atrás andava a navegar no you tube a ver vídeos da NFL. Quantos de nós não começamos assim, sôfregos por um pedaço de acção? Só que ele, como escrevi acima, meteu na cabeça que era capaz de jogar aquilo. O desporto estranho, cujas regras eram então desconhecidas. Fê-lo angariando uns amigos, com quem trocou umas bolas no parque dum qualquer vilarejo teutónico. Evoluiu depois para um jogo, já mais padronizado com aquilo que se vê em terras do Tio Sam. Sempre com um fito a dominá-lo. Queria ser tão bom como o ídolo, então angariado no visionamento de vídeos e streams manhosos, Adrian Peterson. Desses torneios amadores com amigos, regados depois a cerveja num pub qualquer, até à competitiva liga alemã, foi um curto passo. Mortiz deu nas vistas, pelo seu atleticismo, pelas supremas capacidades físicas, que o tornaram um fenómeno na Europa. Wide receiver cujas skills foram aproveitadas para se tornar num letal retornador, brilhou nos [e, agora, lá vou eu copiar letra a letra para não cometer nenhuma gralha] Schwabisch Hall Unicorns. Quem conseguir pronunciar isto, sem um erro gramatical e no melhor sotaque germânico, ganha o nosso apreço. Nos Unicorns, nome apropriado para quem anda a perseguir quimeras, atingiu a final da German Football League.

Com a NFL, cada vez mais, a querer expandir fronteiras, foi uma mera questão de tempo até que a atenção se focasse nele. O gabinete europeu da NFL preparou o resto. Uma digressão pelos States, uma participação numa espécie de combine regional (no pro day de Florida Atlantic) e voilá! Moritz abriu bocas de espanto, ao colocar números nos habituais exercícios típicos do combine ao nível dos melhores, como um explosivo 4,40 nas 40 jardas ou um 39’’ no salto vertical. Em termos físicos/atléticos, ele está no topo. Falta o resto. A grande e decisiva parte. O jogo na Europa, por mais entusiasmo e paixão que tenha, está a anos-luz do que se pratica no berço da modalidade. Moritz é uma folha em branco, nesta altura, cru na percepção de rotas, impreparado na exigência que é requerida a qualquer jogador, nos complexos sistemas debitados pelo playbook. O conto de fadas ainda continua, a todo o vapor. Moritz participou no draft e foi escolhido pela equipa que tem o seu ídolo, os Minnesota Vikings. Mas o verdadeiro exame vem agora. Nos workouts e no training camp ele terá que lutar por um lugar nos 53 do roster. Com jogadores que, durante toda a vida, jogaram a modalidade, bebendo e apreendendo as nuances típicas do jogo. Não acredito que a história tenha um final feliz. Mas, até lá, até esse The End amargo, que estilhaçará as aspirações de Moritz, cruzarei os dedos, numa prece silenciosa, desejando que os deuses da fortuna o acompanhem. Porque, no fundo, não é ele que está a tentar a sorte. Sou eu. E tu. Todos nós que, na Europa, vamos sonhando com proezas inéditas, com jogadas espantosas, com feitos apenas ao alcance dos predestinados. Ele é um de nós. Uma espécie de pioneiro, desbravador de territórios desconhecidos, um David que luta estoicamente contra as probabilidades, o Golias desta história.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

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