Mock Draft 2.0: Parte I

Paulo Pereira 11 de Abril de 2014 Draft, NFL Comments
Mock Draft 2014

Mock Draft 2.0: Parte I

Cá estou eu novamente. Depois da versão 1.0 do mock draft, realizada precocemente em Novembro (sim, em Novembro, quando a temporada ainda decorria, de forma animada), nada como lançar os dados novamente, tentando descortinar quem serão os eleitos. Muita água passou debaixo das pontes, desde o último exercício de adivinhação. Vieram os playoffs, a vitória esmagadora dos Seahawks, os confetis, o fim de festa…e a free agency. Muitas equipas movimentaram-se no mercado de jogadores livres, procurando desde logo colmatar algumas carências existentes nos seus rosters. Em que é que isso influenciou a estratégia para o draft do próximo mês? É o que veremos…

1. Houston Texans – Jadeveon Clowney, DE, South Carolina

Anterior escolha: Anthony Barr, OLB. Porquê a alteração? Simples. O Combine e o Pro Day mostraram que as dúvidas existentes quanto a Clowney eram infundadas. Um portento atlético, o DE pode ser um starter desde o dia 1 da nova temporada, trazendo agressividade e disrupção ao front 7 dos Texans onde reside – e é bom não esquecer – JJ Watt. A dupla pode ser a next big thing do pass rush, explosiva e atormentadora das OLs contrárias. E Clowney, nesta altura, parece ser melhor – muito melhor – do que qualquer outro pass rusher presente no draft. Incluindo Barr.

2. Saint Louis Rams – Greg Robinson, Offensive Tackle, Auburn

Anterior escolha: Jake Matthews, OT, Texas A&M. Novamente, uma alteração entre dois jogadores que jogam na mesma posição. O motivo é óbvio. O crescimento de Robinson, crucial na fantástica época de Auburn, que culminou depois com bons desempenhos no Senior Bowl e Combine. A única questão a ter em conta, na escolha dos Rams, é se a franquia de Saint Louis sente mesmo a necessidade de escolher em 2º. Não sente. A posição está à “venda”, numa trade down que traria picks adicionais aos Rams, como eles tanto gostam. Se isso não acontecer, Robinson fará parte integrante de uma OL que melhorará bastante. A equipa tem Jake Long, como left tackle, e um surpreendente Joe Barksdale como right tackle, mas o ex-pupilo de Auburn será um upgrade imediato na posição de RT, ficando a marinar na posição até à saída de Long, no futuro próximo.

3. Jacksonville Jaguars – Khalil Mack, OLB, Buffalo

Anterior escolha: Teddy Bridgewater, QB. O que significa esta alteração? Que os Jaguars deixaram de precisar de um quarterback? Não. Nada mais falso. Os Jaguars ainda procuram o franchise QB, mas não de forma desesperada. Gus Bradley, com background defensivo na sua formação, sabe que a defesa de uma equipa pode ser a base para o sucesso. Os Seahawks são agora o poster que ilustra isso mesmo. E Bradley, que foi parte integrante da construção desse unidade defensiva em Seattle, procura emular o mesmo sucesso em Jacksonville. Depois de ter trazido, na free agency, Chris Clemons e Red Bryant, seus antigos atletas nos Seahawks, fortalecendo o pass rush e a defesa contra o jogo corrido, a chegada de Mack seriauma melhoria notória no corpo de linebackers. E, depois, nos rounds seguintes, haveria tempo para recrutar um QB que pudesse, sem pressão, ser desenvolvido, enquanto o comando do ataque é entregue a Chad Henne.

4. Cleveland Browns – Sammy Watkins, Wide Receiver, Clemson

Anterior escolha: Mike Evans, WR. Troca por troca? Not so fast. São dois estilos diferentes de receivers. Um, como Mike Evans, é o protótipo do receiver físico, do género de Anquan Boldin, capaz de fazer as catches todas, mesmo marcado de forma férrea. Watkins é veloz. Empolgante. Um playmaker que casaria na perfeição com o outro receiver da equipa, Josh Gordon. Os Browns ainda precisam de um QB para desenvolver, enquanto entragam as rédeas do jogo a Brian Hoyer, mas podem escolhê-lo no primeiro round, dado que possuem 2 picks. Se é certo que os Browns estiveram activos na free agency, trazendo dois receivers (Nate Burleson e Andrew Hawkins), nenhum deles possui as características de Watkins, que é explosivo e pode ser um game changer.

5. Oakland Raiders – Jake Matthews, Offensive Tackle, Texas A&M

Anterior escolha: Tahj Boyd, QB. Boyd deixou de ser um jogador interessante, caindo assustadoramente no stock do draft. As boas temporadas em Clemson parecem agora apenas uma saudade, com o jogador a deixar de ser uma possibilidade para os primeiros rounds. Os Raiders, activos na free agency, já possuem o seu left tackle, tendo trazido Donald Penn, depois do fiasco que foi a aquisição de Roger Saffold. Tendo igualmente adquirido Austin Howard para o lado direito da linha ofensiva, a escolha de Matthews poderá não fazer sentido inicialmente. Então os Raiders não necessitam de um QB? Nim. A aquisição de Matt Schaub dá-lhes tempo, com a experiência do ex-Texans a poder ser suficiente para a franquia subir mais uns degraus na ascensão na divisão. A presença de Mike McGloin confere também uma solução de recurso, no caso de Schaub se enredar nos mesmos erros que levaram à sua saída de Houston. E Jake Matthews pode ser uma solução vista a médio prazo, fazendo o seu tirocínio atrás de Penn e Howard.

6. Atlanta Falcons – Anthony Barr, Outside Linebacker, UCLA

Anterior escolha: Jadeveon Clowney, DE. Pois. Clowney não estará à disposição, com a pick 6. Os Falcons têm ataque poderoso, mas precisam de ajustamentos defensivos. Trataram disso na free agency, trazendo big bodies para a linha da frente, como Paul Soliai e Osi Umenyiora. Com Barr a equipa ganha mais uma solução, num precioso pass rusher que dará valor a um sector que necessita de qualidade.

7. Tampa Bay Buccaneers – Mike Evans, Wide Receiver, Texas A&M

Anterior escolha: Marcus Mariota, QB. Como as coisas mudam, num espasmo de meses. Mariota nem sequer se declarou para o draft, permanecendo sensatamente mais um ano em Oregon. Os Bucs, que tiveram um interessante Mike Glennon na posição de QB, foram buscar Josh McCown, que aparentemente beneficia do apoio do novo staff técnico. Com a saída de Mike Williams, o talentoso mas problemático WR2, os Bucs necessitam de armas para o ataque. Mike Evans é o parceiro ideal de Vincent Jackson, colmatando a saída de Williams e fornecendo um alvo fiável na red zone.

8. Minnesota Vikings – Teddy Bridgewater, Quarterback, Louisville

Anterior escolha: Johnny Manziel, QB. O que me levou a esta alteração? A mudança de staff técnico em Minnesota, com Mike Zimmer a comandar agora os purple & gold. Fazendo fé na imprensa, Zimmer não parece ser um fã incondicional de Manziel e o circo mediático que rodeia o jogador. Pode ser uma estratégia, uma cortina de fumo que camufle o real interesse no jogador, mas acredito que, se Bridgewater estiver disponível na pick 8, os Vikings não hesitarão em escolhê-lo como o seu quarterback. É uma pick arriscada – seja Bridgewater, Manziel, Bortles ou Carr – pois Rick Spielman joga aqui o seu futuro como general manager da franquia. Já se equivocou com Christian Ponder, escolhido em 2011 com a pick 12 e novo erro pode ditar a sua saída. Mas Bridgewater parece ter todas as qualidades inerentes à função, podendo crescer sem demasiada pressão no resguardo de Matt Cassel, que será uma opção perfeita inicialmente para gerir o ataque.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.