NFL Touchdowns & Turnovers: Week 15

Paulo Pereira 17 de Dezembro de 2014 Análises, NFL Comments
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NFL Touchdowns & Turnovers: Week 15

Touchdowns

1- O Arquitecto

Já chamaram a Bruce Arians [quase] tudo. Mente brilhante. Génio ofensivo. Salvador. Falta mais um para o rol de elogios. Arquitecto. Fica bem, certo? Aos 62 anos de idade e apenas no seu 2º ano como head coach, Arians atingiu um estatuto de Midas, na NFL. Tudo o que toca aparenta tornar-se em ouro. A improvável temporada dos Cardinals conheceu novo capítulo, vencendo fora de portas em St. Louis, pese a devastação das lesões. Já aqui se falou da embirração do destino com a franquia de Arizona, ora levando-a a perder jogadores nucleares na free agency (Karlos Dansby), ou penalizando-a com castigos (Daryl Washington), ou delapidando-a com infortúnios físicos (Tyran Matthieu, John Abraham, Calais Campbell, Andre Ellington, Carson Palmer). Perante a barragem de fogo contrário poderoso, os Cardinals vencem. Contrariando expectativas e elegendo sempre o next man up, a franquia vinga na exigente NFC West, coleccionando já 11 vitórias. Sem Andre Ellington, o que fez Arians? Apostou na defesa (fantástico o trabalho do coordenador Todd Bowles, trazendo para a ribalta nomes como Alex Okafor, Larry Foote, Frostee Rucker) e…no jogo corrido. Sim, esse mesmo em que tinham perdido a estrela da unidade. Da practice squad veio Kerwynn Williams para contribuir de forma decisiva (mais de 100 jardas contra os Chiefs e 75 importantíssimas contra os Rams), auxiliando o ataque, privado a meio do jogo de Drew Stanton. Sem o QB que tinha ascendido de backup à titularidade, Arians soube usar a estratégia adequada de forma a libertar a pressão dos ombros de Ryan Lindley, alterando o status quo entre o passe (até aqui claramente vincado na filosofia da equipa) e a corrida (nunca os Cardinals correram em tantos snaps como nas duas últimas partidas). E é essa mudança na estratégia que salva a temporada da franquia, depois de duas derrotas seguidas e um mínimo de jardas no solo. Quando mais se exigia um triunfo, sem Andre Ellington, o que faz Arians? Saca uma carta do baralho, num truque de prestidigitador, e voilá. Duas vitórias sofridas, mas reforçando a personalidade do grupo, com um two-headed monster no ataque (Williams + Stepfan Taylor) e o regresso do pass rush agressivo e intimidante. Estes Cardinals merecem todo o sucesso que têm alcançado. São resilientes, repletos de qualidade e constituem uma das melhores histórias da temporada.

2- Quando Abrir a Caça ao Treinador, Não se Esqueçam Deste

Dan Quinn. O coordenador defensivo de Seattle vai estar na ribalta, quando terminar a temporada e se começarem a definir as linhas-mestras para o próximo ano. Qualquer franquia necessitada de um head coach (e não vão faltar lugares vazios) terá que considerar o talentoso coordenador que no ano passado mostrou a sua qualidade, ao transformar a unidade defensiva de Seattle numa máquina bem oleada e mortífera. Este ano, as lesões ditaram um início de temporada menos consistente, mas é visível nos últimos jogos, sobretudo após o regresso de Bobby Wagner, que a “velha” defesa está de regresso. Exibições incríveis, perante adversários de topo, mostram que, numa era em que o jogo aéreo e o ataque speedado estão em voga, a defesa pode operar maravilhas. A defesa dos Seahawks está novamente no posto nº 1, limitando os seus oponentes a mínimos históricos e mostrando estar preparada para nova corrida ao título. O grande obreiro disso é Quinn, 44 anos, com uma subida a pulso no competitivo mundo da NFL. Com uma série de vagas prestes a abrirem-se, Quinn merece uma oportunidade no competitivo mundo da NFL.

3 –  Jeremy Hill Breaks Out

5 semanas. Foi esse o arco temporal que o running back rookie dos Bengals andou a matutar, resignado ao bullying verbal. O jogador, depois da própria equipa ter sido atropelada em casa pelos Browns, limitou-se a ser sincero. Afirmou publicamente que os Browns “não era assim tão boa equipa”. Isto depois de ter perdido em casa por 24-3 com eles. A resposta foi contundente. Vários jogadores da franquia de Cleveland resolveram mimosear o rookie com alguns impropérios, recordando as incidências do jogo e mostrando quem é que tinha vencido. O bom dos encontros divisionais é que eles acontecem em duplicado. E Hill teve a sua oportunidade de vingança. A retribuição, como todas as retaliações devem ser, foi servida a frio. Dentro de campo. Unicamente usando os seus atributos atléticos para vincar a afirmação que esteve na origem da polémica. Este fim-de-semana, na estreia de Manziel, Hill roubou os holofotes, correndo 25 vezes, para 148 jardas e marcando dois touchdowns. Foi uma performance intratável, que vincou um ponto de vista. Estes Browns, efectivamente, não são assim tão boa equipa. E agora, alguém o contradiz?

4 –  Best Player on the Field

É um dos jogadores do momento, um atleta empolgante que, por si só, justifica o preço de um bilhete. O rookie wide receiver dos Giants, Odell Beckham Jr, explodiu no panorama desportivo, com constantes exibições superlativas. Contra os rivais de divisão, os medíocres Redskins, o antigo jogador de LSU voltou a deslumbrar, mostrando uma vasta gama de atributos que ameaçam torna-lo num caso sério de popularidade. Como será vê-lo em acção, emparelhado com Victor Cruz, quando este regressar recuperado da lesão? Esquecendo agora o cenário hipotético, Beckham já não é uma novidade, que apanhe desprevenidos os adversários. Foi fisicamente desafiado, atraindo atenções defensivas da secundária de Washington. Mas, mesmo assim, terminou com 12 recepções, 143 jardas e 3 touchdowns. A performance, em si, é suficientemente elucidativa para demonstrar o brilhantismo. Mas Beckham parece sequioso em deixar gravado o seu mérito. As 143 jardas aumentaram o seu total da temporada para 972, ultrapassando o recorde da franquia de jardas recebidas por um rookie, até aqui na posse de Jeremy Shockey (tight end). Com mais 28 jardas ele tornar-se-á o primeiro rookie na história dos Giants com 1000 jardas recebidas, na época de estreia. E isto tudo conseguido em meros 10 jogos, depois de ter perdido as 4 primeiras jornadas, por lesão. O céu é o limite?

5 –  Big Play Willie Gay

A secundária dos Steelers já precisava de um dia assim. A unidade tem sido colocada em xeque, por sistema, deixando acumular jardas aos adversários. A lesão de Ike Taylor ajudou a essa permissividade, mas mesmo o regresso do veterano (no jogo com os Saints) não estancou a sangria, onde é notório que Troy Polamalu é agora uma fotocópia pálida do exuberante jogador de outrora. Contra os Falcons, William Gay recuperou um pouco do brilho perdido, atraindo para o grupo algum mediatismo positivo. A sua intercepção de Matt Ryan, posteriormente retornada para um touchdown, deu uma vantagem assinalável aos Steelers, que necessitavam de vencer a partida. Mas o lance mostrou também que o contributo de jogadores experientes pode ser precioso, na luta titânica que a equipa manterá para o apuramento. Foi a 3ª pick-six de Gay, depois das conseguidas contra os Titans e Colts, assinalando um novo recorde na franquia.

6 – Mike Tanier For President

Pelo menos, presidente de qualquer coisa. O homem é divertido. Escreve bem. Alia o conhecimento técnico com um humor que varia entre o subtil e o escatológico. É delirantemente divertido lê-lo. Não percam, no Bleacher Report, todas as segundas-feiras. Mas fica o aviso. É viciante. E podem ser acometidos de ataques de riso. O homem é mordaz e não poupa nada. Nem ninguém. Como nesta sublime prosa:

Anything the Redskins can do, the Jets can do sadder. Eric Decker appeared to score on an 81-yard catch-and-run. Titans defensive lineman Jurrell Casey jawed at Geno Smith during the review, then took a swing at the quarterback.

Several Jets linemen ran to Smith's defense, and a messy scrum broke out around midfield. Decker was ruled to have stepped out of bounds before scoring. No one was ejected from the game, not even Casey, because there is no greater punishment than having to continue playing in a Jets-Titans game.

The Jets won 16-11, making it much easier for the Titans to select Marcus Mariota ahead of them in next year's draft.

Turnovers

1- É Capaz de Não ser Boa Ideia, Peyton

Não sei se viram o Broncos vs Chargers. Não que o jogo tenha sido memorável, ou transcendente, de alguma forma. Deu o título de campeão de divisão a Manning e Cª e colocou o rival Chargers em maus lençóis, na luta por um posto nos playoffs. Mas o que me chamou a atenção foi a ideia, impulso ou o que lhe quiserem chamar, do quarterback dos Broncos. O que lhe terá passado pela cabeça, com os seus provectos 38 anos e depois de 3 operações ao pescoço, para tentar um bloqueio? Os Broncos enfrentavam um 3-and-goal e a opção da jogada passou por um handoff para CJ Anderson, a revelação no jogo corrido. Este tentou fugir pelo lado direito mas, não encontrando nenhuma rota por onde conseguir a mera jarda que faltava, tentou a rota de fuga pelo outro lado. Ao fazê-lo atraiu a atenção de vários defesas dos Chargers. E apanhado no meio da acção, Peyton Manning decide intervir, como blocker. O termo é meramente descritivo. Manning chocou contra uma parede de músculos e…saiu combalido. Julgo que todo o estádio, maioritariamente afecto à equipa da casa, susteve a respiração. Uma lesão impeditiva no quarterback e a temporada dos Broncos ruiria ali, perante a impotência generalizada. Brock Osweiler, o backup de Manning, entrou e mostrou, ao estilo de realidade alternativa, o que poderia fazer, se Manning ficasse de fora pelo resto da temporada. Dois passes tentados, zero completos e um intencional grounding ilustram o que seria de Denver, nos jogos seguintes. Felizmente, Manning regressou, algo combalido, mas sem mazelas de maior. E aposto que nunca mais tentará um bloqueio no que resta da sua carreira.

2- Spectacle of Failure

80 jardas. Duas intercepções. Quero o Johnny Football que conhecia e admirava de regresso. Urgentemente. Tenho uma jersey dos Browns (sim, meus caros, há quem compre camisolas dos Browns e eu sou um exemplo vivo), com o 2 estampado, e quero usá-la de forma orgulhosa. Quero dizer, alto e bom som, que eu vi aquele miúdo a jogar no college e que sempre acreditei nele. Sim, eu sou um crente na Manzielmania. Ou magia. Foi mau? Foi. Foi horrível? Sim, roçou a patetice. Mas é caso para escrever inflamados artigos de opinião, ou ridicularizar o jogador? Julgo que não. A NFL é um comboio de alta velocidade, que tudo tritura e onde a paciência não é o ponto forte. Mas os rookies, sobretudo os que jogam em posições de capital importância, necessitam de tempo para maturar. E não podem ser descartados, após uma má exibição. Em 1998, no seu jogo de estreia, Peyton Manning lançou 3 INTs. E passou as semanas seguintes a ridicularizar-se, dentro de campo, com notórias dificuldades em assimilar a transição do mais pacato campeonato universitário para o trepidante mundo profissional. Não é um exemplo único, aliás.  Troy Aikman, aclamado no Texas como um semideus, depois de vencer 3 Super Bowls com os Cowboys, teve um início igualmente periclitante. Duas intercepções no jogo de estreia, contra os Saints, derrotado por 28-0. E 11 partidas consecutivas sem conhecer o doce sabor da vitória. Por isso, os mais lestos e viperinos nas críticas, é bom que aguentem um bocado. É demasiado prematuro criticar o miúdo. Ainda.

3- Como Desperdiçar Picks no Draft em 10 Lições, by Jaguars

Sabiam que a franquia de Jacksonville tem tido, desde 2008, uma pick no top-10 do draft? E quem é que eles escolheram? Pois bem, comecem a apontar: Derrick Harvey, Tyson Alualu, Blaine Gabbert, Justin Blackmon, Luke Joeckel e Blake Bortles. Julgo que está encontrada mais uma explicação para tanta mediocridade. Com escolhas destas, alguém merecia ir preso…

4 – In Dan Snyder We [don’t] Trust

Dan Snyder. Ocupação? Ser rico. Hobby? Gostar de futebol americano. Capricho? Comprar uma equipa da NFL. Taxa de sucesso? A rondar a anedota. O que resta do reinado de Snyder enquanto dono dos Redskins? Uma palavra dá a resposta: Caos. Ou, se quiserem, esquizofrenia. A franquia vive num loop. Repetindo, vezes sem conta, o mesmo procedimento e acabando por regressar ao ponto de partida. Tudo segue a mesma cartilha. A equipa afunda-se em desespero. Vem a esperança com a reestruturação/renovação do roster. A seguir, toneladas de dinheiro esturradas na free agency. Depois, o déjà-vu do costume. Derrotas. Técnico no hot seat. Despedimento. Desespero. Esperança. Dinheiro gasto. Derrotas. Head coach despedido. Estão a perceber a ideia, certo? Isto perpetua-se, como num mau filme de ficção científica. Os Redskins estão prestes a ficar em último na NFC East. Pela 7ª vez nos últimos 8 anos. Na última década a equipa teve oito treinadores principais. Em 10 anos, foram 8. É o número exacto de treinadores que os três rivais da divisão (Cowboys, Eagles e Giants) tiveram, em conjunto…neste século. Até quando Dan Snyder vai “brincar” ao NFL Manager?

5 – First Round Pick

Não há muito que escrever sobre Jadeveon Clowney. Uma temporada de estreia terrivelmente frustrante, pejada de mazelas físicas, deixando todos com o amargo sabor da desilusão na boca. Para quem sonhava em vê-lo em acção, emparelhando com JJ Watt, resta aguardar pacientemente por 2015. Não se pode colocar o termo “bust” em equação. Há que ter um patamar mínimo de paciência. Mas, mesmo dizendo isto, vezes sem conta, o desencanto permanece. Eis o primeiro ano de Clowney na NFL:
Salário e bónus: 14.930.000 dólares. Não há gralha nem erro de digitação. Os zeros estão correctos. Os números à esquerda deles idem aspas. Foram mais de 14 milhões. E falta ainda pagar, em Junho do próximo ano, um bónus de permanência no roster de 922.000 dólares.
Jogos: 4
Jogadas/snaps: 143
Tackles: 7
Sacks: 0
Quarterback hits: 0
Conclusão óbvia, dividindo os 14.930.000 pelo números de tackles conseguidos: os Texans pagaram 2.132.857 dólares por cada uma dessas acções. Devem ser os tackles mais caros de sempre na história da NFL.

6 – Agora? Já é Tarde!

De forma surpreendente os Dolphins descobriram que é possível lançar passes para além das 10 jardas. E tentaram, com relativo sucesso, a fórmula contra uns imparáveis Patriots. Uma bomba de 50 jardas para Mike Wallace apanhou toda a gente desprevenida. Até Bill Bellichick, que é uma espécie de feiticeiro que tudo prevê, ficou atónito na sideline. Isto do atónito é brincadeira, que o rosto do treinador dos Patriots nunca demonstra qualquer tipo de emoção. Mesmo quando vence. E fá-lo de forma compulsiva. Ao passe de 50 jardas, Tannehill tentou ainda um de 36, para o mesmo Wallace, curiosamente também certeiro. O quarterback dos Dolphins deve ter achado a ocorrência mais do que uma coincidência, porque tentou mais duas vezes. Uma, Damian Williams dropou a bola. A outra foi interceptada. Mas afinal, pergunta o leitor mais desatento, onde é que está a surpresa dos passes longos? Por ser Miami, caro amigo. Os Dolphins passaram a época toda sem explorar os passes downfield, limitando-se à mistura conhecida de passes curtos e corridas curtas. Para ganhos curtos. Foi dando para subsistir. Mas quando se tem uma deep threat como Wallace, era bom que o plano de jogo incorporasse algumas jogadas para explorar a velocidade do receiver. Umas 3 ou 4 por jogo, digamos. Mas não. O conservadorismo táctico, avesso ao risco, imperou nos golfinhos. Até mesmo quando se defrontavam opositores com secundárias patéticas (leia-se os Ravens, por exemplo), ninguém parecia querer explorar as fraquezas alheias. E depois, no modo desespero, é que se encontra a possível chave para o mundo mágico? Agora já é tarde, meus caros. Game over.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.